1 de julho de 2010

Do pároco

Julho sabe a férias, tempo de descanso e de preparação do próximoano laboral.

As suas características especiais fazem-nos lembrar de que há momentos de pausa que devem ser muito bem aproveitados para pôr a nossa vida em ordem.

E isto não é possível sem nos fixarmos em quem devemos lembrar antes de qualquer outra realidade. Para o efeito, recordemos o 1º Mandamento da Lei de Deus: “Adorar e amar a Deus sobre todas as coisas”.

Somos criaturas de Deus. O que significa que a Deus tudo devemos. Não há nada que com Ele não se relacione ou que d’Ele seja autónomo. Por isso, este tempo de descanso e de pausa não terá qualquer significado coerente se não for aproveitado para alcançarmos um melhor relacionamento com Ele, rectificando o que está menos bem – ou mal – e dando graças por tudo aquilo que fizemos de acordo com o que Ele deseja. Fazer a vontade de Deus é sempre fazer o melhor que se pode fazer, porque é cumprir um desejo amoroso de Quem é perfeito em tudo, incluindo naquilo que pede aos outros para levar a cabo.

Tudo o que Deus quer que façamos é orientado pela sua caridade, ou seja, pelo seu amor perfeito pelas criaturas. Inclui a justiça: Deus não nos pede o que não podemos – “Ninguém é tentado acima das suas próprias forças”(1 Cor 10, 13), diz-nos S. Paulo – ou que não é bom para nós – os desígnios de Deus sempre e apenas visam o nosso maior bem. E inclui a misericórdia: Deus compreende as nossas debilidades e é capaz de perdoar, assim como sempre nos ajuda com a sua graça a realizar as tarefas de que nos incumbe. Às vezes podem tornar-se árduas e, aparentemente, inacessíveis às nossas forças e, sobretudo, aos nossos gostos. S. Paulo também sofreu tribulações desse tipo e queixou-se. Interiormente, porém, ouviu uma voz divina que lhe garantia: “Basta-te a minha graça!” (2 Cor 12, 9).

Vamos para férias, mas não punhamos Deus no cabide do esquecimento, mais ou menos voluntário. Preparemos estes dias com calma e peçamos ajuda ao Senhor para que não só não O esqueçamos, como andemos mais acompanhados por Ele em todas as circunstâncias. Sobretudo, deixemos que Ele entre com facilidade no nosso coração. Levemos connosco algum bom livro de formação, que nos anime a percebê-Lo melhor e a não termos receio de que Ele se abeire de nós. Falemos com Deus como seus filhos que somos, isto é, com inteira confiança e como desejo de ganhar maior intimidade com a sua realidade.

À partida, não devemos ir para férias, escolhendo um local duvidosamente honesto ou onde não sejamos capazes de cumprir o preceito de ouvir Missa inteira aos domingos e nos dias de preceito. Como alguém dizia, pôr de lado Deus neste tempo é esquecer que Ele é omnipresente, ou seja, está em toda a parte e em toda a parte Se pôe à nossa disposição. A questão é que queiramos encontrá-Lo. E haverá lugar mais adequado do que o silêncio de uma igreja, onde Ele, dia e noite, com uma disponibilidade total, se deixa acercar por todos os que O procuram no Sacrário?

Como vemos, é só uma questão de boa vontade. Apliquemo-la. Não façamos das nossas férias um espaço sem sentido, onde o egoísmo se contrapõe e sobrepõe a tudo o que é digno na nossa condição de filhos de Deus, que mereceu que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade dignificasse a nossa natureza com a sua Encarnação. E não de uma forma etérea ou confusa. Cristo foi um de nós, exactamente igual – salvo no pecado. Exceptuando a sua concepção miraculosa, por obra do Espírito Santo, cresceu no seio materno de Nossa Senhora como qualquer bebé. Nasceu ao fim do tempo de gravidez habitual. E teve de ser tratado pelos seus pais de forma carinhosa e constante, nos primeiros anos da sua vida, sob pena de não poder sobreviver como toda a criança que dá os primeiros passos aqui na terra. Deus fez-Se homem verdadeiro para nos dizer que vale a pena ser homem! Mas só o vale se, como Jesus Cristo, nós pudermos dizer – decerto com uma veemência muito mais frouxa: “O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai”!

Sem comentários:

Enviar um comentário