10 de agosto de 2011

Coisas Práticas: O SINAL LITÚRGICO (IX): A Concelebração

"A concelebração, que manifesta bem a unidade do sacerdócio, tem sido prática constante até ao dia de hoje, quer no Oriente quer no Ocidente" (Concílio Vaticano II, SC 57). O modo de a realizar variou mas sempre se manteve quer na Missa da ordenação sacerdotal em que os recém-ordenados concelebram com o Bispo que os ordenou, quer na Missa Crismal, onde se consagram os Santos Óleos. Está actualmente indicado que se realize nesses dois momentos (bem como na bênção do abade) e recomendada para outros momentos (IGMR 199 e 203, cf., SC 57). Esta faculdade pode expandir-se com licença do Ordinário ("a quem compete julgar da oportunidade" (SC 57).

A Missa é sempre a mesma, celebrada por um ou concelebrada por muitos (nem mais nem menos), pois celebra-se “in persona Christi”. Daí que o Concílio Vaticano II insista que a razão de “concelebrar” é unicamente simbólica, para que este aspecto não seja ofuscado, perdendo o seu único sentido de sinal litúrgico. Talvez, por isso, para evitar o seu uso inadequado (ou empobrecedor), refere que deve ter a “licença do Ordinário” (SC 57) e só deve ocorrer "de vez em quando" (cf. PO 7: "aliquando"; não, portanto, como coisa habitual ou sistemática; ou por ser mais prático, etc.). Trata-se duma grandiosa "manifestação duma tríplice unidade" (IGMR 199):

a) a unicidade do Sacerdócio de Cristo participado pelos seus ministros é "oportunamente manifestada"(SC 57) na concelebração: sendo vários, é sempre Cristo Sacerdote Quem oferece; e fica patente a fraternidade sacerdotal que os une como consagrados para a missão.

b) a unicidade do Sacrifício de Cristo: uma única oferenda sobre o mesmo altar;

c) a unidade da Igreja na sua estrutura hierárquica. Os sacerdotes estarão no presbitério, rodeando o altar, revestidos dos paramentos da cor do dia, e pronunciando em simultâneo as palavras da consagração: "Isto é o meu Corpo... Este é o cálice do meu Sangue…". Visualiza-se assim a essencial diferença de participação do sacerdócio de Cristo naqueles que presidem – com o Bispo à cabeça: o sacerdócio ministerial; e nos restantes, que dele participam pelo carácter baptismal: o sacerdócio comum dos fiéis.

O sacerdote não deve concelebrar se assim o "exige ou aconselhe" a "utilidade dos fiéis" (CDC 902). Não o farão, por exemplo, para manter o horário de Missas mais adequadas aos fiéis, para facilitar o Sacramento da Reconciliação durante a celebração, por terem de celebrar outras Missas, ou por outros motivos, uma vez que "sempre deverá ser salvaguardada a possibilidade de celebrar individualmente" (CDC 902). Se estiver presente na concelebração, mas sem celebrar, está previsto poder participar revestido de batina e roquete (comungando, eventualmente, sob as duas espécies).

As celebrações com um número elevado de concelebrantes, serão sempre "de índole excepcional e limitadas a situações extraordinárias" (Bento XVI, Sacramentum caritatis 61) e deve evitar-se que se crie "dispersão". A experiência demonstra que "podem verificar-se problemas quanto à expressão sensível da unidade do presbitério". Será difícil estarem todos próximos do altar, com os mesmos paramentos, coordenando gestos e palavras, etc. O que pode também não gerar as melhores condições para a atenção e piedade dos concelebrantes.

Nalguns casos, uma possibilidade seria só concelebrarem alguns em representação dos presentes. Por exemplo, correspondendo às diferentes origens geográficas.

SC – Sacrosanctum Concilium, Concílio Vaticano II; PO – Presbiterorum Ordinis, Concílio Vaticano II; IGMR – Instrução Geral do Missal Romano; CDC – Código de Direito Canónico

Sem comentários:

Enviar um comentário