5 de dezembro de 2011

COISAS PRÁTICAS: A SANTA MISSA (I)



     “É necessário, para uma frutuosa participação, esforçar-se por corresponder pessoalmente ao mistério que é celebrado, através do oferecimento a Deus da própria vida em união com o sacrifício de Cristo pela salvação do mundo inteiro”, escreveu Bento XVI, acrescentando: “Por este motivo, o Sínodo dos Bispos recomendou que se fomentasse, nos fiéis, profunda concordância das disposições interiores com os gestos e palavras; se ela faltasse, as nossas celebrações, por muito animadas que fossem, arriscar-se-iam a cair no ritualismo”. Concluía: “Assim, é preciso promover uma educação da fé eucarística que predisponha os fiéis a viverem pessoalmente o que se celebra” (cf. Sacramentum Caritatis, 64).


     Uma catequese mistagógica ajuda a penetrar cada vez mais profundamente nos mistérios celebrados se incluir a) “a interpretação dos ritos à luz dos acontecimentos salvíficos, segundo a Tradição viva da Igreja, que inclui a recapitulação de tudo em Cristo morto e ressuscitado; b) “introduzir no sentido dos sinais contidos nos ritos”, despertando e educando “a sensibilidade dos fiéis para a linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos à palavra, constituem o rito”; c) “mostrar o significado dos ritos para a vida cristã em todas as dimensões que possui: trabalho e compromisso, pensamentos e afectos, actividade e repouso”, sem omitir a missão apostólica.


     Em Maio de 1964 dizia S. Josemaria: “Antes de mais, necessitamos de amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava?” (Cristo que passa, n.154).


PREPARAÇÃO PARA A MISSA


     O Baptismo torna capaz quem o recebe de se unir à entrega redentora de Jesus na Eucaristia, pois a graça dá uma participação na vida divina. S. Paulo di-lo aos primeiros cristãos: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gál 2, 20).


     1. Os frutos de participar no Sacrifício eucarístico exigem que nos apresentemos livres de pecado mortal e purificados o melhor que pudermos dos pecados veniais e de faltas, como que “embelezados” para um encontro de amor.


     2. Antes da celebração, o recolhimento e o silêncio permitem fomentar o desejo duma conversão e verdadeira reconciliação, que leve a uma vida orientada mais para os outros.


     3. Convém chegar com tempo, fazer um pouco de oração pessoal, fomentando o anseio de acompanhar Cristo no Calvário, já que no altar actualiza-se sacra mentalmente o mesmo e único Sacrifício redentor. Não sendo possível esta preparação, ao aproximar-se a hora, podemos fazer crescer tal desejo com actos de fé, de esperança e de amor.


     4. Será preciso então preparar-se para se meter a fundo nas cerimónias, a fim de captar profundamente o seu significado. O mero facto de ver aparecer o celebrante revestido dos paramentos litúrgicos, por exemplo, deve bastar para nos lembrar que vai actuar e falar “in persona Christi”, representando Cristo, de Quem é um instrumento inteligente e livre da sua acção redentora. E levar-nos-á a pedir que ele saiba pôr todo o seu ser ao serviço do ministério que Jesus lhe confiou.


     “Por vezes talvez nos perguntemos como será possível corresponder a tanto amor de Deus e até desejássemos, para o conseguir, que nos pusessem com toda a clareza diante dos nossos olhos um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente na Santa Missa, aprender a conviver e a ganhar intimidade com Deus na Missa, porque neste Sacrifício se encerra tudo aquilo que o Senhor quer de nós” (Cristo que passa, n.154).


Obs. – Muitas destas sugestões encontram-se no livro: VIVIR LA SANTA MISA, de Javier Echevarría, Ed. Rialp; Madrid, 2010

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