30 de agosto de 2011

Do Pároco

Gostava de dizer S. Josemaria Escrivá que começar é de todos, mas acabar é de santos. Esta ideia diferencia de modo perfeito a primeira da última pedra. Quantas primeiras pedras não passaram disso: uma boa intenção que não frutificou, uma boa vontade que não foi perseverante, um projecto que encontrou o seu autor com os braços cruzados...

Este mês de Setembro, que ainda arrasta consigo a impressão tranquilizadora das nossas férias, é, uma vez mais, um ponto de partida para o ano de trabalho que nos espera e ao qual devemos enfrentar com a consciência cristã de que Deus não nos abandona.

Decerto que o acompanhamento divino e paternal, que o Senhor nos dá em todas as circunstâncias da nossa vida, fáceis ou difíceis, agradáveis ou inoportunas, pacíficas ou dolorosas, tem uma eminente função pedagógica. Deus ajuda-nos sempre, com a sua providência ordinária ou extraordinária, tendo em conta que o nosso destino não é esta terra.

Por vezes esquecemo-nos desta realidade. Olhamos para as coisas e para nós mesmos de um modo míope e provinciano, pensando e agindo como se a vida acabasse com a nossa morte corporal, ou, por outras palavras, como se o fim para que Deus nos criou não fosse a eternidade.

Vale a pena fazermos muitas vezes oração sobre este tema, examinando as nossas intenções e as orientações do nosso comportamento. Um cristão deve viver sempre acompanhado por Deus, com a consciência de que Ele nos segue a paripassu, não com qualquer intenção que iniba ou diminua a nossa liberdade, mas, pura e simplesmente, porque nos ama de uma forma insuspeitada. A sua presença – que podemos desprezar ou tentar ignorar – fica-se a dever ao seu amor – à Caridade, que Ele é por essência –, que gosta de estar connosco para nos socorrer nas dificuldades com que tropeçamos, sem dúvida, mas também porque quem é amigo sincero de uma pessoa, agrada-lhe estar com ela e com ela dialogar.

Nesta ordem de ideias, poderemos começar um novo ano de trabalho com o propósito firme de nos deixarmos acompanhar pelo nosso Deus, que nos ama muito mais e perfeitamente do que nós a nós mesmos. A qualidade do seu Amor não tem qualquer mancha de egoísmo, de segunda intenção ou de desejo de nos subjugar, ou seja, de imperfeição. O nosso, sim, pois com frequência tingimos o nosso amor com arroubos de egoísmo, de sensualidade, de amor-próprio desordenado e de desprezo ou, pelo menos, de desinteresse pela sorte dos outros, incluindo aqueles que são nossos próximos e a quem temos mais obrigação de acudir e de dialogar.

Deus conta com as nossas fraquezas. Aliás, é o seu melhor conhecedor, porque a sua sabedoria omnisciente é radical e absoluta. Tentar esconder de Deus qualquer recanto mais complexo das nossas intenções ou dos nossos actos é desconhecer que Deus conhece tudo com a máxima perfeição.

Mas não Se assusta com elas. Como bom amigo, tenta aconselhar-nos, tenta evitar que caiamos nas nossas fraquezas. Ou não é próprio de um amigo verdadeiro corrigir quem preza com o desejo de que a sua advertência o ajude a melhorar?

Não tenhamos medo de Deus. Não é um ser estranho e maldoso. Pelo contrário, apenas quer o nosso bem. E – não o esqueçamos – o nosso maior bem não é encarar a vida presente como definitiva e única. Deus reserva o melhor para os seus eleitos. Morrer, como observava também S. Josemaria, é mudar de casa para melhor. Confiemos, pois, em Deus, que nos deu a sua Mãe, Maria Santíssima, como nossa Mãe, e não nas imaginações estéreis da nossa soberba ou da nossa tibieza. E acostumemo-nos também, com a frequência necessária, a recorrermos ao Sacramento da Penitência, que Cristo instituiu, a fim de que as consequências dos pecados cometidos não assolem a nossa vida e nos deixem sem força para amarmos a Deus sobre todas as coisas, como nos diz o 1º Mandamento da Lei pensada para nós pelo nosso melhor Amigo.

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