1 de março de 2011

Do Pároco

Cristo no Jardim das Oliveiras, tela de El Greco
Vamos entrar dentro em breve no tempo da Quaresma. A 4ª Feira de Cinzas é já no próximo dia 9.

E nesta data, pede-nos a Igreja, que pensemos seriamente na nossa condição de pessoas que não têm aqui morada permanente, como observa S. Paulo, pois vamos receber as cinzas, enquanto o celebrante diz: “Lembra-te homem que és pó da terra, e à terra hás-de tornar”. O nosso destino eterno é aquele que Deus nos reserva depois da morte, que por nós, cristãos, não deve ser encarado como uma fatalidade temerosa, mas antes como uma mudança de casa para uma casa muito melhor, onde o Senhor nos espera, para sermos por Ele julgados e compreendermos então, de forma definitiva, como Ele é misericordioso e nosso amigo.

A Quaresma é um convite sério a desprender-nos das coisas materiais e de nós mesmos. As primeiras são boas, porque são postas à nossa disposição pelo amor de Deus, que quis que, aqui na terra, enquanto durar a nossa existência, tenhamos o que é necessário para viver com dignidade. Deus é muito generoso e pôs à disposição do homem toda a criação, que ele deve tratá-la como o que é: um dom divino, que merece o respeito e o amor de tudo o que vem do nosso Pai. No entanto, podemos esquecer-nos dessa sua condição e origem e procurar como que “roubá-las” a quem as criou, e utilizando-as como coisa nossa e da qual a ninguém temos de prestar contas. Este “roubo” causa um apego desmedido ao que é material, com esquecimento do seu sentido e da sua doação de Deus aos homens. O sentido profundo da razão de ser da nossa vinda ao mundo dilui-se numa série triste de imaginações, que nos apresenta esta passagem pela terra e as coisas que ela nos oferece como o que é definitivo. Apegamo-nos a elas com essa convicção e perdemos os horizontes da vida eterna.

Nestas circunstâncias, é fácil que o nosso orgulho nos faça sentir como uma espécie de centro do universo, à volta do qual giram todas as coisas e pessoas e só assim têm sentido. Triste condição que nos leva invariavelmente a considerar os outros como peças que apenas merecem a nossa boa vontade, enquanto cumprem as suas funções de nos ajudar a conquistar a posição de ponto ou de referência fundamental de tudo o que existe. Orgulho e egoísmo são condimento que passa a reger as relações com os nossos semelhantes. Temo-las por boas, se nos beneficiam no nosso propósito e más, quando o contrariam ou prejudicam. Os outros nunca são próximos, iguais em direitos e deveres, mas realidades, que se atacam o nosso estatuto de centro do mundo, merecem censura e repulsa; louvor e estima, se servem os nossos intentos ou, pelo menos, não se opõem à sua concretização.

É bom e decisivamente muito oportuno, pois, que a Igreja nos convide a viver o tempo quaresmal como oportunidade de conversão. Primeiro, através de uma maior dedicação à oração e ao sacrifício; depois, por uma purificação interior, que deve ser facilitada pelo recurso sincero ao sacramento da Penitência ou Reconciliação. Pôr nas mãos de Deus perdoador os nossos pecados é a melhor terapêutica para dar à consciência o tratamento que ela precisa. Assim se sentirá livre e serena, sem os estorvos inúteis e nefastos dos nossos pecados. Depois, porque nos prescreve dois dias de jejum e abstinência – 4ª Feira de Cinzas (09/03) e 6ª Feira Santa (23/04) -, que nos lembram que devemos ter controlo sobre o nosso corpo e sentidos, base de qualquer domínio da vontade em relação às realidades espirituais. Um corpo insubmisso é o mesmo que um espírito frouxo e rebelde a qualquer rasgo de penitência e de sacrifício.

Por fim, e ainda neste campo, recordemo-nos que todas as 6ªs Feiras de Quaresma (bem como todas as 6ºs Feiras do ano, salvo se coincidem com alguma solenidade litúrgica - Cfr. pág. 3, Calendário Litúrgico, nota 1) são dias de abstinência, isto é, dias em que as nossas refeições devem ser mais modestas e frugais, não tanto no sentido da quantidade, como da qualidade. Tradicionalmente, é costume não se comer carne. Não faria qualquer sentido, porém, que em vez da carne se optasse por uma boa refeição de mariscos ou, nos tempos que correm, de uma excelente e suculenta receita de bacalhau. Em contrapartida, adequado exemplo é o daqueles cristãos que, por fazerem anos numa 6ª Feira – mormente se é de Quaresma – adiam a sua festa de aniversário ou de outro tipo para um dia diferente da semana, a fim de evitarem um possível escândalo.

DETERMINAÇÕES SOBRE O JEJUM E A ABSTINÊNCIA – Quaresma 2011

  • O jejum e a abstinência são obrigatórios na 4ª Feira de Cinzas e na 6ª Feira Santa
  • A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as 6ªs Feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de especial significado nas 6ªs Feiras de Quaresma.
  • O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos.
  • O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59.
  • As presentes determinações sobre o jejum e abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância.

Todos os homens são chamados à santidade

A Igreja reflectiu profundamente, nos últimos cem anos, sobre o chamamento universal à santidade. Em 21 Novembro de 1964, o Concílio Vaticano II publicava a Constituição Dogmática sobre a Igreja, documento conciliar mais conhecido como Lumen Gentium, em que afirmava: “Todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer façam parte da grei, são chamados à santidade segundo a palavra do Apóstolo: «Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (cf. 1 Tes 4,3; Ef 1,4) ”. E, clarificando, afirmava: “Aos leigos compete, por vocação própria, buscar o reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das actividades e profissões, e nas circunstâncias ordinárias da vida familiar e social, as quais como que tecem a sua existência. Aí os chama Deus a contribuírem do interior, à maneira de fermento, para a santificação do mundo, através do cumprimento do próprio dever, guiados pelo espírito evangélico, a manifestarem Cristo aos outros (...) A eles compete muito especialmente esclarecer e ordenar todas as coisas temporais” (Lumen Gentium, nn. 31 e 39)

Já no dealbar do século XXI, o papa João Paulo II, considerava que "o Baptismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito" e "seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Perguntar a um catecúmeno: «Queres receber o Baptismo?» significa ao mesmo tempo pedir-lhe: «Queres fazer-te santo?» Significa colocar na sua estrada o radicalismo do Sermão da Montanha: «Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste» (Mt 5,48)".

E referindo-se ao Concílio Vaticano II acrescentava “Como explicou o Concílio, este ideal de perfeição não deve ser objecto de equívoco vendo nele um caminho extraordinário, percorrível apenas por algum «génio» da santidade. Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. (...) “São pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja”. (cfr. "No início do Novo Milénio", Carta Apostólica de 6 de Janeiro de 2001, n.31).

"(…) Seria errado pensar que o comum dos cristãos possa contentar-se com uma oração superficial, incapaz de encher a sua vida. Sobretudo perante as numerosas provas que o mundo actual põe à fé, eles seriam não apenas cristãos medíocres, mas «cristãos em perigo»: com a sua fé cada vez mais debilitada, correriam o risco de acabar cedendo ao fascínio de sucedâneos, aceitando propostas religiosas alternativas e acomodando-se até às formas mais extravagantes de superstição.” (Ibidem n. 34).

S. Josemaria Escrivá foi um precursor dessas directrizes que o Vaticano II promulgou, pois já em 1930, numa carta dirigida aos então escassos membros do Opus Dei, dizia: “Viemos dizer, com a humildade de quem se sabe pecador – homo peccator sum (Lc 5, 8), dizemos com Pedro –, mas com a fé de quem se deixa guiar pela mão de Deus, que a santidade não é para privilegiados: que o Senhor nos chama a todos, que de todos espera Amor: de todos, estejam onde estiverem; de todos, qualquer que seja o seu estado, a sua profissão ou o seu ofício. Porque esta vida vulgar, comum, sem brilho, pode ser meio de santidade: não é necessário abandonar o próprio estado no mundo, se o Senhor não dá a uma alma uma vocação religiosa, já que todos os caminhos da terra podem ser ocasião de encontro com Cristo” (Carta de 24/03/1930, n, 1).

Não estranha, pois, que na canonização deste santo em 2002, João Paulo II tenha declarado: "São Josemaria Escrivá foi escolhido pelo Senhor para anunciar a vocação universal à santidade e para indicar que a vida de todos os dias, as actividades comuns, são um caminho de santificação. Poder-se-ia dizer que ele foi o santo da normalidade. Com efeito, ele estava convencido de que, para quem vive segundo uma perspectiva de fé, tudo é ocasião de encontro com Deus, tudo se torna estímulo à oração. Considerada assim, a vida quotidiana revela uma grandeza insuspeitável. A santidade coloca-se verdadeiramente ao alcance de todos." (Discurso de João Paulo II aos peregrinos a Roma para a canonização de S. Josemaria, n 2, dia 7 de Outubro de 2002)

AUSÊNCIA DE SACERDOTES NESTE MÊS

P. Rui: Dia 3, 2ª F. à tarde a 9, 4ª F. de manhã: Retiro Espiritual

Contas da paróquia de Telheiras referentes a 2010

1 - RECEITAS da PARÓQUIA – 2010
10
 Ofertórios das Missas
28.260,16
11
 Contributo Paroquial (a)
2.355,00
12
 Actos Paroquiais
7.346,41
13
 Caixas de Ofertas
5,00
14
 Rendas e Explorações (c)
0,00
15
 Juros
0,00
16
 Receitas Diversas
1.857,29
17

0,00

  SOMA do RENDIMENTO TRIBUTÁVEL..........  
39.823,86
18
 Receita Extraordinária / Correcção do Saldo Anterior
17.034,71
19
 Empréstimos
0,00

  SOMA DA RECEITA DESTE ANO.......................
56.858,57

Saldo do Ano Anterior................................................
1.739,95

TOTAL................................................ ...............................
58.598,52
 
2. DESPESAS DA PARÓQUIA – 2010
20
 Culto Divino 
4.557,42
21
 Despesas com Pessoal
26.578,68
  21.1
     Remunerações
24.120,12
  21.2
     Segurança Social
957,60
  21.3
     Seguros
0,00
  21.4
     Outros  / IRS
1.500,96
22
 Formação
6.100,40
23
 Cartório
1.135,35
24
 Manutenção Ordinária 
5.171,86
   24.1
      Seguros
0,00
25
 Equipamento
1.961,39
26
 Obras
0,00
27
 Taxas e Tributos
7.143,54
28
 Amortizações
0.00
29
 Despesas Diversas
3.354,41
30
 Encargos Bancários ( Juros e Imposto de Selo )
0,00
SOMA ...........................................................................
53.544,49
                                                               Saldo para o ano seguinte.
5.054,03
TOTAL ..........................................................................
58.598,52

 
OBS. - Aprovadas pelo Patriarcado de Lisboa e vistas pelo Conselho Económico paroquial.