1 de julho de 2010

A oração mental

Quando o Papa João Paulo II quis propor à Igreja um programa para o terceiro milénio insistiu na santidade como «o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral» (Novo millennio ineunte, 30). E acrescentou que «há necessidade de um cristianismo que se destaque pela arte da oração» (Ib. 32). Esse objectivo é comuma qualquer época, mas talvez hoje notemos mais a sua urgência: possivelmente nunca ela foi tão necessária e talvez nunca como agora ela parece enfrentar obstáculos mais fortes. A oração, no entanto, admite duas formas básicas: ela pode ser vocal ou mental.

Chamamos oração vocal àquela que dirigimos a Deus servindo-nos de textos já compostos pelo próprio Senhor, como é o caso do Pai nosso, ou pela Igreja, como é o caso da Ave Maria, ou pelos Santos, com aprovação da Igreja. Ela é chamada vocal porque a podemos recitar com a voz exterior em união com outras pessoas.

Chamamos oração mental àquela que dirigimos a Deus servindo-nos da nossa própria intimidade. Aqui não existe um texto mas ela surge com a espontaneidade com que falamos com um amigo. Ela é chamada mental porque, embora possamos usar a voz exterior, ela é sobretudo recitada com a voz interior, da nossa mente.

A oração mental tem, como a oração vocal, uma dimensão de diálogo. Isto significa que não se limita a uma recitação, a um pedido ou a um acto de amor, de louvor ou de gratidão, porque Deus também fala. Deus responde à nossa oração colocando na nossa alma ideias, frases ou sentimentos que correspondem ao que Lhe dissemos.

Mas podemos dizer que a oração mental é o modo mais apropriado desse diálogo. Ela está mesmo feita para o diálogo, para que Deus responda. E Deus responde sempre, mesmo que responda com o silêncio. O resultadoda prática da oração mental é uma vida a dois, uma vida com Deus. Aquele que a pratica nunca está só.

Além de constituir uma firme companhia, Deus, ao comunicar-Se intimamente à alma, comunica-Lhe a sua própria Vida, através do Espírito Santo, que é a Pessoa divina a quem se atribui a inabitação pela graça, e também a santificação. É a isso que se chama ter vida interior, porque então já não se procura Deus fora, no exterior, mas dentro, na própria intimidade do coração. A oração mental é, deste modo, como que o alicerce da vida interior, aquela prática que permite e promove esta vida. Claro que isto implica que a alma procure com verdadeiro empenho estar sempre na graça de Deus.

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