5 de dezembro de 2011

Do Pároco

       Começámos já, no final do passado mês de Novembro, o tempo de Advento.

      É tempo de expectativa e, portanto, de preparação para a vinda do nosso Salvador, que, anualmente, nos brinda com a festa do seu aniversário, no próximo dia 25 de Dezembro.

     De alguma forma, esta quadra litúrgica faz-nos lembrar os milhares de anos que se viveram entre os homens, especialmente entre o povo de Israel, esperando com ansiedade o Messias, que encarnou, sofreu e morreu pelos homens, a fim de que estes pudessem de novo ser herdeiros do fim para que Deus nos criou, o Céu. 

   Perdido pelo pecado dos nossos primeiros pais, não eram as nossas forças naturais, também proporcionadas por Deus, que nos poderiam fazer lá chegar. Foi preciso o sacrifício de Cristo, com o valor infinito que ele alcançou, para que as portas celestiais se nos abrissem. 

     A criança inerme que vemos nascer em Belém, num presépio rude e frio, é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que assume a nossa natureza, a dignifica com a sua Encarnação, e a redime com tudo o que quis sofrer na sua Paixão e Morte.

      Preparar bem o Natal é um acto de agradecimento sincero da nossa parte e, simultaneamente, de boa educação para com Quem Se ofereceu de modo tão radical pela nossa salvação. Deve ser um “obrigado” muito íntimo e verdadeiro, que saia do nosso coração com a veemência de quem se sente verdadeiramente grato ao Deus que encarna e ao Deus que nos redime. Como preparar bem o próximo Natal nestes dias de Advento que o antecedem?

      A primeira atitude deve ser um espírito de exame forte, que nos faça ver, tanto quanto nos for possível com os olhos do Espírito Santo  que nos santifica, o estado das nossas relações com Deus. A Ele devemos tudo, nada do que temos ou somos é independente da providência habitual de Deus. Observava um pensador cristão do século passado, Jacques Leclerc, que ser criatura – o nosso caso - é ter tudo emprestado pelo criador. A ele tudo devemos. Como não Lhe estar agradecido?

     Faço habitualmente a vontade de Deus? Procuro-O nas diversas circunstâncias do meu dia a dia, sabendo perscrutar a sua presença nas azáfamas do meu trabalho, nas minhas relações com os outros, nos deveres habituais para com os meus familiares, amigos ou simples conhecidos? Na vida de família ajudo os outros a cumprir as suas obrigações? Procuro criar, à minha volta, um clima de paz e de tranquilidade, ou, pelo contrário, vivo egoisticamente o meu tempo, as minhas coisas, os meus recantos, as minhas manias?

      A presença de Nossa Senhora e de S. José devem ser constantes não só nas minhas orações, mas também nas coisas normais do meu quotidiano, pensando no seu exemplo e solicitando a sua ajuda. Trata-se de pessoas humildes e normais, generosas em tudo o que fazem, solícitas para quem necessita da sua ajuda. Nos dois casos, a santidade nasce  como um reflexo da sua vida quotidiana, onde tudo é normal. Maria é dona de casa e mãe de Jesus; José ocupa as funções de chefe de família, consoante os usos do seu tempo. A Pessoa divina de Jesus por ambos Se deixa educar na humildade, na laboriosidade e no Amor a Deus. Não precisam de ensinar muitas coisas: Jesus aprende mais com o trabalho doméstico bem feito de Maria e com a  seriedade e honradez profissional de José como artesão, do que com muitas palavras explicativas. O exemplo falava por si e era o melhor dos educadores. 
      Procuremos ler e aprofundar, nestes tempos,  os Evangelhos da infância de Jesus. Neles descobriremos o essencial para sermos cristãos devotos, humildes, honestos e trabalhadores. E, certamente, limpando da nossa consciência toda a poeira que o caminho da vida nos traz, recorrendo ao Sacramento da Penitência. Quanto e quanto não eleva o nosso amor a Deus e  a Cristo o facto de expurgarmos da nossa consciência tudo o que nos afasta do Senhor. 

Bom Natal para todos!

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