1 de maio de 2010

A vida do Santo Cura d’Ars – (XI)

O povo atribuía ao santo pároco muitas curas milagrosas, embora ele sempre responsabilizasse a sua querida Santa Filomena, uma virgem mártir dos primeiros tempos do cristianismo, de quem tinha obtido uma relíquia e por quem nutria uma profunda devoção. Certo dia, uma mãe trouxe-lhe um filho com um tumor debaixo do olho para que o benzesse; quando o benzia, a senhora tomou a mão e fez com que tocasse no tumor, o qual desapareceu imediatamente; o facto divulgou-se e o Santo andava a fugir com a cara entre as mãos porque era evidente que a atribuição a Santa Filomena era difícil de estabelecer.

Mas embora fosse sensível à dor alheia não era curandeiro. Sabia que a dor é preciosa para quem tem fé. Às vezes chegava a dizer: «A maior cruz é não ter cruz» (Jeanne Marie CHANAY, Processo do Ordinário, p. 683). E a quem lhe falava de penas dizia: «Tanto melhor, meu amigo, tanto melhor!» (Irmão ATANÁSIO, Ib., p. 670). Dizia a certo doente: «Meu amigo, não sei se hei-de rezar pela sua cura. Não convém tirar a cruz das costas dos que a sabem levar tão bem» (Processo apostólico in genere, p. 346). Estas e outras frases ajudam a entender que apesar de alguns milagres amava a Cruz e os padecimentos.

O Santo Cura d'Ars padeceu de doenças várias e as suas penitências corporais foram muito duras. Em Maio de 1843 adoeceu até ao ponto de ficar de cama. Mesmo então não perdeu o bom humor. O Doutor Saunier, seu médico habitual, convocou outros três médicos, que vieram a correr. «Ao ver toda a Faculdade junto à cama disse a rir: “Sustento neste momento um grande combate”. “Contra quem, senhor padre?”, perguntaram-lhe e ele respondeu: “Contra quatro médicos. Se chegar outro dou-me por morto”» (Senhora DES GARETS, Carta de 14-V-1843).

Dessa doença recuperou, mas em 1859 tudo indica que o santo pressentiu que se aproximava o seu fim. À uma da manhã de Sábado, dia 30 de Julho, sentiu que se esfriava, apesar do tempo caloroso e de trovoada; estava no seu quarto e Catarina Lassagne tinha ficado sem ele saber no quarto ao lado; o santo pediu-lhe para ir chamar o seu confessor porque era o seu «pobre fim», mas que não se ocupasse do médico. Catarina naturalmente obedeceu ao primeiro mas desobedeceu ao segundo, e começou uma lenta agonia que terminaria às duas da manhã de 4 de Agosto; tinha 73 anos e 41 de pároco em Ars.

Durante a sua última doença alguém sacudiu as moscas para que não o incomodassem – era Verão –, ao que ele disse: «Deixe lá as pobres moscas… Não há nada incómodo fora do pecado». A sua morte deu-se cheia de paz.

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

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