1 de julho de 2010

Textos do Papa Bento XVI em Portugal (I)

A recente visita do Santo Padre à nossa terra marcou-nos emotivamente. Uma visita é sempre, em primeiro lugar, um encontro de corações, de pessoas, e neste caso, de um pai com os seus filhos e as suas filhas. Mas é bom que, passado esse momento de alegria e prazer, prestemos atenção àquilo que ela nos deixou. O Papa deixou-nos o seu carinho – presente que procuraremos guardar na memória – a sua gratidão e até admiração por nós, mas deixou-nos também desafios e apelos. «A visita, que agora inicio sob o signo da esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e demissão» (Discurso, Aeroporto da Portela, 11-V-2010).

«Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos como que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa» (Homilia, Terreiro do Paço, 11-V-2010).

«Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina» (Ib.).

«Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?» (Ib.).

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