3 de maio de 2011

Coisas Práticas: O Sinal Litúrgico - VI

Sinais relacionados comos elementos que usa a Liturgia

Há elementos naturais a que a liturgia dá significação e eficácia sobrenatural. A razão é tripla: a) o modo de ser humano exige elementos materiais para o culto (templo, objectos, oferendas, etc.); b) a capacidade significativa de algumas realidades materiais que as torna susceptíveis de ser elevadas a sinais litúrgicos (o pão e o vinho, por exemplo); c) a dinâmica da história da salvação em que certos elementos do Antigo Testamento (o maná, a água da rocha, a serpente de bronze, etc.) prefiguravam outras realidades futuras. Jesus Cristo converteu alguns elementos materiais em sinais eficazes da salvação nos sacramentos. A Igreja utiliza-os também para prolongar e, de certo modo, ampliar os sinais sacramentais.

O pão e o vinho: Sendo elementos básicos e universais de alimentação na zona mediterrânica simbolizam, ao converterem-se no verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, que a Eucaristia é elemento indispensável para os cristãos, a comunhão com o próprio Deus.

O pão partido e partilhado fala de comunhão, fraternidade, amizade, unidade.

O vinho, por seu lado, lembra a festa, o banquete nupcial, a nova e eterna Aliança.

Simbolizam assim a unidade da “Igreja com Cristo” e “dos cristãos entre si”.

Por outro lado, ao serem fabricados pela arte dos homens, tornam-se símbolos do trabalho humano.

O azeite: Tem vários sentidos: fortaleza espiritual e corporal, valor curativo e conservador de carácter espiritual, efusão de graça, santificação e inabitação do Espírito Santo e testemunho cristão, comunicação do poder divino e consagração de objectos sagrados.

A água: Está carregada de significado abundante e polivalente: purificação, limpeza, frescura, fertilidade e fecundidade. O cristianismo insere-a no simbolismo herdado do Antigo Testamento, compreendido no contexto de Cristo e o seu mistério pascal. Cristo é o Rochedo, a Fonte donde brota a água viva. Da Páscoa de Cristo brota a água viva que tudo vivifica.

O principal uso simbólico é no Baptismo: morrer e ressuscitar com Cristo para a Vida.

Esse mesmo simbolismo é recordado e “actualizado” na aspersão com água benta, no início da Missa, em vez do acto penitencial, e noutros momentos (bênçãos de casas, exéquias, etc.). A “água benta” à porta da igreja e quando usada pelos cristãos em suas casas é uma permanente recordação da condição de baptizados e apelo a uma vida coerente com as promessas baptismais.

O incenso: Usado em momentos solenes é sinal de adoração: o fumo que sobe representa a oração que se eleva para Deus.

A luz: Tem vários significados: a "luz do Sol" simboliza a Cristo, Sol de justiça; o "Círio Pascal" é sinal de Cristo luz do mundo por meio da Ressurreição (os círios dos fiéis e a vela do Baptismo, ao ser participação da luz simbolizam que os cristãos são testemunhas do Ressuscitado); as lâmpadas postas sobre o altar e as que acompanham a procissão para o Evangelho são expressão de honra.

As vestes sagradas: Na celebração eucarística simbolizam os diversos ministérios que realizam o culto: "casula" do sacerdote, "dalmática" do diácono, "alva" comum a todos os ministros da Eucaristia. A “estola” “caída sobre o peito” ou “a tiracolo” é símbolo do “poder sacramental” conferido na ordenação e diversamente participado por sacerdotes e diáconos.

O "véu de ombros" usa-se para transportar o Santíssimo Sacramento e dar a bênção. O "Pluvial" ou "Capa de asperges" para as ocasiões mais solenes fora da Missa (procissões, bênçãos, etc.). O “roquete” e a “sobrepeliz” usam-se sobre a batina quando em funções litúrgicas (o roquete tem sempre mangas).

As cores litúrgicas

“Branco” é sinal de alegria, pureza e inocência; “verde” de esperança; o “vermelho” de realeza e de martírio; o “roxo”, de dor e esperança; o “preto”, de tristeza.

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