2 de abril de 2011

O SINAL LITÚRGICO V – Semana Santa: Liturgia

Domingo de Ramos - Celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando o povo O aclamou como rei messiânico, com cânticos e ramos de árvores. A procissão litúrgica dirige-se para a igreja com cânticos, depois da bênção dos ramos, que todos levam nas mãos, e da leitura de um texto do Evangelho. Apesar de tanta alegria era através da sua Paixão e Morte que o Senhor caminhava para a glória da Ressurreição: a leitura evangélica é um relato da Paixão.

Quinta-Feira Santa - A liturgia recorda a Última Ceia em que Jesus lavou os pés aos apóstolos como exemplo de serviço a imitar. O celebrante repete o gesto na celebração. O Senhor instituiu a Eucaristia nessa ocasião e saiu com eles para o Horto das Oliveiras, entrando pela noite a rezar até ser preso. Em procissão o Santíssimo Sacramento é levado para o lugar da sagrada reserva onde fica em adoração até ao dia seguinte: a companhia que agora lhe podemos fazer quer desagravar e compensar a que Lhe faltou naquela noite e noutros momentos e agradecer a sua Presença. Há um costume antigo de percorrer nessa noite várias igrejas e visitá-l’O.

Sexta-Feira Santa - Duas leituras sobre o Cordeiro pascal preparam a leitura da Paixão segundo S. João, único apóstolo que esteve junto à Cruz. Aí acompanhou o sacrifício d'Aquele que era o verdadeiro Cordeiro que tira os pecados do mundo. Os conteúdos das petições solenes que se seguem (talvez do séc. I) sublinham o fruto universal alcançado pela Paixão. Segue-se a liturgia da Adoração da Cruz que é como uma agradecida resposta ao convite que nos fez de pegarmos na cruz de cada dia e de O seguirmos. Em Cristo, também em nós a dor e sofrimento do vencimento próprio são semente de vitória e de corredenção. Genuflecte-se diante da Cruz.

Sábado Santo - O Corpo morto do Senhor permaneceu no sepulcro. Recorda-se o pesar de todos. E a expectativa de fé na espera da Ressurreição, bem forte na Mãe de Jesus. É um dia sem liturgia.

Vigília e celebração da Páscoa - A celebração da “Vigília Pascal”, já depois do sol se pôr, lembra que a Ressurreição foi durante essa noite, antes de nascer o Sol, altura em que o sepulcro já está vazio. O “lucernário” ou “liturgia da luz” recorda que a Verdade de Cristo iluminou as trevas do erro que enchiam a terra.

Acende-se um fogo fora da igreja, como símbolo do “fogo e luz de Deus”, de que Cristo é portador. A “procissão” lembra a travessia no deserto na primeira páscoa, em que o povo de Israel foi guiado por uma coluna de fogo e o seguir de Cristo anunciado. As velas de todos acesas no Círio manifestam que são filhos da luz, a luz que veio de Cristo: a luz do mundo.

No Círio gravam-se uma cruz, os números do ano, a primeira e a última letra do alfabeto grego (um Alfa e um Ómega) e colocam-se 5 grãos de incenso significando as Chagas gloriosas: delas nos brotou de Cristo toda a salvação.

Se a “cruz” que se grava é símbolo da humanidade de Cristo, por ser sinal da sua morte, as letras “Alfa e Ómega” apontam a sua natureza divina, que O faz atravessar o tempo, do princípio ao fim. O “ano” exprime o tempo transcorrido desde o acontecimento pascal inicial. E uma vez aceso, o “Círio” simboliza Cristo ressuscitado, que dissipa as trevas do coração e do espírito.

O “pregão pascal” (proveniente talvez de Santo Ambrósio) é uma poética composição de louvor e acção de graças pelos feitos antigos e pela Redenção e petição para a vida da Igreja e pela paz do mundo.

Na Liturgia da Palavra, os textos recordam todos os bens recebidos desde a criação e expandem-se em louvores e "Aleluias" porque pela Morte e Ressurreição Jesus nos remiu e abriu a vida eterna.

Segue-se a liturgia baptismal com a ladainha, bênção da água e baptismos. A renovação das promessas baptismais lembra a todos que O Baptismo não é uma realidade que passou, mas algo que abarca toda a vida cristã, intensiva e extensivamente.

A liturgia eucarística é o momento central onde se torna presente o mistério pascal.

Até ao séc. IV, como celebração da Ressurreição, só existia esta Missa que terminava ao amanhecer de Domingo. Mas a partir de então começou a haver outra Missa já de dia.

Domingo da Ressurreição - É o dia mais alegre em que se manifestou como Cristo venceu a morte e nos deu a Vida: o mal não pode ter nunca a última palavra. Lembra a liturgia como o Senhor quis aparecer muitas vezes nesse dia num esforço em convencer os discípulos de que tinha mesmo tornado à vida, tentando apagar neles a dor que sofreram ao vê-lo morrer.

A "Oitava da Páscoa", no início dos 50 dias do Tempo pascal, é uma evocação continuada da Ressurreição do Senhor, através da leitura das diversas aparições narradas pelos quatro evangelistas. Os dias celebram-se como solenidades do Senhor. Nos restantes dias pascais prossegue a mesma festa, abarcando a Ascensão e terminando na Vinda do Espírito Santo no Pentecostes, como um “grande Domingo”.

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