3 de maio de 2011

Do Pároco

Sendo o mês de Maio dedicado pela Igreja à devoção a Nossa Senhora, parece coincidir o seu primeiro dia com o da glorificação de uma sua figura, que, nos últimos tempos, muito contribuiu para que os fiéis católicos dessem à sua Mãe do Céu toda a devoção que ela merece. Referimo-nos, como é óbvio, ao Papa João Paulo II, que, em Roma, a 1 de Maio, pelas mãos do seu sucessor e tão íntimo colaborador, o Cardeal Ratzinger, agora Bento XVI, o vai declarar Beato, para que todos nós lhe prestemos, com mais fervor, a nossa homenagem. Deste modo, ficamos mais cientes de que as nossas orações serão melhor atendidas por quem, no Céu, com a sua boa disposição, a sua alegria e a sua santidade, pode ser um poderoso intercessor nosso junto de Deus e de Nossa Senhora.

A Igreja, que é Mãe – e boa Mãe! - ao longo de todo o ano, vai recordando aos seus filhos, através da sua liturgia e dos seus tempos específicos, que as nossas petições ao Senhor podem ser orientadas, de acordo com certos objectivos e certos alvos, de modo a que prestemos mais atenção às suas riquezas espirituais. No mês de Maio, pede-nos que tratemos Maria Santíssima como o que ela é desde a Crus, por vontade do seu Filho Jesus Cristo: nossa Mãe.

Por isso, estaremos mais atentos ao que uma boa Mãe espera dos seus filhos: que ao amor tão zeloso que ela lhes dedica continuamente, correspondam com mais atenção, respeito e carinho a quem os tem sempre presente, sobretudo no seu coração. Dizia o Santo Cura de Ars que Maria Santíssima, até ao final do mundo, será como a mãe duma família muito numerosa, na sua constante atenção para com a sua prole: descobre soluções para os seus problemas, ameniza contrariedades, incentiva metas, ampara desânimos, pede a Quem pode pelas suas dificuldades, etc.

Conta-se que numa família com vários filhos, o mais pequenito, de certa vez, no mês de Maio, vendo como os seus pais e irmãos rezavam todos os dias à Virgem Santíssima com tanto fervor e com tanta intensidade (faziam o “Mês de Maio”), perguntou à mãe a razão de ser de tudo aquilo. Explicou-lhe que o mês de Maio era dedicado, todo inteiro, a Nossa Senhora, a nossa Mãe do Céu e Mãe de Jesus. O filhito achou um pouco exagerado que se rezasse tantos dias a Nossa Senhora. A mãe argumentou de várias maneiras, mas o cepticismo do rapaz não se diluiu. Ficou triste e pediu a Maria que a inspirasse para convencer o seu “benjamim”.

Os dias foram-se passando, até que, num fim de tarde, ouviu esta conversa entre o petiz renitente e um seu irmão, de nome Ricardo, mais velho dois ou três anos: “Estão a exagerar. Todos os dias é muito...”. O outro observou: “Repara, Nossa Senhora faz anos durante todo o mês de Maio. Por isso, é justo que lhe rezemos mais para lhe dar todos os dias os parabéns..” “Faz anos todos os dias?... Isso é injusto. Eu e tu só fazemos anos um dia!” “Pois é, mas Nossa Senhora é Mãe de milhões e milhões de pessoas. Com tantos filhos a dar-lhes os parabéns num só dia, ao mesmo tempo, era lá uma confusão que nem te digo...!” Nessa noite, quando os pais e os irmãos iam começar o seu “Mês de Maio”, apresentou-se o mais novito para se associar. A mãe admirou-se. No final, o miúdo observou-lhe: “O Ricardo explicou-me por que é preciso rezar todos os dias durante este mês... Já percebi. Além disso, como eu quero que ela me dê várias coisas de que preciso, Nossa Senhora podia pensar que eu era malcriado se não rezasse e depois não me ia ligar meia!”

“Deixai vir a Mim as criancinhas. Não as estorveis. Dos que são como elas é o Reino dos Céus” ( Mc 10, 14). A simplicidade do mais novo levaria, certamente, Jesus a tecer-lhe o mesmo elogio que fez a Natanael. Certamente que o amor de Maria supera todas as nossas debilidades, mesmo que, como as deste rapaz, possa ter algum joio ingénuo pelo meio.

Juntar-nos diariamente, no nosso lar, em torno à Mãe que o Senhor nos ofereceu, é sinal certo de união familiar e protecção maternal de Maria. Como sorrirá no Céu de satisfação e de agradecimento. Não esqueçamos que, para as mães, as mais pequenas delicadezas dos seus filhos, fazem-nas esquecer todas as nossas atitudes menos correctas. Maria é Mãe de facto. Jesus no-la deu para que em nós, como n’Ele na sua dimensão humana, exercitasse a mesma tarefa educativa que O tornou um homem cheio de virtudes no mais alto grau.

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