10 de agosto de 2011

Do Pároco

Nossa Senhora da Porta do Céu, rogai por nós. Sempre que acabamos um mistério, quando rezamos o terço na nossa paróquia, dizemos esta jaculatória. É bom, quando o fazemos, pensar no que dizemos, porque o dizemos e a quem nos dirigimos.

Certamente que todas as nossas orações têm como fim o nosso Deus. No entanto, foi Ele mesmo que quis, por intermédio da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo, que as nossas conversas com Ele tivessem um intermediário privilegiado, que transportasse as nossas petições até ao seu seio e, depois, trouxesse até nós as graças que este diálogo produzia. Falamos, evidentemente, de Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças.

Conhecendo, como ninguém, a nossa natureza e a nossa sensibilidade, quis Jesus que a Sua e nossa Mãe desempenhasse esse papel e assumisse essa função, convencido de que o seu amor maternal, que tanto O ajudou a educar sob o ponto de vista humano, aproximaria de modo agradável os seus irmãos de Deus e Deus dos seus irmãos. Maria aceitou essa tarefa, pois nunca negou ao Filho a realização dum seu pedido. Ela sabe que o que Jesus lhe solicita é sempre o melhor em todas as circunstâncias e para todos os efeitos, porque o Amor de Jesus é o Amor de Deus, perfeitíssimo em si mesmo, como tudo o que Deus é e tudo o que Deus quer.

Efectivamente, não é difícil a um filho amar a sua mãe. Dela tanto dependeu e tantos foram os cuidados que dela recebeu, que no ditado “amor com amor se paga”, tem a certeza de que o seu amor para com ela é sempre muito menor do que o que ela tem para consigo. Antes de o filho saber o que era amar, já a sua mãe o amava, desde a concepção até ao momento em que ele, com inteligência e com vontade própria, pôde manifestar conscienciosamente que lhe estava imensamente reconhecido por tudo o que ela fez por ele com tanto e tanto amor.

As mães não esperam que os filhos as saibam amar com o mesmo tipo de amor com que elas os amam. Contentam-se com pouco, se compararmos o que elas lhes dão e o que eles lhes podem dar. Não estranham que isso aconteça, mas esperam, isso sim, que os filhos as tratem com a delicadeza e o respeito que devem a quem os trouxe ao mundo e os ajudou - como Nossa Senhora a Jesus, sob o ponto de vista humano -, a crescer, a compreender-se a si mesmo, a saber dialogar com os outros e com o mundo onde vive, a ganhar responsabilidade, ou seja, a tornar-se um ser humano honesto e honrado em todas as suas atitudes e relações.

A correspondência de um filho ao amor da sua mãe, decerto que não pode ser apenas formal e seco, porque se houve modelo de amor que ele aprendeu a observar, nas situações mais difíceis da sua vida, foi o da mãe. Provavelmente, ela não poderia resolver essas situações, mas a sua presença amorosa em tais momentos, foi, muitas vezes, o melhor fundamento da sua perseverança na luta e no seu desejo de conseguir superar esse obstáculo. Nem foram necessárias palavras: bastou um olhar, o estar presente para dar vigor ao seu ânimo.

Nós, católicos, temos a sorte de saber que Jesus pediu à sua Mãe para ser a nossa Mãe espiritual, isto é, aquela pessoa amorosa que, em todos os escolhos ou alegrias que a vida de relação com Deus e com os outros nos apresenta, nos manifeste o seu amparo, o seu aplauso e a sua exigência. A presença de Maria é, simultaneamente, um bálsamo que nos retempera as forças, e um acicate para nos comportarmos como bons filhos de Deus, sobretudo quando esta condição nos custa assumir.

Por isso, compreendemos que Nossa Senhora da Porta do Céu seja a boa Mãe que nos lembra constantemente o prémio eterno com a chave que nos mostra na sua mão. E, nos momentos de escuridão ou de mais dor e sofrimento, ela recorda-nos que nos entregará essa mesma chave, à porta da felicidade eterna, quando o Seu Filho Divino, vencidos os custos da nossa luta e do nosso sofrimento, nos chamar por fim e nos orientar, com amor infinito e infinita misericórdia, para o nosso destino celestial. Ao fim e ao cabo, a sua chave é como um lembrete duma boa Mãe: “Fico à tua espero, meu filho, até à hora a que aqui chegares”.

Imagem: Assunção de Nossa Senhora, Tela de Nicolas Poussin, séc. XVII, Museu do Louvre

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