1 de setembro de 2010

A oração mental - III

A oração mental, como qualquer conversa, não está isenta de dificuldades e perigos. Quem não experimentou o aparente fracasso de uma conversa? Quem não sentiu que do outro lado não havia correspondência? Quem nunca abandonou o convívio do amigo por um mero motivo de egoísmo?

Assim também com Deus, mas com uma diferença: é que este amigo «nunca atraiçoa» (cf. SÃO JOSEMARIA, Caminho 88). Quando sentimos que algo vai mal não podemos atribuir isso a um desinteresse do Senhor por nós; quando muito seria verdade o contrário. E vale sempre a pena perseverar na oração, mesmo quando aparecem as dificuldades.

Uma primeira dificuldade é a dispersão: a alma distrai-se continuamente com as preocupações da vida ou com as ânsias do dia que começa. Nesse caso vale a pena aproveitar precisamente essas coisas que nos distraem para falar delas com Deus. E então vemos soluções para o que nos preocupa e descobrimos a bondade no que nos angustia.

Uma segunda dificuldade é a secura: parece que a alma não sabe falar com Deus, tudo lhe custa um esforço desproporcionado. É uma das dores espirituais mais fortes. A alma não entende, porque não consegue falar com o seu Deus e quase sente vontade de chorar ou de desistir. Nessas alturas, deixemos que seja o coração a falar (cf. Caminho 102).

Uma terceira dificuldade: o cansaço. Quantas vezes a Escritura nos fala dos Apóstolos adormecidos na oração (cf. Lc 9,32; Mc 14,37)! Ajuda-nos mudar de posição, lavar a cara, escrever a nossa oração. Mas não desistamos. E se adormecemos o nosso Pai Deus sabe a pasta de que estamos feitos.

Uma quarta dificuldade: a aparente esterilidade da nossa vida e da nossa oração. De que me serve rezar? Tudo continua na mesma. É como se o demónio nos segredasse ao ouvido que abandonemos a oração. Não somos talhados para tão grandes voos. Somos gente vulgar… A oração é sempre eficaz (cf. Mt 7,7-11; Caminho 83, 96 e 101).

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