1 de agosto de 2010

A oração mental (II)

A oração mental, tal como qualquer conversa, requer algumas condições. Quando queremos abrir o coração em confidência de amigo tentamos que não haja interrupções e procuramos a sua proximidade sensível, à vista e ao ouvido, porque nos interessa conhecer as suas reacções e as suas respostas.

Por vezes vamos passear para um lugar sossegado, outras vezes sentamo-nos tranquilamente, mas sempre evitamos tudo o que possa dispersar a atenção ou quebrar o diálogo. E todos temos experiência de como essas conversas são tão compensadoras porque enchem a nossa existência de paz e de uma serena alegria.

O mesmo princípio de actuação deve ser aplicado ao nosso diálogo com o nosso Pai Deus ou com Jesus, através do Espírito Santo que é quem nos revela como devemos orar (cf. Rm 8,26). Para não sermos interrompidos, para não sermos atraídos por outros assuntos, e uma vez que não podemos ver nem ouvir com os nossos sentidos corporais Aquele com quem falamos, requer-se que rodeemos esses tempos de alguma protecção. Ajuda-nos entrar numa igreja e situar-nos diante do Sacrário. Quando isso não é possível, o Senhor aconselha: «entra no teu quarto e fecha a porta» (Mt 6,6). O «quarto» pode não ser o sítio onde dormimos, mas alguma divisão da casa onde nos conseguimos isolar.

Além disso, importa ter com que ler e escrever. Gostávamos de falar com o Senhor de tantos assuntos e por vezes, no momento de fazer oração, eles não nos ocorrem: então abrimos um livro – pode ser o Evangelho ou um livro espiritual – ou a nossa agenda onde fomos tomando apontamentos das coisas da nossa alma (cf. Caminho n. 97).

Para quem tem um dia cheio de ocupações e filhos pequenos, pode ajudar o exemplo do próprio Senhor: Ele retirava-Se a orar muito cedo, antes que o dia começasse (cf. Mc 1,35). Essa generosidade implica que cuidemos da hora de deitar e, se algum dia não nos podemos deitar tão cedo quanto seria aconselhável, que saibamos oferecer a Deus o sacrifício de uma noite menos reparadora. Mas não deixemos a oração para tarde. Esse adiamento pode parecer prudência e, no entanto, revela-se frequentemente uma ingenuidade porque nos retira daquilo que é mais importante (cf. Lc 10,42).

É preferível que este diálogo seja diário, mesmo que curto – bastam dez a quinze minutos –, a tê-lo esporadicamente e de modo longo. Uma vez que Deus está sempre disponível para nos ouvir aproveitemos essa proximidade. Como há tanto que fazer não é bom prolongar esse tempo quando recebemos consolos (cf. Caminho 99).

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