1 de dezembro de 2010

Tradições da Quadra do Natal

O Natal não é mera recordação de um acontecimento que sucedeu na história: é um mistério, cujo centro é a morte e ressurreição de Jesus Cristo, sempre presente e operante em toda celebração litúrgica.

Ao redor da liturgia de Natal formou-se, no decurso dos séculos, uma série de costumes que contribuíram para criar um ambiente festivo nos templos, na intimidade das famílias e nas ruas das aldeias e cidades.

A DATA DE 25 DEZEMBRO

Não se sabe ao certo quando foi a data exacta do nascimento de Jesus, mas já no ano 336 se celebrava neste dia. Alguns afirmam poder ter sido fixada no sentido de encaminhar para o verdadeiro Deus a “adoração ao Sol” das religiões naturais celebrada no solstício de Inverno. Outros dizem provir de se pensar que o dia da morte de Jesus tinha sido a 25 de Março. Crenças dessas épocas continham a exigência de que, dada a sua perfeição, devia ter sido concebido no mesmo dia; o que levaria o nascimento para o dia 25 de Dezembro, nove meses depois.

Artigo de Vittorio Messori no Corriere della Sera (2003): «Jesus Nasceu Mesmo Num Dia 25 De Dezembro»

CÂNTICOS DE NATAL

Os mais antigos que se conhecem surgem no século V com a finalidade de levar a Boa Nova aos aldeãos e camponeses que não sabiam ler. As suas letras falavam em linguagem popular do mistério da Encarnação. Chamava-se "villanus" ao aldeão, pelo que, por exemplo, na língua castelhana, estes cânticos sejam conhecidos como “villancicos”. Num tom simples e engenhoso, descrevem os sentimentos da Virgem Maria e dos pastores perante o Nascimento de Jesus. No século XIII estendem-se por todo o mundo juntamente com os presépios.

PRESÉPIOS

No ano 1223 São Francisco de Assis deu origem aos presépios que actualmente conhecemos, popularizando num costume o que até aí era celebrado só na liturgia.

Não se tem por certo a presença do burro e do boi (ou vaca), que provém de uma interpretação forçada do texto bíblico (Isaías 1, 3 e Habacuc 3, 2), apesar de aparecerem na representação do séc. IV, descoberta nas catacumbas de São Sebastião, em 1877. O nome de “presépio” que lhe damos em Portugal deriva do latim "praesepium", que significa "manjedoura" e aparece no texto evangélico. Onde há manjedoura pode haver animais.

ÁRVORE DE NATAL

Os antigos germânicos relacionavam uma grande árvore com "Odim", deus a quem rendiam culto no solstício de inverno, quando se supunha que a vida se renovava. Enfeitavam então um pinheiro com tochas e em torno da árvore dançavam e cantavam.

Conta-se que S. Bonifácio, evangelizador da Alemanha, teria derrubado uma árvore dessas, plantando no mesmo lugar uma outra. Queria assim lembrar que a vitória de Cristo na “árvore” da Cruz se sobrepôs às consequências do pecado original, este associado à “árvore” do Paraíso. Ornamentou-o depois com maçãs (lembrando o pecado original) e velas (recordando Cristo, a "Luz do mundo"). Era o início do costume que se difundiu por toda a Europa, na Idade Média.

A estrela no pinheiro, lembra a que guiou os Magos e a luz da fé e do amor que guia as nossas vidas. Todas as luzes desta época aliás nos lembram a alegria do dar à luz a "Luz do mundo".

PRESENTES DE NATAL

A prática de trocar presentes felicitando-se mutuamente pode ter sido sugerida pela que existia em Roma no primeiro dia do ano, chamado “estreia”, que acontecia no início de Janeiro desde 46 a.C., data em que foi mudada de Março para essa altura. É um gesto que evoca o dos Reis Magos e lembra que Jesus afirmou que considerava como feito a Si mesmo qualquer acto de caridade para com outra pessoa.

CARTÕES DE NATAL

O costume de enviar mensagens de Natal pode ter surgido nas escolas inglesas, onde se pedia aos estudantes que redigissem algum texto sobre a temporada das próximas férias e o enviassem pelo correio aos pais. Em 1843, surgiram os primeiros cartões de Natal impressos, com a intenção de pôr ao alcance do povo inglês as obras de arte que representavam o Nascimento. Em 1860, Thomas Nast organizou a primeira grande venda de cartões de Natal em que aparecia impressa a frase "Feliz Natal".

PAI NATAL

Parece ter tido origem na personalidade bondosa do Bispo São Nicolau, nascido na Turquia no ano 280. Na Alemanha terá sido associado ao Natal e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhará o nome de Santa Claus, e em Portugal o de Pai Natal.

Até o final do século XIX, era representado com roupa de inverno de cor castanha ou verde escura. Em 1886, o cartoonista alemão Thomas Nast criou-lhe uma nova roupa de cores vermelha e branca com cinto preto, que foi apresentada na revista Harper’s Weeklys no mesmo ano. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola divulgou-a com esse mesmo figurino por serem também as cores da bebida.

Apesar de todas as histórias inventadas posteriormente à volta do personagem, a figura ainda mantém, em relação à possível origem, um exemplo de generosidade, de dar a quem não tem, indo ao encontro das necessidades dos outros, que são virtudes bem cristãs e do Natal.

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