7 de novembro de 2010

O SINAL LITÚRGICO

Um "sinal" é uma "realidade que orienta para outra" (St.º Agostinho), para aquilo que significa. Os sinais litúrgicos são também "simbólicos", ou seja, foram estabelecidos pela vontade com base nalgum fundamento na realidade da coisa usada.

Jesus usava "sinais naturais" nos milagres (lodo, saliva, água, etc.) tomando em consideração que a pessoa humana chega ao invisível através do visível e capta através do sensível o que é "supra-sensível". Mantinha assim a linha da Encarnação da Palavra que tornou possível a plena revelação e também o conhecimento de Deus invisível e transcendente.

Os sinais litúrgicos têm a dupla dimensão de significar "a salvação" em Cristo e o "culto" a Deus. Uns foram instituídos por Cristo – os 7 Sacramentos – e outros pela sua Igreja – os sacramentais.

SINAIS LITÚRGICOS RELACIONADOS COM GESTOS E ATITUDES DO CORPO

Estes brotam da totalidade do homem – matéria e espírito – e são gestos e atitudes "externas" que provocam, intensificam ou explicitam as atitudes "internas".

Passamos a ver os mais importantes:

O SINAL DA CRUZ

Há testemunho de ser usado pelo menos desde o século II. Tertuliano, nos finais desse século, diz que os cristãos o faziam frequentemente (ao iniciar uma caminhada, ao sair ou entrar em casa, ao vestir-se, ao lavar-se, ao comer, ao deitar-se, ao sentar-se, etc.).

Durante os primeiros séculos viu-se como expressão da fé em determinados dogmas trinitários-cristológicos, a forma de dispor os dedos da mão, ou ao realizá-lo sobre coisas ou pessoas. No Oriente mantém-se em muitas igrejas esta interpretação.

Vai geralmente acompanhado das palavras: "Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo". Os orientais costumam empregar a fórmula "Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tem piedade de nós".

O gesto recorda a fonte de toda a santificação: o sacrifício de Cristo; e a fórmula é um acto de fé na Santíssima Trindade e de ardente súplica.

É como o selo de Cristo, uma profissão de fé n'Ele, uma afirmação do seu poder soberano, uma invocação de graça de Deus implorada pelos méritos de Cristo, morto na Cruz (faz-se sobre a testa, sobre os lábios e sobre o peito; como bênção de coisas e pessoas; etc.).

A signação com a cruz tem também sentido de exorcismo desde tempos muito remotos (século II).

BENTO XVI, o actual Romano Pontífice, expressou assim o seu parecer sobre este sinal:

"A Cruz é a manifestação enternecedora do acto do amor infinito, com que o Filho de Deus salvou o homem do pecado e da morte. Por isso, o sinal da Cruz é o gesto fundaental da nossa oração, da prece do cristão. Fazer o sinal da Cruz como vamos fazer agora na Bênção,. significa manifestar um sim visível e público Àquele que morreu por nós e ressuscitou".

BENTO XVI, Castel Gandolfo, Angelus de 11/IX/2005

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