6 de junho de 2011

COISAS PRÁTICAS: SINAIS LITÚRGICOS (VII)

Instrumentos de unidade (o Latim e o Canto gregoriano)

Latim

O Concílio Vaticano II determinou que se deve conservar o uso do latim nos ritos romanos [1] . E, ao mesmo tempo, que estabelecia o maior uso das diferentes línguas [2] determinava: "Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, também em latim, as partes do Ordinário da Missa que lhes correspondem" [3].

Na estadia do Papa Bento XVI sentimos a falta de que todos soubessem responder nas celebrações aos diálogos em latim e, na medida das capacidades canoras de cada um, acompanhar o canto gregoriano. Teria sido uma grande ajuda para melhor participar.

O Missal Romano assinala a conveniência de que se saiba cantar os diálogos porque "é cada dia mais frequente o encontro de fiéis de diversas nacionalidades" [4]. Com a facilidade de deslocação a Roma e a países de línguas para nós estranhas, aumenta a probabilidade de se encontrar numa celebração de dimensão internacional onde se use a língua comum, familiar a todos. Assim acontece, por exemplo, em qualquer grande santuário mariano - como em Fátima – em que é frequente estarem cristãos de todo o mundo.

A comunhão da Igreja sobressai pois "todas as vezes que os fiéis rezam unidos e em comum, manifestam simultaneamente a múltipla variedade de um povo reunido ‘de todas as tribos línguas e nações, e a sua unidade na fé e na caridade. (...) Na verdade, a unidade na fé exprime-se e manifesta-se de um modo sensível, através do uso da língua latina e do canto gregoriano” [5].

A conveniência de manter e fomentar o uso do latim na Liturgia deve-se, portanto, a que sempre a que foi e é um instrumento de unidade. A língua latina é de certa forma universal pois transcende os confins nacionais de tal forma que a Santa Sé – nos escritos e actos que realiza para toda a Família Católica – a tem utilizado de forma estável até aos nossos dias [6].

Nessa língua tivemos há pouco oportunidade de ouvir o Papa Bento XVI proclamar beato a João Paulo II, num acto transmitido e seguido em todo o mundo.

Canto Gregoriano

Como fruto do Ano da Eucaristia e do Sínodo, o Papa Bento XVI lembrou o lugar de destaque do canto litúrgico: “Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um património de fé e amor que não se deve perder. (…) Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana [7].”

Já João Paulo II tinha escrito: «Entre as expressões musicais que mais correspondem à qualidade requerida pela noção de música sacra, particularmente a litúrgica, o canto gregoriano ocupa um lugar particular. O Concílio Vaticano II reconhece-o como "canto próprio da liturgia romana" (...). São Pio X sublinhava que a Igreja "o herdou dos antigos Padres", "guardando-o zelosamente durante os séculos nos seus códices litúrgicos" e ainda hoje o "propõe aos fiéis" como seu (...). O canto gregoriano, portanto, continua a ser também, hoje, um elemento de unidade na liturgia romana. [8]»

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[1] Concilio Vaticano II, Const. «Sacrosanctum Concilium», 36, § 1: «Linguæ latinæ usus, salvo particulari iure, in Ritibus latinis servetur». [2] Cf. ibidem, 36 e 54. [3] Cf. ibidem, 54. [4] Cf. «Institutio Generalis Missalis Romani», n. 19. [5] Cf. Carta Congregação para o Culto divino, Carta «Iubilate Deo», 14-IV-1974.[6] Cf. João Paulo II, Discurso, 27-XI-1978. [7] Cf. Bento XVI, Exort. Apostólica «Sacramentum Caritatis», 42; também, Instrução Geral do Missal Romano, 39-41; Vat. II, «Sacrosanctum Concilium», 112-118. (n 116: «A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar»).[8] Cf. João Paulo II, in Quirógrafo no Centenário do Motu Proprio «Tra le sollecitudini» (2003), 7.

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