2 de abril de 2011

A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

A festa primordial dos cristãos é a Páscoa da Ressurreição, cuja celebração era primeiro "semanal”, tendo no Domingo o seu ponto de referência fundamental. Rapidamente, porém, surgiu, a partir do Oriente, a celebração anual. Ao princípio consistia numa longa vigília de oração que culminava na celebração da Eucaristia. Depois, incluiu-se a liturgia baptismal (fins do séc. II) e, mais tarde, o lucernário com a bênção do Círio (séc. IV).

Logo no início (também nos fins do séc. II) a alegria pascal já se prolongava por 50 dias, num "espaço de máxima alegria" diz Tertuliano; mais tarde solenizar-se-á a "Oitava" (finais de séc. IV) e o Pentecostes (sécs. VII-VIII).

A preparação para a Páscoa começou por ser de dois dias e, com o decorrer do tempo, chegou até aos 40 dias (séc. IV), começando na 4ª Feira de Cinzas (séc. VIII). A Quaresma, na sua dupla dimensão baptismal (recepção ou actualização do Baptismo) e penitencial (a conversão de vida), orienta-se a dispor os fiéis para a celebração do mistério num clima de atenta escuta da Palavra de Deus e incessante oração (cf. Vatic. II, SC 109).

Desemboca na Missa Crismal, da manhã de 5ª Feira Santa, em que o Bispo concelebra com todos os sacerdotes, manifestando-se assim a íntima união no único sacerdócio e no ministério de Cristo. Na celebração benzem-se os Santos Óleos (dos catecúmenos e da Unção dos Doente) e consagra-se o do Santo Crisma.

Desde tempos antigos, os dois dias anteriores, 5ª e 6ª Feira, uniam-se à Vigília da Páscoa no "tríduo sacro" ou "o sacratíssimo tríduo do crucificado, sepultado, e ressuscitado" (Santo Ambrósio e Santo Agostinho), que mais tarde se alargará aos dias precedentes, constituindo a chamada "Semana Santa", a partir do Domingo de Ramos. Actualmente o Tríduo inicia-se com a Missa vespertina de 5ª Feira “na Ceia do Senhor”.

A Semana Santa é o momento litúrgico mais intenso do ano. Estas solenidades pascais são o centro do ano litúrgico e fonte da nossa vida espiritual.

Não é um mero "recordar o passado" mas sim uma "realidade viva", celebrada e revivida: a "páscoa" ou "passagem" de Deus no meio do seu povo de Israel, e a "passagem” de Cristo, da morte à vida, para não mais morrer. São ritos de especial dignidade e singular força e eficácia sacramental para alimentar a vida cristã.

É um tempo propício para acompanhar Jesus com a nossa oração, sacrifícios e arrependimento das nossas faltas. O sacramento da Penitência ajuda-nos a morrer para o pecado e a ressuscitar com Ele no dia de Páscoa. Só assim se pode perceber a sua morte por nosso amor e o poder da sua Ressurreição, que é primícia da nossa.

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