1 de agosto de 2010

Do pároco

Neste mês estival de Agosto, o mês de férias por excelência, quem de nós não pretenderia que ele se prolongasse indefinidamente, dando lugar a um mundo pleno de descanso e de tranquilidade. Esta realidade impossível para nós, foi possível para Deus Nosso Senhor, ao chamar a sua Mãe, Maria Santíssima para o Céu, o descanso eterno, não como acontecerá a nós ao morrermos, mas na plenitude do seu ser humano, isto é, em corpo e alma, como a Igreja declara no dogma da Assunção de Nossa Senhora. Certamente que, antes de qualquer mérito alcançado pela Virgem Santíssima na sua existência, Deus já a tinha escolhido para ser sua Mãe, pelo que a dotou com uma série ímpar de qualidades e prerrogativas, de entre as quais podemos sublinhar a isenção do pecado original.

Mas ao levá-la para o Céu, não incorreu em qualquer manifestação de nepotismo. Realizou um acto coerente de justiça para com aquela que, na sua vida terrena jamais pecou com o corpo ou com a alma. Mais ainda: em Maria realizou-se a plenitude da virtude, e não apenas a inexistência do pecado.

A vida desta mulher judia foi um constante hino de amor à vontade de Deus. Já perto do fim da Sua vida terrena, Cristo quis que ela assumisse a nossa maternidade, a fim de que, no Céu, quando para aí fosse levada, nós pudéssemos contar, juntamente com a misericórdia amorosíssima de Santíssima Trindade, a intercessão poderosa de uma Mãe comum a Deus e ao homem. Deste modo, guardando as devidas distâncias entre Deus criador e as criaturas que Ele determinou que existissem, Nossa Senhora, sendo criatura humana e, simultaneamente, Mãe de Deus, como que torna mais próximas a humanidade da divindade e a divindade da humanidade.

A sua Assunção determinou que existisse, a partir desse momento, no Céu, uma família semelhante àquela que nós conhecemos ao nascermos e ao sermos educados. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são, já por si, uma Família unida e cheia de Amor, pois o Pai é origem de toda a paternidade, o Filho de toda a filiação e o Espírito Santo é o Amor na sua absoluta perfeição. Ora, o amor é a qualidade essencial que deve presidir à vida familiar. Desde que Maria Santíssima foi assumpta aos Céus, temos aí também uma Mãe, como tivemos ou temos ainda aqui na terra. Mãe verdadeira, que intercede pelos seus filhos, que os educa, que os protege e deseja ardentemente que o seu futuro seja o melhor. E há melhor futuro do que o Reino dos Céus, onde a felicidade é perfeita?

Nossa Senhora pede por nós, solicita constantemente a Deus o nosso bem e o nosso futuro eterno. Quer ver todos os seus filhos no Céu, porque sabe que só aí é que eles podem ser verdadeiramente felizes e não noutro lugar. Tal como a nossa mãe terrena, também a Virgem Santa é perseverante na ajuda que nos possa prestar. Lembremo-nos do seu gesto cheio de ternura e de amizade real, quando palmilha longos quilómetros para ajudar a sua já anciã parente Isabel, a futura mãe de João Baptista. E se fez isto com uma sua familiar, quanto maior não será o seu desvelo para com aqueles que são seus filhos, irmãos de Cristo e filhos de Deus!

Ninguém pode ter mais capacidade de intercessão junto de Deus, porque Maria reúne em si os três laços de maior intimidade familiar com a Santíssima Trindade. É Filha de Deus Pai (predilectíssima pela sua santidade), Mãe de Deus Filho (gratíssimo por tê-Lo recebido em seu seio e educado de forma tão eficiente) e Esposa de Deus Espírito Santo (que sempre admirou em Nossa Senhora a sua plena identificação com os desígnios divinos que Ele lhe inspirou).

Neste mês de Agosto, tão cheio de férias e de descanso, rezemos muito a Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe, pedindo-lhe que nos ensine a descansar em Deus, fonte de toda a paz e alegria, aceitando a sua vontade como ela e o seu Filho Jesus. Podemos ter a certeza de que, quando as nossas mãos estão vazias de mérito (e tantas vezes será esse o seu estado!), Maria segredará a Jesus: “È certo que este teu irmão nada faz de recomendável. A sua vida é, realmente, um deserto de virtude, uma autêntica desgraça. Mas há nele pelo menos o meu amor de Mãe, que eu sei que tanto e tanto Te agrada. Foi isso que me pediste na Cruz – que eu fosse sua Mãe e o amasse como tal. E é esse meu amor maternal que eu ponho agora nas tuas mãos, para que lhe sirva de mérito e o possas julgar, se isso for possível, ainda com mais misericórdia!”

Tela de Murillo, século XVII

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