7 de novembro de 2011

Coisas Práticas

COMO FAZER EXAME DE CONSCIÊNCIA

É frequente, entre os fiéis cristãos, ter uma ideia menos profunda, ou até mesmo superficial, sobre uma norma de piedade, o Exame de Consciência, que tanto tem sido recomendada pelos santos e pela Igreja ao longo dos séculos.
Convém, em primeiro lugar, conhecer bem o que ela é e da sua importância para a vida do cristão.
Não é o exame de consciência uma espécie de introspecção laica, ou seja, um deitar contas à vida para saber se estou a fazer o que devo, se há aspectos da minha vida que precisam de melhorar, se as minhas relações com os outros correm bem, etc. Estes temas serão abordados decerto no exame, mas com uma perspectiva diferente.
O exame de consciência cristão consiste, antes de mais, em pôr-se na presença de Deus, e, à luz do que a vontade de Deus me pede para eu fazer ou evitar, reflectir, ponderar, tirar conclusões, rectificar o que for necessário na minha conduta, saber pedir perdão se há motivo para tanto - e, recordemos, a propósito, Nosso Senhor, citando o “Livro dos Provérbios”, observa que “o justo peca sete vezes por dia” (Prov. 24,16) -, saber dar graças a Deus pela ajuda que ela nos prestou quando procedemos bem e, enfim, tirar algum propósito que vise sanar determinada imperfeição, a fim de melhora uma virtude ou combater um defeito.
No exame de consciência cristão o mentor principal da nossa “pesquisa” deve ser o Espírito Santo, para que, por Ele iluminados, vejamos com os olhos de Deus o que está bem ou está mal na nossa vida.
Esta tarefa deve ser diária e realizada a uma hora propícia para que a nossa razão, a nossa vontade e a nossa afectividade se encontrem em condições de exercitar as suas funções próprias. Por exemplo, tentar fazer este exame quando estamos toldados pelo sono e o cansaço do dia, pode ser uma tarefa muito difícil, apesar do nosso empenho. Reservá-lo para um momento mais calmo e mais consciente facilita a sua boa resolução. É uma questão de senso comum e também de respeito para com Deus, que quer que no exame nós sejamos um elemento activo e predisposto a ouvir e a pôr em prática tudo o que a sua luz nos mostrar.
Por outro lado, efectuá-lo a desoras ou em tempo impróprio para os efeitos que dele queremos tirar, é possível que manifeste, da nossa parte, uma vontade tíbia de conhecer-me bem com os olhos de Deus. E, facilmente, o acabamos de um modo defeituoso ou o abandonamos, porque ficamos sem perceber a sua eficácia.
Como fazer exame de consciência? Já se disse, a primeira condição é pôr-se na presença de Deus. Depois, pedir-Lhe com coragem que não tenhamos receio de descobrir as nossas dificuldades, as manifestações de egoísmo, de sensualidade, de preguiça, de orgulho, de desordem não combatida, enfim de tudo aquilo que me possa afastar d’Ele e do cumprimento do que Ele nos vai pedindo.
Como medida prática, podemos rever o que fizemos durante esse dia. Se nos dispomos a ser humildes, verificaremos com facilidade que numa ocasião fui egoísta, noutra fiz um juízo temerário sobre uma pessoa ou uma situação, que não fui generoso quando podia ter ajudado mais uma pessoa que me pedia qualquer favor, que tive respeitos humanos ao não dar uma opinião sobre um tema moral mal tratado por um colega, etc. Por vezes, para que o exame seja proveitoso, basta lançar sobre o nosso dia algumas perguntas, como: Fiz tudo bem, hoje? Podia ter feito melhor alguma coisa? O que ficou por fazer e podia ter feito? O que fiz e não devia ter feito? Etc.
Deixemo-nos penetrar por Deus. Que seja Ele de facto a conduzir o nosso exame, aceitando a luz que Ele nos der. E, por fim, façamos um propósito concreto – um ou mais, mas não muitos –, com o intuito de rever a nossa conduta. Façamo-lo, pedindo ao Senhor a sua ajuda para o cumprir. Que ele não parta apenas da nossa vontade, pois pode querer, num gesto de orgulho e auto-suficiência, conseguir atingir um objectivo sem a ajuda da graça de Deus. E aceitemos o amparo da nossa Mãe, Nossa Senhora, que nos ajudará a ser mais fiéis ao que o seu Filho nos pede.

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