1 de janeiro de 2011

O SINAL LITÚRGICO (II)

BATER NO PEITO

É sinal de arrependimento pelos pecados cometidos e de humildade. Assim aparece nos Evangelhos nos gestos de um publicano numa parábola (Lc 18, 13) e no do centurião na crucifixão (Lc 23, 47). Trata-se de um gesto muito comum entre os povos antigos.

O bater no peito está prescrito actualmente no acto penitencial do início da Missa.

Já não está mandado, como antes, no “Cordeiro de Deus” e no "Senhor, eu não sou digno”.

LEVANTAR OS OLHOS AO CÉU

É um sinal de súplica confiada a Deus que Jesus usou muitas vezes, por exemplo: na multiplicação dos pães, ao começar a pregação das bem-aventuranças, na oração prévia à Ressurreição de Lázaro (Jo 11, 41), antes de curar um surdo mudo (Mc 7, 34) e na oração sacerdotal (Jo 17, 1). Pensa-se que Jesus o tenha feito no momento da instituição da Eucaristia, embora não esteja registado nos Evangelhos. A Oração Eucarística I ou "Cânon Romano", já na sua fórmula mais primitiva, recolhe a tradição e assim o prescreve ao celebrante.

UNÇÃO

A liturgia emprega-a muitas vezes. Não tem origem cristã, pois era conhecida e usada pelos semitas e povos do mediterrâneo. Aparece duas vezes no Rito do Baptismo, uma com sentido de “exorcismo” (unção com o óleo dos catecúmenos) e outra “sacerdotal” (crismação na cabeça). Na Confirmação pertence à estrutura essencial do sacramento que confere o Espírito Santo. Também é essencial na Unção dos Doentes, simbolizando a força da graça que realiza a cura total. Na Ordem, explicita a unção interior realizada pelo sacramento.

IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

É antiquíssima e comum a muitas religiões. No Antigo Testamento estava prescrita no culto sacrificial. Jesus Cristo usou-o muitas vezes para realizar milagres e abençoar. Os Actos dos Apóstolos recordam em bastantes ocasiões que era um gesto realizado pelos Apóstolos para pedir a acção do Espírito Santo sobre os baptizados e no rito de ordenação sacerdotal.

A liturgia usa-o muito, por exemplo: na celebração eucarística – na epiclese antes da Consagração –, na Penitência, nos ritos da ordenação, na Confirmação, etc. Nos ritos de catecúmenos dos primeiros séculos tem sentido de exorcismo.

MÃO ELEVADAS E ESTENDIDAS

Levantar e estender as mãos ao rezar exprime os sentimentos da alma que procura e espera o auxílio do alto. É gesto quase universal na história das religiões. Foi praticado pelo povo judeu e entre os primeiros cristãos esteve muito difundido, segundo se depreende das imagens do “orantes” das catacumbas e do testemunho de Tertuliano.

Actualmente aparece na liturgia como reservado ao ministro que celebra a Missa (durante as orações, especialmente a Oração Eucarística) ou realiza acções de consagração, bênção, etc.

MÃOS QUE DÃO E RECEBEM A PAZ

Erguer o punho fechado contra alguém é sinal de violência e de luta. Pelo contrário, as mãos estendidas, abertas e acolhedoras simbolizam a atitude de um coração pacífico e fraterno, que quer comunicar alguma coisa de pessoal e se dispõe a acolher o que lhe seja oferecido. Realizado entre duas pessoas é gesto expressivo do profundo sentimento de querer assegurar a paz, comunicá-la ao outro ou restabelecê-la.

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