1 de setembro de 2010

Do Pároco

O tempo de férias sumiu-se, deixando certamente as saudades dos dias calmos e reconfortantes. Retemperam-se forças, regressámos ao de sempre: o trabalho, a lufa-lufa, a família a que pertencemos. De certo modo, reencontramo-nos com nós mesmos. Somos quem somos e como somos, o panorama da vida voltou a ser o que era e como era. Esperam-nos as mesmas lutas, as mesmas pessoas, os mesmos horários, as mesmas angústias, o mesmo dia a dia.

É provável que o peso do tempo já percorrido por nós ao longo dos anos nos dê uma certa sensação de cansaço e de solidão. Mas não esqueçamos que ao nosso lado, se O procuramos, está o Senhor da nossa vida e da nossa razão de ser. Juntamente com Ele, a sua Mãe, que se está no céu em corpo e alma, acompanha sempre seu Filho nos seus desígnios de salvação.

Maria é a boa Mãe que nunca nos desampara e sempre se ocupa de nós com o seu amor maternal. E este tipo de amor tem sempre duas características bem delimitadas. Por um lado, é constante e afectivo, zeloso e delicado, prudente e exigente, como o de uma boa educadora; e, por outro, é o mais adequado, no modo como se realiza, ao que cada filho espera e aprecia nas relações com a sua mãe. Efectivamente, uma boa mãe gera dum modo espontâneo e natural o discernimento do que cada um dos seus filhos necessita do amor que ela lhes tem.

É sempre o mesmo amor para todos. Nunca há, porém, para uma boa mãe, dois filhos iguais. Por isso, não se perdoa a si mesma tratá-los de maneira uniforme. Um como que exige que lhe dirija uma palavra mais forte de apoio em circunstâncias difíceis; outro, que nada diga, porque se intimida com tal insinuação; o primeiro gosta de um doce especial que ela sempre fez nos seus anos; o segundo prefere, com o andar da idade, festejar o seu aniversário com os amigos; fazer ao primeiro um elogio pelas suas notas ou pelos seus triunfos profissionais, sabe-lhe a mel; ao segundo, é conveniente nada dizer e gozar caladamente os seus triunfos. Etc..

Maria é assim que nos trata, porque é a melhor entre todas as mães. Lembremo-nos que Deus a escolheu para ser a Sua. Ora Deus, escolhe sempre o melhor. Mas quis também que Ela fosse nossa Mãe, recordando, decerto, todo o carinho, todo o amor e todo o exemplo que dela recebeu, enquanto o educou e viu crescer em Nazaré. Na verdade, que outra Mãe melhor nos poderia ter dado Deus? Maria não aparece nos triunfos terrenos de Cristo, sobretudo quando entra triunfalmente em Jerusalém, vitoriado por uma imensa multidão que, alguns dias depois, O condena miseravelmente à morte na Cruz. Mas aí se encontra Ela, porque é uma boa Mãe e o seu Filho necessita da sua presença alentadora.

Não estamos, pois, sozinhos neste recomeço do ano laboral. Cristo e a sua Mãe acompanham-nos, passo a passo, porque desejam a nossa santidade e, por seu intermédio, a nossa salvação. Pode, por vezes, ser um pouco mais difícil encontrarmos Cristo na agrura dos caminhos que é preciso calcorrear na nossa vida. Nesses momentos, recorramos ao auxílio da nossa Mãe, que nos abraçará com o seu carinho e nos mostrará o Senhor, seu Filho. Encontrá-lo-emos, precisamente, nos incitamentos que sentimos dentro de nós a ser perseverantes, a levar a carga das dificuldades amparados no seu auxílio, a animar-nos a superar e a superar-nos perante os obstáculos que o dia a dia nos antepõe e a saber discernir o que é um verdadeiro degrau que é preciso subir de uma pedra de tropeço falsa que a nossa imaginação forjou e tanto nos atormenta.

Confiemos a Cristo e à Virgem Santíssima os nossos cuidados e não andemos pela vida como se Eles os dois não fossem, realmente, os nossos maiores amigos sempre atentos às nossas verdadeiras e reais necessidades.

Imagem: Mater Dolorosa, tela de EL GRECO.(Nossa Senhora das Dores -15 de Setembro).

Textos do Papa Bento XVI em Portugal (III)

«"É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição": dizia Pedro. E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial…» (Homilia, Praça dos Aliados, Porto, 14-V-2010).

«Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: "Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós" (1 Ped 3,15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois "sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: ‘Sem Mim, nada podeis fazer’ (Jo 15,5), e encoraja: ‘Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo’ (Mt 28,20)" (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78)» (Ib.).

«Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam» (Ib.)

«Trata-se de um mandato cuja fiel realização "deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição" (Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. Ad gentes, 5). Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: "Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça" (Jo 15,16). Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!» (Ib.).

Compilação Bento XVI em Portugal

NO MÊS PASSADO: AGOSTO DE 2010

Celebrou-se, no passado dia 15 de Agosto, neste ano Domingo, a Solenidade da Assunção da Virgem Nossa Senhora aos Céus. As Missas das 11.00h e, depois, a da tarde, às 19.00h, registaram um bom número de presenças, apesar das férias afastarem muitas pessoas de Lisboa. Entre as 17.30h e as 19.00h, houve Exposição Solene do Santíssimo Sacramento, rezando-se o Terço, como habitualmente antes da Missa da tarde.

Reorganização do acompanhamento sacerdotal

O P. José Ferreira Martins - que muitas horas dedicou à Paróquia durante estes seis primeiros anos, ao princípio até como Vigário Paroquial -, passará este ano a estar ainda menos presente, chamado por muitas incumbências pastorais que a sua vida de sacerdote lhe exigem. Como pároco, não posso deixar de aproveitar para manifestar em nome da paróquia o agradecimento pelo seu trabalho esmerado e persistente, deixando em tantas actividades paroquiais a sua marca de zelo, de ordem e de competência. Agradeço ainda ter manifestado a sua disponibilidade para continuar a realizar os Cursos Bíblicos como até aqui. Rezaremos pelas suas novas tarefas.

Além do P. Enrique Calvo, que já nos acompanhou no ano anterior, passará a colaborar mais frequentemente na paróquia a partir deste ano o P. Carlos Santamaria.

BAPTISMOS EM SETEMBRO DE 2010:

  1. Sábado, dia 04: 11.00h – Maria Leonor da Conceição 12.15h – Nuno Martins Lopes dos Santos
  2. Sábado, dia 11: 12.00h– Luís Miguel da Cunha António
  3. Sábado, dia 18: 12.00h – Maria Amadis Santos Silva

DAR A QUEM NECESSITA

Precisamos de atender as famílias que se encontram em situação difícil, quer por falta de comida, quer ainda, nesta altura do ano, porque precisam de pagar fortes quantias, apesar das ajudas que podem receber, com os livros escolares dos filhos. Aceitam-se, pois, ofertas dos dois tipos assinalados: géneros alimentícios duráveis e dinheiro. A vossa generosidade nunca faltou nestas ocasiões. Muito obrigado.

HORÁRIO DE MISSAS NA IGREJA PAROQUIAL DE TELHEIRAS (NOSSA SENHORA DA PORTA DO CÉU) DURANTE O MÊS DE SETEMBRO DE 2010

  1. Domingos - 10.00h, 12.00h e 19.00h
  2. Até dia 11, Sábado - de 2ª Feira a Sábado: 18.30h;
  3. A partir de dia 13, 2ª Feira: de 2ª Feira a 6ª Feira: 12.15h e 18.30h; Sábados: 18.30h

Obs – O Horário de Missas dos Domingos e o exposto em 3) manter-se-ão em vigor até 30 de Junho de 2011, 5ª Feira, salvo alguma indicação em contrário ou pontual.

HORÁRIO DE MISSAS NOUTROS LUGARES DE CULTO SITUADOS NO TERRITÓRIO DA PARÓQUIA DE TELHEIRAS

  1. Clínica Psiquiátrica de S. José – Irmãs Hospitaleiras do S.C.J: (Azinhaga da Torre do Fato, n. 8, Tel.: 21725110) – De 2º Feira a Sábado: 17.00h; Domingos: 10.00h.
  2. Lar Maria Droste – Irmãs do Bom Pastor: (Tv. da Luz, 2, Tel.: 217140086) – De 2º Feira a Sábado: 7.30h; Domingos: 8.30h.
  3. Colégio Planalto (R. Armindo Rodrigues, n. 11 – Alto da Faia, Tel. 217541530) – De 2ª Feira a 6ª Feira: 7.50h. Esta Missa só é celebrada durante o ano escolar, com excepção dos períodos de férias e dias feriados. Neste mês, começa a ser celebrada no dia 13, 2ª Feira.

Obs – É conveniente, se durante algum tempo não frequenta regularmente uma destas Missas, telefonar antes a confirmar o horário.

RECOLECÇÕES MENSAIS EM SETEMBRO 2010

Senhoras: 5ª Feira, Dia 09 - 19.15h, Igreja

Homens: 2ª Feira, Dia 20 - 19.15h, Igreja

CATEQUESE E CURSOS DE FORMAÇÃO PARA ADULTOS EM 2010/2011, NA NOSSA PARÓQUIA

I. CATEQUESE

a) DE CRIANÇAS

  1. Inscrições para o Ano Catequético 2010/2011: Abertas até 1 de Outubro, 6ª Feira.
  2. Os pais podem apresentar as matrículas dos seus filhos na Secretaria, nas horas normais de atendimento: 3ª a 6ª Feira, 16.30h-18.00h,
  3. Começo das aulas: Semana que se inicia na 2ª Feira, dia 11 de Outubro.
  4. Horário da Aulas no ano de 2010/2011: a. Grupo 1: Do 1º ao 7º Ano (Grupo 1): i) Raparigas: 5ªs Feiras, 17.45h-18.30h; Domingos: 11.00h-11.45h ii) Rapazes: 2ªs Feiras, 17.45h-18.30h; Sábados: 11.00h-11.45h b. Grupo 2: Do 8º ao 10º Ano: Domingos, 11.00h-11.45h, Colégio Alemão
  5. Reuniões de Pais dos alunos da Catequese: a. Grupo 1.: i): 27 de Setembro, 2ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja ii) 28 de Setembro, 3ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja b. Grupo 2.: 29 de Setembro, 4ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja

b) DE ADULTOS

  1. CATECÚMENOS: Orientação: P. Rui Rosas da Silva; as Aulas começam a 7 de Outubro, 5ª Feira – 19.15h. A administração dos Sacramentos de Iniciação Cristã aos catecúmenos, salvo indicação diferente em algum caso particular, terá lugar na Vigília Pascal de 2011, Sábado, 23 de Abril.
  2. PREPARAÇÃO PARA O CRISMA: . Orientação: P. Rui Rosas da Silva. as Aulas começam a 14 de Outubro, 5ª Feira. A administração do Crisma será presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, a 28/05/2011, Sábado, às 16.00h. Obs. – Na primeira aula destes cursos para adultos serão especificados os horários e entregues os sumários das diversas lições.

II. CURSOS DE FORMAÇÃO PARA ADULTOS

  1. A PALAVRA DE DEUS. Orientação: P. José Miguel Ferreira Martins. Ritmo: uma vez por mês, entre Outubro de 2010 e Junho de 2011.Obs – A temática deste Curso acompanha a orientação Pastoral do Patriarcado de Lisboa para o ano de 2010/2011. O seu horário será afixado a 20 de Setembro de 2010 (2ª Feira).
  2. CURSO DE TEOLOGIA PARA TODOS. Orientação: P. João Paulo de Campos: Ritmo: uma vez por mês, entre Outubro de 2010 e Junho de 2011. Temática das aulas 2010/011: A FÉ, A VERDADE E A RAZÃO: Existência de Deus, Vida além da morte, Evolução, etc. O seu horário será afixado a 20 de Setembro de 2010 (2ª Feira).

A oração mental - III

A oração mental, como qualquer conversa, não está isenta de dificuldades e perigos. Quem não experimentou o aparente fracasso de uma conversa? Quem não sentiu que do outro lado não havia correspondência? Quem nunca abandonou o convívio do amigo por um mero motivo de egoísmo?

Assim também com Deus, mas com uma diferença: é que este amigo «nunca atraiçoa» (cf. SÃO JOSEMARIA, Caminho 88). Quando sentimos que algo vai mal não podemos atribuir isso a um desinteresse do Senhor por nós; quando muito seria verdade o contrário. E vale sempre a pena perseverar na oração, mesmo quando aparecem as dificuldades.

Uma primeira dificuldade é a dispersão: a alma distrai-se continuamente com as preocupações da vida ou com as ânsias do dia que começa. Nesse caso vale a pena aproveitar precisamente essas coisas que nos distraem para falar delas com Deus. E então vemos soluções para o que nos preocupa e descobrimos a bondade no que nos angustia.

Uma segunda dificuldade é a secura: parece que a alma não sabe falar com Deus, tudo lhe custa um esforço desproporcionado. É uma das dores espirituais mais fortes. A alma não entende, porque não consegue falar com o seu Deus e quase sente vontade de chorar ou de desistir. Nessas alturas, deixemos que seja o coração a falar (cf. Caminho 102).

Uma terceira dificuldade: o cansaço. Quantas vezes a Escritura nos fala dos Apóstolos adormecidos na oração (cf. Lc 9,32; Mc 14,37)! Ajuda-nos mudar de posição, lavar a cara, escrever a nossa oração. Mas não desistamos. E se adormecemos o nosso Pai Deus sabe a pasta de que estamos feitos.

Uma quarta dificuldade: a aparente esterilidade da nossa vida e da nossa oração. De que me serve rezar? Tudo continua na mesma. É como se o demónio nos segredasse ao ouvido que abandonemos a oração. Não somos talhados para tão grandes voos. Somos gente vulgar… A oração é sempre eficaz (cf. Mt 7,7-11; Caminho 83, 96 e 101).