2 de janeiro de 2012

Do Pároco

Um conhecido jornalista e ensaísta italiano, reportando-se ao comportamento habitual dos políticos do seu país, observava que todos defendiam com unhas e dentes o papel do estado na cobertura sanitária dos cidadãos, louvando uma espécie deServiço Nacional de Saúdepúblico para todos os cidadãos, iguais em direitos, e, por isso mesmo, com o dever de serem bem tratados, sem excepção, pelo estado italiano nessas matérias tão melindrosas. Não faltavam, por parte de alguns, as críticas a um certo apoio, por vezes desmesurado segundo o seu entender, que era prestado às instituições que a Igreja Católica promovia em prol dos doentes e da saúde na Península Itálica.
Contudo, acrescentava, sempre que um político adoecia e necessitava de cuidados especiais de saúde ou de internamento hospitalar, independentemente da sua cor, lutava acerrimamente por ser acolhido em algum centro promovido pela Igreja, com frequência, por instituições religiosas dedicadas especialmente a esse tipo de tarefas. Porquê?
Certamente que não está em causa a competência e o desvelo das instituições públicas –provavelmente laicas, se quisermos – que tanto defendiam nas suas dissertações políticas. Mas a estas talvez faltasse o que encontravam naquelas a quem criticavam, e agora pedem os seus serviços. Uma palavra explica tudo: a caridade. É diferente ser tratado por alguém muito competente, sob o ponto de vista científico-profissional, ou por outro que a essas qualidades une um carinho especial, uma atitude de aproximação e de compreensão, de entrega radical, uma humanidade sublimada por mais qualquer coisa que se nota, que se aprecia, mas talvez só se compreenda quando se experimenta.
Tudo isto vem a propósito deste novo ano que estamos a começar. Se atendermos ao que nos manifesta ostensivamente, todos os dias, a comunicação social, é óbvio que vivemos e vamos continuar a viver um tempo de crise económica com graves repercussões de carácter social. Temos consciência de que o desemprego aumentou, que as famílias vivem um aperto para o qual o não estavam preparadas, sentimos, no bolso, que o estado nos vai pedir mais impostos e propiciar menos benefícios, que gente que, até agora, viveu o seu dia a dia com alguma folga e, neste momento, não sabe como pôr a comida na mesa na sua luta quotidiana, etc., etc., etc..
Uma atitude compreensiva é o da frustração e o da acusação dos culpados. A frustração leva-nos a ser agressivos ou a cruzar os braços e nada fazer. A acusação torna-nos juízes. E, como tal, devemos procurar ser objectivos e justos. É bom que saibamos discernir, com rigor, o trigo do joio. Mas, num e noutro caso, é duvidoso que nos ajude, num plano pessoal, a contribuir para superar a crise. Pelo contrário, pode ser uma saída evasiva, algo que até nos quadra bem se temos dom de palavra e sentido de oportunidade nos gestos que fazemos... E depois? Que contribuição houve da nossa parte para ajudar a que este clima constante de pessimismo, demuro das lamentaçõesem que se transformou tanta gente que conhecemos, se modifique?
E vem a questão que sempre levantamos: Mas que posso eu fazer neste oceano de desgraças?
Em primeiro lugar, rezar. Mas isso vale alguma coisa? Tem efeitos práticos? Algum cristão duvida de que uma Ave-Maria bem rezada, onde reclamamos à Nossa Mãe e Mãe de Deus que tenha piedade dos seus filhos que sofrem, é muito mais eficaz de que uma lenga-lenga negativa, depressiva, que ajuda à inoperância, ao desalento, à convicção de que eu não posso fazer nada? Se posso rezar, como é possível que não possa fazer nada? Não esqueçamos: a oração é a “fraqueza de Deus” e Maria Santíssima é a “omnipotência suplicante”.
Por fim, habituemo-nos a pensar nos outros, nos que são nossos irmãos e vivem aflitos com problemas económicos que não são resolúveis de imediato, de um modo concreto e prático. Talvez pessoalmente, isto é, através de uma intervenção, eu não seja capaz de melhorar uma situação. Mas se aforro e dou a minha poupança para uma instituição de confiança de solidariedade social, com certeza que contribuirei para solucionar alguns problemas. Também, em família, posso organizar uma espécie demealheirocomum, onde todos deitem o fruto das suas iniciativas pelos que carecem da nossa ajuda, etc.
E, ainda no âmbito do lar, que as orações familiares não esqueçam quem sofre e é carente. Quanto bem não se poderá fazer! O cristão é optimista e deve procurar soluções positivas, de acordo com as suas possibilidades e sempre contando com a ajuda de Deus, que não anda distraído, lá por cima, a pensar na sua glória e no seu bem-estar. Pelo contrário, é um Pai amoroso, que segue a paripassu cada um dos seus filhos e conta com a boa vontade dos que podem, mesmo pouco, para ajudar os que necessitam de uma atenção mais caritativa em momentos difíceis da vida.
Comecemos bem o ano, propondo-nos tomar a sério a virtude da caridade.

Do Tesouro da Igreja

Santa Maria, Mãe de Deus(*) 

   “O Verbo de Deus veio para socorrer a descendência de Abraão, como afirma o Apóstolo, e, por isso, devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos e assumir um corpo semelhante ao nosso. É para isso que Maria está verdadeiramente presente neste Mistério; foi d’Ela que o Verbo assumiu como próprio aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura recorda este nascimento e diz: Envolveu-O em panos; além disso, proclama ditosos os peitos que amamentaram o Senhor e fala também do sacrifício oferecido pelo nascimento deste Primogénito. O anjo Gabriel tinha anunciado esta concepção com toda a precisão e prudência; não lhe disse: “O que há-de nascer em ti”, como se tratasse de algo extrínseco, mas de ti, para indicar que o fruto deste nascimento procedia realmente de Maria. 

   O Verbo, ao tomar a nossa condição humana e ao oferecê-la em sacrifício, assumiu-a na sua totalidade, para nos revestir depois a nós da sua condição divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade. 

   Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como disseram alguns. Longe de nós tal pensamento! O nosso Salvador foi verdadeiramente homem e assim alcançou a salvação do homem na sua totalidade. Não se trata de uma salvação fictícia, nem se limita a salvar o corpo; o Verbo de Deus realizou a salvação do homem todo, isto é, do corpo e da alma. 

   Era verdadeiramente humana, portanto, a natureza do que nasceu de Maria, segundo as divinas escrituras, era verdadeiramente humano o corpo do Senhor. Verdadeiramente humano, quero dizer, um corpo igual ao nosso. Maria é, de facto, nossa irmã, porque descendemos de Adão. 

   O que João afirma ao dizer: O Verbo Se fez homem, tem um significado semelhante ao que se encontra numa expressão semelhante de S. Paulo quando diz: Cristo fez-Se maldição por nós. Pela união e comunhão com o Verbo, o corpo humano recebeu um enriquecimento admirável: era mortal e passou a ser imortal, era animal e converteu-se em espiritual, era terreno e transpôs as portas do Céu. 

   Por outro lado, a Trindade, mesmo depois da Incarnação do Verbo em Maria, continuou a ser a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição, permanecendo sempre na sua perfeição absoluta. E assim se proclama na Igreja: a Trindade numa única divindade; um só Deus, no Pai e no Verbo”. 

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(*) Das Cartas de St. Atanásio, Bispo: (Epist. Ad Epictetum, 5-9: PG 26, 1058. 1062-1066) (Séc. IV)

Missas na paróquia de Telheiras

1) HORÁRIO DE MISSAS NA IGREJA PAROQUIAL DE TELHEIRAS (NOSSA SENHORA DA PORTA DO CÉU) ATÉ JUNH0 DE 2011

a) Domingos – 10.00h, 12.00h e 19.00h

b) Semana: 2ª Feira a 6ªFeira: 12.15h e 18.30h; Sábados, 18.30h

2) HORÁRIO DE MISSAS NOUTROS LUGARES DE CULTO NO TERRITÓRIO DA PARÓQUIA DE TELHEIRAS

a) Clínica Psiquiátrica de S. José – Irmãs Hospitaleiras do S.C.J: (Azinhaga da Torre do Fato, n. 8, Tel. 21725110) – De 2ª Feira a Sábado: 17.30h; Domingos: 10.00h.

b) Lar Maria Droste – Irmãs do Bom Pastor: (Tv. da Luz, 2, Tel. 217140086) – De 2º Feira a Sábado: 7.30h; Domingos: 8.30h.

c) Colégio Planalto (R. Armindo Rodrigues, n. 11 – Alto da Faia, Tel. 217541530) – De 2ª Feira a 6ª Feira: 7.50h. Esta Missa só é celebrada durante o ano escolar, mas não nos períodos de férias e dias feriados. 

Obs – É conveniente, se durante algum tempo não frequenta regularmente uma destas Missas, telefonar antes a confirmar o seu horário.

CATEQUESE

Recomeçam as aulas no dia 3, 3ª Feira, seguindo o calendário escolar do nosso país. Aos Domingos, a Missa das Crianças é às 10h, com homilia acessível aos mais novos.

Serão marcadas brevemente reuniões de pais.

Ausências de sacerdotes neste mês

Do dia 1; Domingo, ao dia 9, 2ª Feira: P. João Campos e P. Carlos Santamaria.

RECOLECÇÕES MENSAIS (na igreja)


3ª Feira, Dia 10: Homens; 19.15h

5ª Feira, Dia 12: Senhoras; 19.15h

CURSOS A DECORRER DURANTE O MÊS DE JANEIRO

De Preparação para o Crisma: (Orientação: P. Rui Rosas)

Aulas: 4ªs Feiras, 19.15h:

Dia 4: Os Sacramentos da Iniciação Cristã;

Dia 18: Os outros Sacramentos que Jesus Cristo instituiu


Teologia para todos: (Orientação: P. João Campos) 

Aulas: 5ªs Feiras, 19.15h ou 21.30h:

Dia 19 : Eucaristia - Sacrifício


Conhecer a Bíblia:

Aulas: 5ªs Feiras, 21.30h:

Dia 11: Livros inspirados e Verdade bíblica


Catecúmenos: (Orientação: P. Rui Rosas):

Aulas: 3ªs Feiras, 19.15h:

Dia 3 : Meios de Salvação conquistados por Cristo

17: Como conhecer a Deus:

31. Sacramentos: Iniciação geral

CABAZ DO NATAL – No mês passado

Repetiu-se, neste ano, a tradicional entrega de CABAZES DO NATAL a mais de 70 famílias que necessitavam. Numa altura em que a nossa solidariedade se deve manifestar de uma forma mais intensa, conseguiu-se levar o calor do Natal a quem, sem a nossa ajuda, não poderia festejá-lo tão bem. Obrigado a todos aqueles que contribuiram, quer com géneros, roupa, dinheiro e brinquedos. No dia 20, 3ª Feira, houve a distribuição de roupas e no dia 21, 4ª Feira, entregaram-se os Cabazes de Natal. De um modo especial, queremos manifestar o agradecimento ao Colégio Planalto e ao Colégio Alemão, que apetrecharam com generosidade e bom gosto os Cabazes e a todos os que colaboraram com o seu trabalho e dedicação para tornar possível um gesto tão amável em prol dos que precisam de ser ajudados. Recorda-se, no entanto, a presença nos dias citados e também na 2ª Feira, dia 20, de alguns dos nossos escuteiros mais velhos, que deram o seu contributo para que tudo corresse da melhor maneira

AGRUPAMENTO Nº 683 – ACTIVIDADES EM JANEIRO

Dia 14, Sábado – Actividade exterior da Alcateia, Expedição e comunidade

Dia 20, 6ª Feira – Vigília de Oração. Assumir e fortalecer a nossa fé e reflectir sobre o compromisso da Promessa.

Dia 21, Sábado – Festa das Promessas, com celebração Eucarística, onde os elementos assumem o seu compromisso como escuteiros.

Obs. – Após vários anos de interregno, o Agrupamento contará de novo com caminheiros.

BAPTISMOS NESTE MÊS

Dia 14, Sábado, 11hThomas Von Keller

CURSO DE NOIVOS EM JANEIRO

   Tardes dos dias 28, Sábado e 29, Domingo.
   
   Este curso é organizado pela Paróquia em parceria com CENOFA - Centro de Orientação Familiar. As inscrições podem ser feitas directamente na Secretaria da Paróquia ou em CENOFA (www. cenofa.org). Agradece-se a divulgação desta iniciativa entre pessoas que pensem casar brevemente.

Coisas práticas: A SANTA MISSA (II)

RITOS INICIAIS

A reunião dos cristãos num mesmo lugar e a uma hora preestabelecida, tem por si grande significado. Foi Cristo quem os convocou: “Ele é o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ele mesmo é Quem preside invisivelmente toda celebração” (CIC, 1348).

Quem chegou com tempo, pode pensar na grandeza do que se vai celebrar – talvez, com a ajuda de algum livro –, e rever os passos da celebração e as palavras do ordinário. Conhecendo-os bem é possível chegar a uma real participação “plena, consciente e activa” (Sacrosanctum Concilium, Conc. Vaticano II, nn. 14 e 48).

Os leigos, graças a terem recebido no Baptismo o sacerdócio real, podem unir-se interiormente ao Redentor e oferecer-se com Ele e n’Ele, por meio do sacerdote.

A referida “participação activa” não implica a realização de acções externas; é essencialmente uma atitude interior, “que parte de uma maior tomada de consciência do mistério que se celebra e da sua relação com a vida quotidiana” (Sacramentum Caritatis, Bento XVI; n. 52). Vivendo bem todos os momentos da celebração, conseguiremos que as ocupações do nosso dia-a-dia sejam fecundadas pela Eucaristia que tudo quer arrastar na oferta redentora do altar.



CANTICO DE ENTRADA E ACTO PENITENCIAL

O gesto de se levantar, ao entrar o celebrante, mais do que mera cortesia, simboliza a atitude profunda do cristão de receber a Cristo e a disponibilidade de depois O seguir e acompanhar pela nossa vida, ao terminar a celebração.

O canto de entrada tem o tom de uma reunião festiva, de uma reunião fraterna à volta de Cristo – “Primogénito entre muitos irmãos” (cf. Rom 8,28). Aí se encontram todos os membros da Igreja: os da terra com os do Céus e os do Purgatório.

Em nome de toda a Igreja – de cada um dos que a ele se unem –, o celebrante faz a reverência ao altar, que representa Cristo. Assim exprimia esse gesto S. Josemaria: “subo ao altar com ânsias, e mais que pôr as mãos sobre ele, abraço-o com carinho e beijo-o como um apaixonado, que é isso que sou: apaixonado! Estaria perdido se não o fosse!” (cf. Vivir la Santa Missa, Javier Echevarría, pág. 46).

A consciência da pessoal indignidade conduz-nos então a um sentido acto penitencial. O momento de silêncio permite recordar alguma falta mais fresca na memória que ajude a atitude interior de quem se reconhece marcado pelo pecado.

E à petição de perdão une-se o louvor: Senhor… Cristo, tende piedade de nós. E a certeza da misericórdia divina leva da contrição à alegria.

É o clima interior para o Glória que se inicia com o canto de alegria dos anjos, na noite do Natal de Jesus e se prolonga num hino proclamando as grandezas de cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade. Agradecidos, acabamos por aclamar o Pai e dizer a Jesus “Só Vós sois o Santo… o Senhor… o Altíssimo”. Pois Ele, “o Filho do Altíssimo, o Filho do homem, ungido pelo Espírito Santo, da Cruz se dirige a Deus Pai para render o máximo acto de louvor e para nos obter a remissão das nossas ofensas”. É da reconciliação obtida que brota a paz interior e o ânimo para prolongar a nossa vida numa união plena com Deus.

Funcionamento da Paróquia neste mês


a) Abertura da Igreja:

  1) Durante a semana :

De 2ª Feira a 6ª Feira:: 11.00h-13.00h;16.00h-19.30h; Sábados: 17.00h-19.30h

  2) Domingos e Dias Santos de Preceito: 9.30h13.00h; 17.00h-20.00h



b) Horário de Missas:

   1) Durante a semana: De 2ª a Feira a 6ª Feira: 12.15h e 18.30h; Sábados: 18.30h

   2) Domingos e Dias Santos de Preceito: 10.00h, 12.00h e 19.00h

Obs – Meia hora antes das Missas da tarde, reza-se o Terço, havendo à 5ª Feira Exposição

e Bênção com o Santíssimo Sacramento


c) Atendimento de Secretaria:

3º Feira a 6ª Feira: 16.30h-18.00h


d) Confissões:

Sempre que a Igreja se encontre aberta e alguém o solicitar. No caso de não se encontrar nenhum sacerdote no confessionário, dirija-se à Secretaria e solicite a sua presença. Os horários habituais de atendimento dos diversos sacerdotes estão disponíveis no site da paróquia

OBS: O confessor, geralmente disponível antes e durante as Missas dominicais ou dos Dias Santos de preceito, irá variando.

1 de janeiro de 2012

Viver na presença de Deus - I: O minuto heróico

Deus é o nosso grande amigo. A fidelidade do amor que nos devota é total e absoluta. Nunca poderemos pensar, sem cometer um erro e uma injustiça, que Deus pode ter para connosco alguma aversão insuperável, uma predestinação maníaca ou depressiva. A sua atitude é sempre de compaixão e de compreensão. Oxalá saibamos nós corresponder com pedidos de perdão verdadeiro e não interesseiro ou fictício, sempre que cometemos alguma falta.
Para amá-Lo bem, colocando-O acima de todos os outros amores nobres e possíveis, é necessário que com Ele mantenhamos um constante diálogo.
Este não precisa de circunstâncias especiais, únicas ou fora do normal. Pelo contrário, Deus acompanha-nos a pari passu em todos os momentos da nossa vida. Temos de descobri-Lo na normalidade do dia a dia, nas tarefas que realizámos já quase sem esforço, porque se repetem ao longo das nossas horas.
Se assim procedermos, estaremos sempre em contacto com Deus e a não dispensar a sua presença em nós, para nos orientar segundo os seus desígnios.
Decerto que constitui um bom começo da jornada levantarmo-nos prontamente, assim que toca o despertador, sem protelar esse acto tantas vezes heróico para daí a cinco minutos ou dez, que, com frequência acabam por ser bastante mais. Nada ganhamos com o adiamento e a nossa vontade transforma-se rapidamente, com a cedência à preguiça, uma espécie de pudim flã com pouca consistência e nenhuma capacidade de decisão e de mando.
É a primeira vitória do dia que podemos oferecer a Deus, agradecendo-Lhe a ajuda que nos deu para nos levantarmos com prontidão. Tomemos cuidado com o orgulho de quem se sente capaz de vencer esse obstáculo do nosso acordar. Se o não sobrenaturalizamos, isto é, se não pomos nas mãos de Deus os méritos alcançados, perdemos a oportunidade de sermos corredentores e transformamo-nos numa espécie de pedestal de orgulho, satisfeitos connosco mesmos, esquecendo que é a Deus que devemos a vontade e a capacidade de nos vencermos.
Os méritos ficarão num nível rasteiro e balofo: somos como que super-heróis, porque conseguimos sacudir o sono e a moleza dum modo que nos incha o orgulho e nos torna mais vaidosos e contentes com as nossas possibilidades.
Esquecemos a ocasião para oferecer a Deus o esforço. Ficamos com ele todo para nós, tratando-o como uma espécie de objecto de estimação tão meu, que Deus não pode aproveitar-se dele para, através da Comunhão dos santos, alargar e disseminar o bem dos nossos méritos pelas outras pessoas.
Não devemos confundir este minuto heróico com um acto irreflectido e absurdo. Para me levantar prontamente, salvo excepções que às vezes temos de enfrentar, é preciso dormir o que é preciso para mantermos a inteligência lúcida e a vontade pronta.
Por vezes, a falta de vivência do minuto heróico de manhã está relacionado com uma certa desordem caótica ao deitar. Não é verdade que sentimos em certas noites uma espécie de mania de que temos muitas coisas para fazer naquele momento em que devíamos ir dormir? Há o ditado: “Não deixes para amanhã o que podes (ou deves) fazer hoje”. Bem entendido, não nos torna desordenados nem noctívagos inutilmente. Se encurtamos o tempo de descanso sem peso, conta e medida, é natural que o minuto heróico, pela manhã, se transforme num pesadelo de impossíveis.
Deus não nos pede o caos. Quer que sejamos ordenados, pelo que deseja que durmamos o suficiente para podermos exercitar as nossas faculdades intelectuais, volitivas, afectivas e corporais com desenvoltura e eficácia. Mas exige que não cedamos à preguiça tíbia quando o despertador toca. Levantemo-nos com prontidão, sem hesitações titubeantes e improdutivas. Vivamos, em resumo, o minuto heróico. E deixaremos contente o nosso Pai Deus.