7 de novembro de 2011

Do Pároco

Imagem – Dia de Todos os Santos

Não é, verdadeiramente, o mês de Novembro o “mês dos mortos”, se por “mortos” entendermos aqueles que já deixaram esta vida e com os quais já não podemos conviver.

Em primeiro lugar,” mortos” não significa os que já não têm vida em sentido absoluto. Sabemos bem que a passagem deste mundo para o outro não é o fim da nossa existência. Como diria S. Josemaria, morrer significa mudar de casa e, pela misericórdia de Deus, estrear uma casa muito melhor do que a que tivemos na terra.

A nossa alma imortal, quando se separa do corpo, comparece na presença de Cristo, que lhe indica a situação imediata e eterna que a espera. Jesus, o nosso melhor amigo, certamente que terá em conta todos os nossos esforços por correspondermos à graça que Ele nos conquistou na Cruz.

Por isso, ainda que haja uma despedida da vida terrena, a verdade é que a pessoa continua a viver, agora entregue aos cuidados da justiça divina, sempre unida à sua infinita misericórdia. A condição imortal da sua alma faz com que ela continue a sua existência na eternidade e seja receptiva a um convívio fraternal connosco, nomeadamente se connosco teve relações de amizade, de parentesco ou de conhecimento recíproco.

Neste convívio fraternal é possível estabelecer uma troca mútua de favores. Nesta ordem de ideias, eu posso rezar pela alma da pessoa que faleceu, pedindo ao Senhor, no caso de ela se encontrar ainda em período de purificação antes de entrar definitivamente no Céu, que abrevie essa etapa e, pelos seus méritos infinitos, a faça entrar na felicidade celeste o mais rapidamente possível. A oração que o Anjo de Fátima ensinou aos três pastorinhos exprime bem, na sua segunda parte, as possibilidades desta petição: “ (...) e livrai as almas do purgatório, principalmente as mais abandonadas”. Com estas palavras, Deus ensina-nos que devemos pedir por todas as almas do Purgatório. Isto é, que os méritos da nossa oração e dos nossos sacrifícios se aplicam a todos as almas que os necessitam.

A este movimento de “cá para lá”, pode dar-se um outro de reciprocidade. Se as almas das pessoas que nos deixaram estão vivas, conseguem obter de Deus muitos benefícios para os que ainda aqui labutamos na vida terrena, esperando o momento da chamada que Jesus nos fará, quando morrermos. As almas do Purgatório e, por maioria de razão, as que já se encontram no Céu, são intercessoras. São próximas de Deus, pelo que a sua caridade as leva a interessar-se pelos nossos destinos, pedindo ao Senhor constantemente pela nossa salvação.

E se, eventualmente, as nossas orações – por exemplo, uma Missa de sufrágio por uma alma –, a encontrar já no Céu, sem necessidade de que por ela se peça? É inútil? Perdemos o tempo? De maneira alguma! Os méritos dessa Missa vão directamente para as mãos de Cristo, que são as mãos da caridade por excelência. Ele os aumenta e os aplica pelas intenções que a sua sabedoria divina achar mais adequadas. Nada se perde; pelo contrário, damos oportunidade ao Senhor para realizar o bem e, ao mesmo tempo, sentimos o são “orgulho” de saber que Jesus não desaproveita a ocasião que Lhe oferecemos para exercitar a sua infinita bondade. E como nos ficará agradecido pelo que fizemos em prol dos que tanto beneficiaram com essa nossa iniciativa!

Aproveitemos, pois, este mês para pensarmos na eternidade, na nossa vida além-túmulo. Sem medo e corajosamente, sabendo que o que Deus tem reservado para nós, se formos fiéis, supera tudo aquilo que nós possamos imaginar de melhor. E, simultaneamente, rezemos por todos os fiéis defuntos do Purgatório, já que ainda precisam das nossas orações, associando aos nossos desígnios todas as almas que já se encontram no Céu, porque são intercessoras poderosas e cheias de generosidade. Maria Santíssima, nossa Mãe e Mãe de Deus, agradecerá todos esses nossos sufrágios, porque uma mãe – e que boa Mãe é ela! -, nunca se esquece de alguém que faz bem aos seus filhos.


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