30 de agosto de 2011

Do Pároco

Gostava de dizer S. Josemaria Escrivá que começar é de todos, mas acabar é de santos. Esta ideia diferencia de modo perfeito a primeira da última pedra. Quantas primeiras pedras não passaram disso: uma boa intenção que não frutificou, uma boa vontade que não foi perseverante, um projecto que encontrou o seu autor com os braços cruzados...

Este mês de Setembro, que ainda arrasta consigo a impressão tranquilizadora das nossas férias, é, uma vez mais, um ponto de partida para o ano de trabalho que nos espera e ao qual devemos enfrentar com a consciência cristã de que Deus não nos abandona.

Decerto que o acompanhamento divino e paternal, que o Senhor nos dá em todas as circunstâncias da nossa vida, fáceis ou difíceis, agradáveis ou inoportunas, pacíficas ou dolorosas, tem uma eminente função pedagógica. Deus ajuda-nos sempre, com a sua providência ordinária ou extraordinária, tendo em conta que o nosso destino não é esta terra.

Por vezes esquecemo-nos desta realidade. Olhamos para as coisas e para nós mesmos de um modo míope e provinciano, pensando e agindo como se a vida acabasse com a nossa morte corporal, ou, por outras palavras, como se o fim para que Deus nos criou não fosse a eternidade.

Vale a pena fazermos muitas vezes oração sobre este tema, examinando as nossas intenções e as orientações do nosso comportamento. Um cristão deve viver sempre acompanhado por Deus, com a consciência de que Ele nos segue a paripassu, não com qualquer intenção que iniba ou diminua a nossa liberdade, mas, pura e simplesmente, porque nos ama de uma forma insuspeitada. A sua presença – que podemos desprezar ou tentar ignorar – fica-se a dever ao seu amor – à Caridade, que Ele é por essência –, que gosta de estar connosco para nos socorrer nas dificuldades com que tropeçamos, sem dúvida, mas também porque quem é amigo sincero de uma pessoa, agrada-lhe estar com ela e com ela dialogar.

Nesta ordem de ideias, poderemos começar um novo ano de trabalho com o propósito firme de nos deixarmos acompanhar pelo nosso Deus, que nos ama muito mais e perfeitamente do que nós a nós mesmos. A qualidade do seu Amor não tem qualquer mancha de egoísmo, de segunda intenção ou de desejo de nos subjugar, ou seja, de imperfeição. O nosso, sim, pois com frequência tingimos o nosso amor com arroubos de egoísmo, de sensualidade, de amor-próprio desordenado e de desprezo ou, pelo menos, de desinteresse pela sorte dos outros, incluindo aqueles que são nossos próximos e a quem temos mais obrigação de acudir e de dialogar.

Deus conta com as nossas fraquezas. Aliás, é o seu melhor conhecedor, porque a sua sabedoria omnisciente é radical e absoluta. Tentar esconder de Deus qualquer recanto mais complexo das nossas intenções ou dos nossos actos é desconhecer que Deus conhece tudo com a máxima perfeição.

Mas não Se assusta com elas. Como bom amigo, tenta aconselhar-nos, tenta evitar que caiamos nas nossas fraquezas. Ou não é próprio de um amigo verdadeiro corrigir quem preza com o desejo de que a sua advertência o ajude a melhorar?

Não tenhamos medo de Deus. Não é um ser estranho e maldoso. Pelo contrário, apenas quer o nosso bem. E – não o esqueçamos – o nosso maior bem não é encarar a vida presente como definitiva e única. Deus reserva o melhor para os seus eleitos. Morrer, como observava também S. Josemaria, é mudar de casa para melhor. Confiemos, pois, em Deus, que nos deu a sua Mãe, Maria Santíssima, como nossa Mãe, e não nas imaginações estéreis da nossa soberba ou da nossa tibieza. E acostumemo-nos também, com a frequência necessária, a recorrermos ao Sacramento da Penitência, que Cristo instituiu, a fim de que as consequências dos pecados cometidos não assolem a nossa vida e nos deixem sem força para amarmos a Deus sobre todas as coisas, como nos diz o 1º Mandamento da Lei pensada para nós pelo nosso melhor Amigo.

Calendário litúrgico para o mês de Setembro de 2011

Dia do Mês Dia Sem Celebração

01 5ª F. Sta Beatriz da Silva, Virgem, Memória Obrigatória

03 Sáb.. S. Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja, Memória Obrigatória

04 Dom. XXIII Domingo do Tempo Comum

08 5ª F. Natividade da Virgem Santa Maria, Festa

11 Dom. XXIV Domingo do Tempo Comum

12 2ª F. Santíssimo Nome de Maria, Memória Facultativa

13 3ª F. S. João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja, Memória Obrigatória

14 4ª F. Exaltação da Santa Cruz, Festa

15 5ª F. Nossa Senhora das Dores; Memória Obrigatória

18 Dom. XXV Domingo do Tempo Comum

21 4ª F. S. Mateus, Apóstolo e Evangelista, Festa

23 6ª F. S. Pio de Pietrelcina, Presbítero, Memória

Facultativa

25 Dom XXVI Domingo do Tempo Comum

27 3ª F. S. Vicente de Paulo, Presbítero, Memória

Obrigatória

29 5ª F. S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael, Arcanjos, Festa

30 6ª F. S. Jerónimo, Presbítero e Doutor da Igreja, Memória Obrigatória

DO TESOURO DA IGREJA

A Cruz é a glória e a exaltação de Cristo (*)

Celebramos a festa da Santa Cruz, que dissipou as trevas e nos restituiu a luz. Celebramos a festa da santa cruz, e juntamente com o Crucificado somos elevados para o alto, para que, deixando o terror do pecado, alcancemos os bens celestes. Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo-a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.

Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes da imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo , não teria sido rasgada a sentença e condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.

Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! Grande, porque é a origem de bens inumeráveis, tanto mais excelentes quanto maior é o mérito que lhes advém dos milagres e dos sofrimentos de Cristo. Preciosa, porque a cruz é simultaneamente o patíbulo o troféu de Deus; o patíbulo, porque nela sofreu a morte voluntariamente; e o troféu, porque nela foi mortalmente ferido o demónio, e com ele foi vencida a morte. E, deste modo, destruídas as portas do inferno, a cruz converteu-se em fonte de salvação para todo o mundo.

A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo! A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo o que Ele sofreu por nós. Para te convenceres de que a cruz é a glória de Cristo, ouve o que Ele mesmo diz: Agora foi glorificado o Filho do Homem e Deus foi glorificado n’Ele e em breve O glorificará. E também: Glorifica-Me, ó Pai, com a glória que tinha junto de Ti, antes de o mundo existir. E noutra passagem: ‘Eu O glorificarei e, de novo, O glorificarei?.

E também para saberes que a cruz é a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo. ........................................

(*) Dos Sermões de St. André de Creta, bispo. Sermão 10, na Festa da Exaltação da Santa Cruz

Curso para Noivos

Organizado pela nossa paróquia, de colaboração com CENOFA, realiza-se no fim-de-semana de Sábado, 8 e Domingo, 9 deste mês, um Curso para Noivos. Inscrições e informações na Secretaria Paroquial.

CATEQUESE DE 2011/2012 NA NOSSA PARÓQUIA

Inscrições para todas as modalidades: em aberto desde de 5 de Julho, 3ª Feira, na Secretaria.

a) De crianças

Começo das Aulas: Semana que se inicia na 2ª Feira, 10 de Outubro

Horários:

Raparigas: 5ªs Feiras, 17.45h; Domingos: 11.00h Rapazes: 3ªs Feiras, 17.45h; Sábados: 11.00h

FESTAS DA CATEQUESE:

1. PAI NOSSO – Domingo, 20 de Maio de 2012, Missa das 10,00h

2. PROFISSÃO DE FÉ: Domingo, 27 de Maio de 2012, Missa das 10.00h;

3. PRIMEIRA COMUNHÃO: Raparigas – Domingo, 3 de Junho de 2012, Missa das 10.0h Rapazes – 5ª Feira, 7 de Junho de 2012 (Corpo de Deus), Missa das 10.00h

OUTRAS FESTAS DA CATEQUESE:

1. CRISMA OU CONFIRMAÇÃO: Cfr. esta secção b) 2.

2. OUTRAS: A anunciar no princípio do Ano Catequético

b) De adultos

1. Catecúmenos: as Aulas começam a 4 de Outubro, 3ª Feira – 19.15h; Celebração dos Sacramentos da Iniciação Cristã: Vigília Pascal, 21.30h, Sáb., 7 de Abril de 2012,

2. Preparação para o Crisma: as Aulas começam a 13 de Outubro, 5ª Feira – 19.15h. Administração do Sacramento do Crisma: Sáb, 19 de Maio de 2012, 16.00h . Presidirá Sua Excelência Reverendíssima, D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa.

3. Teologia para todos: Orientação: P. João Campos. As aulas começam a 20/10, 5ª Feira. Ritmo: Mensal: Terceiras 5ªs Feiras, 19.30h ou 21.30h, entre Outubro de 2011 e Junho de 2012. Temática: Celebração do Mistério Cristão – Os Sacramentos. Os assuntos serão focados de modo a responder às interrogações da cultura contemporânea.

Obs. – Na primeira aulas destes cursos serão apresentados os horários e os temas mais pormenorizadamente.

MISSAS NA PARÓQUIA DURANTE O MÊS DE SETEMBRO

HORÁRIO DE MISSAS NA IGREJA PAROQUIAL DE TELHEIRAS (NOSSA SENHORA DA PORTA DO CÉU) DURANTE O MÊS DE SETEMBRO DE 2011.

a) Domingos - 10.00h, 12.00h e 19.00h

b) Até dia 10, Sábado - de 2ª Feira a Sábado: 18.30h;

c) A partir de dia 12, 2ª Feira: de 2ª Feira a 6ª Feira: 12.15h e 18.30h; Sábados: 18.30h

Obs – Os Horários de Missas expostos em a) e c) manter-se-ão em vigor até 30 de Junho de 2012, Sábado, salvo alguma indicação em contrário ou pontual.

HORÁRIO DE MISSAS NOUTROS LUGARES DE CULTO SITUADOS NO TERRITÓRIO DA PARÓQUIA DE TELHEIRAS:

a) Clínica Psiquiátrica de S. José – Irmãs Hospitaleiras do S.C.J: (Azinhaga da Torre do Fato, n. 8, Tel.: 217125110) – De 2º Feira a Sábado: 17.30h; Domingos: 10.00h.

b) Lar Maria Droste – Irmãs do Bom Pastor: (Tv. da Luz, 2, Tel.: 217140086) – De 2º Feira a Sábado: 7.30h, (excepção: 5ªs Feiras, 19.30h); Domingos: 8.30h.

c) Colégio Planalto (R. Armindo Rodrigues, n. 11 – Alto da Faia, Tel. 217541530) – De 2ª Feira a 6ª Feira: 7.50h. Esta Missa só é celebrada durante o ano escolar, com excepção dos períodos de férias e dias feriados. Neste mês, começa a ser celebrada no dia 12, 2ª Feira.

Obs – É conveniente, se durante algum tempo não frequentar regularmente uma destas Missas, telefonar antes a confirmar o horário.

RECOLECÇÕES MENSAIS EM SETEMBRO 2011

Senhoras: 5ª Feira, Dia 08 - 19.15h, Igreja Homens: 2ª Feira, Dia 19 - 19.15h, Igreja

AGRUPAMENTO DO CNE Nº 683 DE TELHEIRAS

Mês de Setembro recomeço das actividades habituais do Agrupamento. Assim:

Dia 02, 6ª Feira: Conselho de Agrupamento: definição do plano de actividades;

Dia 10, Sábado: Reinício de actividades – arrumações;

Dia 17, Sábado: Abertura oficial – cerimónia de passagem de Secção e Bênção do ano.

DAR A QUEM NECESSITA

Agradecemos, como sempre, a generosidade dos paroquianos. Graças a ela, muitas famílias carecidas têm recebido o nosso apoio. No entanto, recordamos que vivemos um tempo difícil e as dificuldades têm-se agravado. Contamos com a vossa ajuda em dinheiro, géneros alimentícios e roupa. Neste momento, há mais necessidade das duas primeiras modalidades

COISAS PRÁTICAS

Para tirar mais fruto na celebração eucarística:“Condições pessoais para uma participação activa” - (Bento XVI, Exort. Apost. Sacramento da Caridade, n. 55)

Ao considerarem o tema da participação activa (actuosa participatio) dos fiéis no rito sagrado, os padres sinodais ressaltaram também as condições pessoais que se requerem em cada um para uma frutuosa participação. (1) Uma delas é, sem dúvida, o espírito de constante conversão que deve caracterizar a vida de todos os fiéis: não podemos esperar uma participação activa na liturgia eucarística, se nos abeiramos dela superficialmente e sem antes nos interrogarmos sobre a própria vida. Favorecem tal disposição interior, por exemplo, o recolhimento e o silêncio durante alguns momentos pelo menos antes do início da liturgia, o jejum e — quando for preciso — a confissão sacramental; um coração reconciliado com Deus predispõe para a verdadeira participação. De modo particular é preciso alertar os fiéis que não se pode verificar uma participação activa nos santos mistérios, se ao mesmo tempo não se procura tomar parte activa na vida eclesial em toda a sua amplitude, incluindo o compromisso missionário de levar o amor de Cristo para o meio da sociedade.

Sem dúvida, para a plena participação na Eucaristia é preciso também aproximar-se pessoalmente do altar para receber a comunhão; (2) contudo é preciso estar atento para que esta afirmação, justa em si mesma, não induza os fiéis a um certo automatismo, levando-os a pensar que, pelo simples facto de se encontrar na igreja durante a liturgia, se tenha o direito ou mesmo — quem sabe — se sinta no dever de aproximar-se da mesa eucarística. Mesmo quando não for possível abeirar-se da comunhão sacramental, a participação na Santa Missa permanece necessária, válida, significativa e frutuosa; neste caso, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II (3) e recomendada por santos mestres de vida espiritual. (4) ......................................................................... (1) Cf. Propositio 35; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 11: “Mas, para assegurar esta plena eficácia é necessário que os fiéis se aproximem da sagrada Liturgia com recta disposição de ânimo, ponham a sua alma em consonância com a voz e colaborem com a graça divina, para não a receberem em vão.”

(2) Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1388; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 55.

(3) Cf. Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 34: AAS 95 (2003), 456: “Por isso mesmo, é conveniente cultivar continuamente na alma o desejo do sacramento da Eucaristia. Daqui nasceu a prática da «comunhão espiritual» em uso na Igreja há séculos, recomendada por santos mestres de vida espiritual. Escrevia S. Teresa de Jesus: «Quando não comungais e não participais na Missa, comungai espiritualmente, porque é muito vantajoso. (...) Deste modo, imprime-se em vós muito do amor de nosso Senhor». (Caminho de perfeição, c. 35)”

(4) Assim, por exemplo, São Tomás de Aquino, Summa Theologiæ, III, q. 80, a. 1, 2 [Nota: explica-se que se trata de «receber espiritualmente o sacramento»: e que, quem não está impedido, «recebe o efeito do sacramento, pelo qual se une a Cristo pela fé e pela caridade»] ;e Santa Teresa de Jesus, Caminho de perfeição, cap. 35. A doutrina foi confirmada autorizadamente pelo Concílio de Trento, Sessão XIII, cân. 8.

Funcionamento da Paróquia em Setembro de 2010

  1. Abertura da Igreja:

1) Durante a semana até Sábado, dia 10 De 2ª Feira a Sábado: 16.00h-19.30h

A partir de 2ª Feira, dia 12 - De 2ª Feira a Sábado: 11.00h-13.00h;16.00h-19.30h

2) Domingos e Dias Santos de Preceito: 9.30h13.00h; 17.00h-20.00h

b) Horário de Missas:

1) Durante a semana, até Sábado, dia 10 – De 2ª Feira a Sábado: 18.30h

A partir de 2ª Feira, dia 12 - De 2ª a Feira a 6ª Feira: 12.15h e 18.30h; Sábados: 18.30h

2) Domingos e Dias Santos de Preceito: 10.00h, 12.00h e 19.00h

Obs – Meia hora antes das Missas da tarde, reza-se o Terço, havendo à 5ª Feira Exposição

e Bênção com o Santíssimo Sacramento.

  1. Atendimento de Secretaria:

3º Feira a 6ª Feira: 16.30h-18.00h

d) Confissões:

Sempre que a Igreja se encontre aberta e alguém o solicitar. No caso de não se encontrar nenhum sacerdote no confessionário, dirija-se à Secretaria e solicite a sua presença. No próximo mês, forneceremos os horários de confissões dos diversos sacerdotes.

10 de agosto de 2011

Do Pároco

Nossa Senhora da Porta do Céu, rogai por nós. Sempre que acabamos um mistério, quando rezamos o terço na nossa paróquia, dizemos esta jaculatória. É bom, quando o fazemos, pensar no que dizemos, porque o dizemos e a quem nos dirigimos.

Certamente que todas as nossas orações têm como fim o nosso Deus. No entanto, foi Ele mesmo que quis, por intermédio da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo, que as nossas conversas com Ele tivessem um intermediário privilegiado, que transportasse as nossas petições até ao seu seio e, depois, trouxesse até nós as graças que este diálogo produzia. Falamos, evidentemente, de Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças.

Conhecendo, como ninguém, a nossa natureza e a nossa sensibilidade, quis Jesus que a Sua e nossa Mãe desempenhasse esse papel e assumisse essa função, convencido de que o seu amor maternal, que tanto O ajudou a educar sob o ponto de vista humano, aproximaria de modo agradável os seus irmãos de Deus e Deus dos seus irmãos. Maria aceitou essa tarefa, pois nunca negou ao Filho a realização dum seu pedido. Ela sabe que o que Jesus lhe solicita é sempre o melhor em todas as circunstâncias e para todos os efeitos, porque o Amor de Jesus é o Amor de Deus, perfeitíssimo em si mesmo, como tudo o que Deus é e tudo o que Deus quer.

Efectivamente, não é difícil a um filho amar a sua mãe. Dela tanto dependeu e tantos foram os cuidados que dela recebeu, que no ditado “amor com amor se paga”, tem a certeza de que o seu amor para com ela é sempre muito menor do que o que ela tem para consigo. Antes de o filho saber o que era amar, já a sua mãe o amava, desde a concepção até ao momento em que ele, com inteligência e com vontade própria, pôde manifestar conscienciosamente que lhe estava imensamente reconhecido por tudo o que ela fez por ele com tanto e tanto amor.

As mães não esperam que os filhos as saibam amar com o mesmo tipo de amor com que elas os amam. Contentam-se com pouco, se compararmos o que elas lhes dão e o que eles lhes podem dar. Não estranham que isso aconteça, mas esperam, isso sim, que os filhos as tratem com a delicadeza e o respeito que devem a quem os trouxe ao mundo e os ajudou - como Nossa Senhora a Jesus, sob o ponto de vista humano -, a crescer, a compreender-se a si mesmo, a saber dialogar com os outros e com o mundo onde vive, a ganhar responsabilidade, ou seja, a tornar-se um ser humano honesto e honrado em todas as suas atitudes e relações.

A correspondência de um filho ao amor da sua mãe, decerto que não pode ser apenas formal e seco, porque se houve modelo de amor que ele aprendeu a observar, nas situações mais difíceis da sua vida, foi o da mãe. Provavelmente, ela não poderia resolver essas situações, mas a sua presença amorosa em tais momentos, foi, muitas vezes, o melhor fundamento da sua perseverança na luta e no seu desejo de conseguir superar esse obstáculo. Nem foram necessárias palavras: bastou um olhar, o estar presente para dar vigor ao seu ânimo.

Nós, católicos, temos a sorte de saber que Jesus pediu à sua Mãe para ser a nossa Mãe espiritual, isto é, aquela pessoa amorosa que, em todos os escolhos ou alegrias que a vida de relação com Deus e com os outros nos apresenta, nos manifeste o seu amparo, o seu aplauso e a sua exigência. A presença de Maria é, simultaneamente, um bálsamo que nos retempera as forças, e um acicate para nos comportarmos como bons filhos de Deus, sobretudo quando esta condição nos custa assumir.

Por isso, compreendemos que Nossa Senhora da Porta do Céu seja a boa Mãe que nos lembra constantemente o prémio eterno com a chave que nos mostra na sua mão. E, nos momentos de escuridão ou de mais dor e sofrimento, ela recorda-nos que nos entregará essa mesma chave, à porta da felicidade eterna, quando o Seu Filho Divino, vencidos os custos da nossa luta e do nosso sofrimento, nos chamar por fim e nos orientar, com amor infinito e infinita misericórdia, para o nosso destino celestial. Ao fim e ao cabo, a sua chave é como um lembrete duma boa Mãe: “Fico à tua espero, meu filho, até à hora a que aqui chegares”.

Imagem: Assunção de Nossa Senhora, Tela de Nicolas Poussin, séc. XVII, Museu do Louvre

Calendário litúrgico para o mês de Agosto de 2011

Dia do Mês Dia Sem Celebração

01 2ª F. S. Afonso Mª Ligório, Bispo e Doutor da Igreja; Memória Obrigatória

04 5ª F. S. João Maria Vianey, Presbítero, Memória Obrigatória

05 6ª F. Dedicação a Basílica de Sta Maria Maior, Memória Facultativa

06 Sáb.. Transfiguração do Senhor, Festa

07 Dom XIX Domingo do Tempo Comum

08 2ªF. S. Domingos, Presbítero, Memória Obrigatória

09 3ª F. Sta Teresa Benedita da Cruz, Virgem e Mártir, Padroeira da Europa, Festa

10 4ª F. S. Lourenço, Diácono e Mártir, Festa

11 5ª F. Sta Clara, Virgem, Memória Obrigatória

14 Dom XX Domingo do Tempo Comum (1)

15 2ª F. ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA, SOLENIDADE (2)

20 Sáb. S. Bernardo, Abade e Doutor da Igreja, Memória Obrigatória

21 Dom XXI Domingo do Tempo Comum

22 2ª F. Virgem Santa Maria, Rainha, Memória Obrigatória

24 4ª F. S. Bartolomeu, Apóstolo, Festa

25 5º F. S. Luís, Rei de França. Memória Facultativa

27 Sáb. Sta Mónica, Memória Obrigatória

28 Dom XXII Domingo do Tempo Comum

29 2ª F. Martírio de S. João Baptista, Memória Obrigatória

..............................................................................................................................................

(1) Peditório Consignado pela Conferência Episcopal Portuguesa para a Emigração. Dia Santo de Guarda

(2) Dia Santo de Guarda.

DO TESOURO DA IGREJA:

Sobre a Assunção de Nossa Senhora: Constituição apostólica Magnifentissimus Deus, do Papa Pio XII (AAS 42 (1950) 760-762.767-769).

Os santos Padres e os grandes Doutores da Igreja, nas homilias e sermões dirigidos ao povo na solenidade da assunção da Mãe de Deus, falaram deste facto como já conhecido e aceite pelos fiéis; expuseram-nos com mais clareza e explicaram profundamente o sentido desta festa, procurando esclarecer que o objecto da festa não era apenas a incorrupção do corpo mortal da bem-aventurada Virgem Maria, mas também o seu triunfo sobre a morte e a glorificação celeste à semelhança de Jesus Cristo, seu Filho Unigénito.

Assim S. João Damasceno, que entre todos se distinguiu como testemunha exímia desta tradição, considerando a assunção corporal da Santa Mãe de Deus à luz dos seus outros privilégios, exclama com vigorosa clemência: “Era necessário que Aquela que no parto tinha conservada ilesa a sua virgindade conservasse também, sem nenhuma corrupção, o seu corpo depois da morte. Era necessário que Aquela que trouxera no seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabernáculos. Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste. Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada da dor de que tinha sido preservada ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus”.

S. Germano de Constantinopla afirmava que a incorrupção e a assunção do corpo da Virgem Mãe de Deus condiziam não só com a maternidade divina, mas também com a peculiar santidade desse corpo virginal: “Vós, como está escrito, apareceis em beleza; e o vosso corpo virginal todo ele é santo, todo ele é casto, todo ele morada de Deus, de modo que, até por este motivo, ficou isento de ser reduzido ao pó da terra; foi, sim transformado, enquanto era humano, para a vida excelsa da incorruptibilidade; mas é o mesmo, vivo e gloriosíssimo, incólume e participante da vida perfeita”.

(...) Todos estes argumentos e considerações dos Santos Padres têm como último fundamento a Sagrada Escritura, que nos apresenta a santa Mãe de Deus estreitamente unida ao seu divino Filho e sempre participante da sua sorte.

Acima de tudo deve recordar-se que, desde o século II, a Virgem Maria é apresentada pelos Santos Padres como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem estreitamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi preanunciado no Protoevangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte, que o Apóstolo das gentes sempre anuncia nos seus escritos. Por isso, também como a gloriosa ressurreição de Cristo foi uma parte essencial e o último troféu desta vitória, também para a Santíssima Virgem Maria a luta comum com a do seu Filho havia de completar-se com a glorificação do corpo virginal, segundo as afirmações do Apóstolo: Quando este corpo mortal se revestir de imortalidade, então se realizará a palavra das Escrituras: Á morte foi absorvida pela vitória.

Assim a augusta Mãe de Deus, unida de modo misterioso a Jesus Cristo desde toda a eternidade pelo mesmo e único decreto de predestinação, imaculada desde a sua concepção, sempre virgem na sua divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que triunfou plenamente sobre o pecado e suas consequências, como suprema coroa dos seus privilégios foi por fim preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte como seu Filho, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde resplandece como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos.