4 de julho de 2011

COISAS PRÁTICAS: O SINAL LITÚRGICO (VIII): Os lugares de culto e pessoas, símbolos da Igreja

O edifício da "igreja" simboliza a Igreja universal, presente nos que nela se reúnem para o culto e a adoração de Deus. Tudo culmina na Eucaristia, «fonte e cume de toda a vida cristã» (LG11): o sacrifício redentor de Cristo – que é único, realizado uma vez por todas - é tornado presente no sacrifício eucarístico da Igreja.

O “altar”, onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais. Sobre o altar ou em torno dele, estará uma cruz com a imagem do Cristo crucificado (cf. IGMR 117). É o centro à volta do qual a Igreja se reúne na celebração da Eucaristia. Representa os dois aspectos dum mesmo mistério: o “altar do sacrifício” e a “mesa do Senhor”. É o símbolo do próprio Cristo, presente no meio da assembleia dos seus fiéis, ao mesmo tempo como vítima oferecida para a nossa reconciliação e como alimento celeste que se nos dá (cf. CIC 1383).

A missão de salvação, confiada pelo Pai ao seu Filho encarnado, é confiada aos Apóstolos e, por eles, aos seus sucessores; eles recebem o Espírito de Jesus para agirem em seu nome e na sua pessoa (cf. CIC 1120).

Fica assim determinada por Cristo a existência do sacerdócio ministerial ou hierárquico: uns especiais "servidores" de todos, escolhidos e consagrados pelo sacramento da Ordem, pelo qual o Espírito Santo os torna aptos para agirem na pessoa de Cristo-Cabeça ao serviço de todos os membros da Igreja (PO 2; cf. CIC 1142).

Os dois modos de participar do único sacerdócio de Cristo – através dos sacramentos do Baptismo, do Crisma, e da Ordem – estruturam a Igreja e, por isso, também o ambiente litúrgico.

Esta diversidade de funções e ministérios leva à divisão básica do espaço da igreja em "nave" ( a zona dos bancos) e "presbitério" (à volta do altar, onde se movem os "presbíteros" ou sacerdotes e os que os ajudam).

À cabeça da assembleia eucarística está o próprio Cristo, que é o actor principal da Eucaristia. Ele é o Sumo-Sacerdote da Nova Aliança. É Ele próprio que preside invisivelmente a toda a celebração eucarística. E é em representação d'Ele (agindo «in persona Christi capitis – na pessoa de Cristo-Cabeça»), que o bispo ou o presbítero preside à assembleia (cf. CIC 1348).

Assim o "bispo" é sinal de Cristo Cabeça, Sumo Sacerdote, Pastor do rebanho; o "presbítero", também representante de Cristo Cabeça, está subordinado ao bispo e é seu colaborador; o "diácono" serve o Bispo no altar. «Também os acólitos, os leitores, os comentadores e os membros do coro desempenham um verdadeiro ministério litúrgico» (SC 29). E todos têm a sua parte activa na celebração, cada qual a seu modo: também todo o povo todo o povo cujo “Ámen” manifesta essa participação (cf. CIC 1348).

A “cadeira” (cátedra) é onde o bispo celebrante (ou o sacerdote), como imagem de Cristo entre os seus, preside às celebrações com solenidade.

O “ambão” é o centro da Liturgia da Palavra, pois «a dignidade da Palavra de Deus requer na igreja um lugar próprio para a sua proclamação» (IGMR 272).

O “sacrário”deve ser situado, «nas igrejas, num dos lugares mais dignos, com a maior honra» (IGMR 259). A nobreza, o arranjo e a segurança do tabernáculo eucarístico (SC 128) devem favorecer a adoração do Senhor, realmente presente no Santíssimo Sacramento do altar (cf. CIC 1183), facilitando que se prolongue por todo o dia. A “Lâmpada do Santíssimo”, sempre acesa a indicar a divina presença, permite distinguir onde está o sacrário mal se entra numa igreja.

A Cruz deve estar exposta à veneração dos fiéis no retábulo ou no presbitério. "A Cruz é a manifestação enternecedora do acto de amor infinito, com que o Filho de Deus salvou o homem e o mundo do pecado e da morte. Por isso, o sinal da Cruz é o gesto fundamental da nossa oração, da prece do cristão. Fazer o sinal da Cruz, (…) significa pronunciar um sim visível e público Àquele que morreu por nós e que ressuscitou, ao Deus que na humildade e da debilidade do seu amor é o Omnipotente, mais vigoroso que todo o poder e inteligência do mundo" (Bento XVI, 11-5-2005).

O "baptistério" é o lugar onde, pela água e pelo Espírito Santo, nascem os cristãos. Pelo Baptismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão (cf. CIC 1213). A pia baptismal é sinal que lembra o dom recebido e a necessidade de corresponder com agradecimento aos compromissos assumidos. O sacramental da água benta, nas "pias" à entrada da igreja, evoca o mesmo momento baptismal, bem como o gesto do traçar da cruz.

O "confessionário" é o lugar próprio para a celebração do sacramento da Penitência. É sinal patente de que a Igreja, sendo santa e povo sacerdotal, está composta de pecadores que não ocultam a necessidade do perdão e da graça que Cristo confiou à sua Igreja. Se nos disse para sermos santos – "sede perfeitos como o vosso Pai celestial é perfeito" (Mt 7, 48) – também nos disse que só “por Ele, com Ele e nEle" seremos capazes de o ser –"Sem Mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5).

Fora da igreja encontra-se o "cemitério". O próprio nome, que significa "dormitório", é sinal da fé da Igreja em que .um dia, “acordarão”, na ressurreição dos mortos, que terá lugar quando chegue o triunfo final de Cristo no fim do mundo. Evoca o sentido de respeito a ter pelos corpos dos defuntos.

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LG – Lumen Gentium, C. Vaticano II; CIC – Catecismo da Igreja Católica; PO – Presbiterorum Ordinis; SC – Sacrossanctum Concilium; IGMR – Instrucção Geral do Missal Romano.

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