1 de janeiro de 2011

Do Pároco

Muita companhia nos deve ter feito Nossa Senhora durante esta quadra de Natal, em que a sentimos exercer as suas funções maternais sobre Jesus, com um carinho e amor semelhante àquele que nós experimentámos, quando éramos pequenos, junto da nossa mãe.

Maria mostrou-nos como é bom haver uma família, onde a solidariedade nasce espontaneamente, porque é uma consequência do amor que os seus membros vivem entre si. Primeiro, o amor comanda os sentimentos e depois nascem todos os gestos, modos e costumes que tornam o ambiente familiar num remanso de alegria, de mútua confiança e também de compreensão.

Sentimos pressa de chegar a casa quando a contrariedade ou o cansaço de uma jornada intensa debilita a nossa capacidade de conviver. No lar, porém, sabemos que nos vão deixar descansar. Mais: querem que descansemos para reabilitarmos forças e voltarmos a ser as pessoas que tão bem conhecem e estimam na sua plenitude de possibilidades.

O que fazia a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, para que a sua casa fosse um remanso de paz e de alegria? Não eram ricos nem poderosos, humanamente falando. Quando foram a Belém e aconteceu a hora de Maria dar à luz o Verbo Encarnado, ninguém quis saber da sua aflição, desde o estalajadeiro aos eventuais parentes de José que havia nessa cidade, a cidade berço do rei David, de quem o marido de Nossa Senhora era um dos muitos descendentes. Mas todos, cada um a seu modo, procurava o bem dos outros. Não foi a Virgem Santíssima tão pródiga em socorrer a sua prima Isabel, ao saber que esta, na sua velhice, esperava um descendente, objecto da sua oração constante durante toda a vida? E José não procurou preservar a honra e a boa fama da esposa, quando soube que o Espírito Santo trouxera às suas entranhas o Salvador do mundo? E Jesus, que aprendeu com os pais a ser generoso e amigo de todos, não se deixou morrer na Cruz para a nossa salvação, com um esquecimento completo de Si mesmo e das suas prerrogativas?

O fundamento desta atitude radicava no amor a Deus, que quer que os seus filhos se tratem como Ele nos trata: com amor, com exigência e compaixão. Lembremos as parábolas do filho pródigo e do bom samaritano. No primeiro caso, descobrimos que o amor que Deus nos tem se alicerça numa capacidade de perdoar radical e rápida. O espírito divino não conhece outra linguagem mais apropriada para nos tratar do que o perdão constante. Se o justo, como diz a Escritura, peca sete vezes por dia – o próprio Senhor citou estas palavras – Deus, como que se adapta às nossas frequentes fraquezas e desculpa-nos até setenta vezes sete. No segundo, aprendemos como o Senhor acrescenta à sua justiça infalível e perfeita, uma misericórdia que nos arroupa com carinho e zelo paternal. A festa do regresso do filho pródigo é uma verdadeira festa do perdão.

A vida familiar deve ter estas características. É nela que os pais e os filhos se santificam e santificam os que compartilham, dia e noite, o mesmo tecto, a mesma mesa, os mesmos feitos, as mesmas alegrias e tristezas que, ao serem de um, pertencem a todos, tal como uma iguaria que se apresenta numa refeição.

Quando Jesus nasce, tal como numa família cristã, a satisfação aumentou. José e Maria vêem nessa realidade nova que começam a viver no presépio de Belém, uma prova de que Deus confia à sua guarda a educação de Jesus, o Deus feito homem. É uma manifestação da confiança divina na sua capacidade de ensinar e ajudar a crescer Quem, mais tarde, com o seu Sacrifício violento e tremendamente injusto, vai abrir de novo as portas do Céu aos homens de todos os tempos.

Cada filho que nasce é também uma lição evidente das virtualidades dos seus pais e da sua família para tornarem uma criança inerme, no futuro, um ser humano honrado, honesto e bom cristão. A sua alma é esperada no Céu pelo nosso Pai Deus com a satisfação de poder tornar feliz para sempre essa criatura. Para tal finalidade a trouxe à existência.

Oxalá que cada família cristã tenha como exemplo e modelo a Sagrada Família de Nazaré.

Imagem: Sagrada Família

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