1 de março de 2011

O SINAL LITÚRGICO – IV

Imposição das cinzas: É um gesto que aparece com frequência no Antigo Testamento. A liturgia actual realiza este gesto no dia em que começa a Quaresma, pois era o que faziam as pessoas arrependidas de crimes ao ingressar na penitência pública. É sinal de humildade, como reconhecimento do transitório desta vida ("és pó e ao pó hás-de tornar"), de arrependimento e de oração confiada: afastando o pecado, tudo culminará na ressurreição para a nova vida em Cristo, que se celebra na Vigília Pascal.

Pôr-se ou estar de pé: Nas religiões antigas, era norma geral orar de pé durante o culto. Alguns testemunhos que remontam à época apostólica e aos anos seguintes, como por exemplo, as pinturas nas catacumbas, demonstram que assim procediam os primeiros cristãos. A posição manteve-se até aos nossos dias. É a atitude característica do celebrante na Eucaristia. Lembra que nós, os cristãos, como filhos de Deus, libertos do pecado, "ousamos dizer: Pai-nosso". Por isso também, é sinal de disponibilidade e prontidão para seguir Jesus, que exprimimos ao levantar-nos no início da Missa ou aquando da leitura do Evangelho.

Estar de joelhos: Prostrar-se ou ajoelhar-se perante a majestade de Deus, em humilde adoração, era um hábito de reverência do Povo de Israel (cf. Salomão diante do altar de Deus, em 1 Reis 8, 54-55). Também Pedro cai de joelhos diante de Jesus (cf. Lc 5,8: “Senhor, afasta-Te de mim, porque sou um pecador!”) e outros, em petição ou agradecimento (cf. Jairo em Lc 8, 41; o Samaritano curado da lepra, em Lc 17,16). Assim está Jesus no Horto da Oliveiras. No culto cristão do Ocidente, o gesto manteve-se na adoração perante a Sagrada Eucaristia, na Consagração e Comunhão, e também na Exposição do Santíssimo Sacramento.

Estar sentados: É a atitude antiga que assume um mestre quando ensina ou um chefe que preside. Vemo-la em Jesus no Templo entre os doutores (cf. Lc 2,46) e em momentos de ensino das multidões ou dos discípulos. Assim se senta o Bispo - e o celebrante - na sua sede ou "cátedra", exercendo o poder de reger e ensinar em nome de Cristo. Também os ouvintes se sentavam para melhor ouvir Jesus (cf. Maria de Betânia em Lc. 10,39). Sabe-se que nos primeiros séculos, à indicação do Bispo, se sentavam para ouvir atentos a sua pregação. Assim permanece na liturgia durante as leituras, os cânticos de meditação e a pregação.

A inclinação e genuflexão: É uma atitude cultual conhecida em todas as liturgias. Realiza-a o celebrante muitas vezes durante a Missa. É sinal de reverência e honra que se tributa às mesmas pessoas ou aos seus sinais. Há dois tipos de inclinações: "de cabeça" e "do corpo". Na Missa, a inclinação de cabeça faz-se ao nomear juntas as três Pessoas divinas, ao pronunciar os nomes de Jesus, de Maria ou do Santo do dia. Pode fazer-se privadamente diante de uma imagem. A inclinação do corpo faz-se ao altar, que simboliza Jesus. Usa-a o celebrante nalgumas orações. Todos os fiéis a devem fazer durante a recitação no Credo, enquanto pronunciam as palavras "E encarnou pelo Espírito Santo, no seio de Virgem Maria, e Se fez homem" (nas festas do Natal e da Anunciação, faz-se mesmo a genuflexão). Igualmente a farão todos aqueles que se aproximam do presbitério, ou se retiram, ou passam pela frente. A genuflexão - dobrar o joelho direito, tocando o chão - é uma variante da inclinação que se introduziu na liturgia do Ocidente cristão. É sinal de adoração. Reserva-se para o Santíssimo Sacramento exposto ou reservado no Sacrário.

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