3 de abril de 2010

Do Pároco

Quanta alegria interior não sentimos por saber que Cristo ressuscitou verdadeiramente. Temos a sorte de conhecermos bem o que se passou sob o ponto de vista histórico, graças aos quatro Evangelhos, que narram este acontecimento de uma forma tão simples e veraz. Não há nada neles que seja artificial, difuso ou estranho. Com a mesma singeleza com que se conta o nascimento do Messias num presépio, assim se diz que Ele ressuscitou e apareceu aos apóstolos, a sua Mãe e a muitos discípulos, que depois transmitiram essa experiência inesquecível e sempre marcante na sua vida de fé.

Mais uma vez – como em todas as outras ocasiões – o Senhor Jesus cumpriu aquilo que havia prometido. Mesmo assim, os seus seguidores mais directos e privilegiados, os Apóstolos, têm dificuldade em aceitar tão extraordinária aparição. Sentem medo de errar e é o próprio Cristo que lhes tem de dizer que é Ele mesmo, O que os tinha ensinado, O que os amava de um modo tão forte e que lhes tinha afiançado que havia de ressusciar ao fim de três dias, depois de ser tão maltratado e condenado à morte.

Às vezes somos teimosos como Tomé. O testemunho unânime dos outros não nos convence. Suspeitamos, apesar de tudo, que pode haver um erro, uma ilusão. Por isso, ou somos testemunhos directos do que nos anunciam, ou não cremos.

E o paciente e grande Amigo Jesus, lá tem de lhe aparecer e o recriminar, à frente de todos os apóstolos, censurando-o com vigor: “Tomé, Tu acreditaste porque me viste; bem-aventurados os que acreditaram sem terem visto” (Jo 20, 29).

Se ao apóstolo temos de agradecer a sua confissão sobre a divindade de Cristo: “Meu Senhor e meu Deus!” (IBIDEM), a Jesus deveremos manifestar a nossa gratidão por sermos daqueles que O não viram mas acreditaram. A fé é uma virtude essencial e dela devemos viver, sabendo que Cristo é Deus feito homem, pelo que todas as suas palavras e acções, ao terem a marca da perfeição total da divindade, são mais credíveis do que os nossos juízos ou os juízos daqueles que se sentem na necessidade de pôr em causa a palavra de Deus, sem encontrarem jamais soluções alternativas, porque sempre pecam por imperfeição e por caducidade.

A Ressurreição não é apenas mais uma certeza de que o que Cristo diz é verdade. É a confirmação de que Ele é Senhor da vida e da morte. Esta, se O afectou, não O fez desaparecer. Serviu de teste ao seu poder omnipotente, capaz de realizar em Si mesmo – a sua divindade não o podia trair – a Ressurreição do seu Corpo, ao voltar a sua alma humana a animá-lo e a dar unidade a todos os seus membros.

Acreditemos em Cristo. Neste aspecto, devemos não proceder comos os Apóstolos, pelo menos antes de O verem com os seus próprios olhos no meio deles, comendo e conversando com a afabilidade que O caracterizava e os enchia de gozo e de confiança.

Imitemos a Fé de Maria Santíssima, talvez a única criatura que nunca pôs em causa a Ressurreição do seu Filho tão amado. Maria é mestra de fé, pois é também mestra de oração. E foi nela e por ela que encontrou a fé de que necessitava para crer em Jesus e nas suas promessas. A oração, diálogo com Deus possível em todas as circunstâncias da nossa vida, é o instrumento da nossa intimidade com Deus. Sem oração, desconhecemos Deus e os seus desígnios. Mais: haverá uma distância constante entre nós e Ele, que nunca nos permitirá conhecê-Lo bem, nem amá-lo sobre todas as coisas.

Diz o povo sabiamente que “é a falar que a gente se entende”. Se não dialogamos com Deus assiduamente, se Ele não é para nós o ponto de referência de todos os aspectos da nossa vida, se não nos acompanha nas nossas tarefas profissionais, se não preside às nossas relações familiares e sociais, Deus e Jesus serão sempre seres distantes. Pior: seres mais ou menos desconhecidos, aos quais não prestaremos atenção nem entenderemos os seus projectos de Amor para conosco.

A vida do Santo Cura d’Ars (X)

O venerável pároco de Ars adquiriu com a sua união com Cristo Sacerdote uma sabedoria que não tem explicação humana e que, por vezes, pode mesmo ser motivo de estranheza para quem não goze da mesma intimidade com Deus. Os seus conselhos não só se revelam proféticos no sentido temporal, de previsão do futuro, mas sobretudo num sentido muito mais profundo, que se prende com a própria etimologia da palavra – prophêtês «aquele que fala em vez de alguém (normalmente em vez de Deus) –: são conselhos verdadeiramente inspirados.

Conta-se que Francisca Lebean, uma pobre jovem de Saint-Martin-de-Commune (Saône et Loire), tinha ficado completamente cega. Empreendeu com a sua mãe a viagem a Ars. Durante o caminho mendigaram o pão de cada dia, e dormiram nos estábulos. O Cura de Ars não temeu descobrir à cega, cuja têmpera valorosa o olhar inspirado do Reverendo Vianney tinha sondado, algo do mistério divino que se esconde no sofrimento. "Minha filha, disse-lhe, poderias curar-te, mas se Deus te devolvesse a vista a tua salvação não seria tão segura. Se, pelo contrário, te conformas com a tua doença, irás para o Céu e garanto-te que terás aí um bom lugar". Esta mesma jovem ainda perguntou se não seria uma carga para os seus irmãos e o Cura de Ars tranquilizou-a: eles chegariam ao seu termo muito velhos e teriam cuidado dela. A cega entendeu tudo; não pediu para ser curada e foi-se embora cheia de resignação.

No entanto, o santo Cura não gostava de que se soubesse que ele era um verdadeiro profeta, até porque se considerava muito miserável (como já vimos). Uma rapariga de Savóia, logo que chegou ao confessionário e antes de que falasse escutou como o Cura de Ars lhe revelou a sua família e a sua alma; ela, impressionada, foi contar ao pe. Toccanier o qual perguntou ao Santo que lhe respondeu: «Ah, é que fiz como Caifás: profetizei sem me aperceber» (Revº TOCCANIER, Processo do Ordinário, p. 145). De facto, São João refere que Caifás, que condenou à morte Jesus profetizou por ser o Sumo Sacerdote naquele ano e não por ser santo (cf. Jo 11,51).

Uma rapariga de Arcinges (Loire), chamada Stephanie Vermorel, foi confessar-se, e, por duas vezes, o Santo fez-lhe notar que se tinha esquecido de alguns pecados; à segunda ela não se conseguia lembrar daquele pecado, mesmo depois dele lho ter descrito com pormenor, e disse-lhe que quando passasse por certo sítio se lembraria, o que aconteceu; deu-lhe a absolvição desse pecado também e disse-lhe que a sua vocação era de virgindade no meio do mundo. O episódio tem interesse não só pelo discernimento e penetração que o Santo revela sobre o passado daquela alma como também sobre o seu futuro e o seu presente, isto é, aquilo para o que Deus a tinha criado, mesmo que essa vocação não fosse comum naquela época (o celibato no meio do mundo).

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

Baptismos em Abril:

Sábado, Dia 3: Vigília Pascal

  • Gabriela Maria D. Ferreira Pinto Basto Louro
  • Leite Diogo Maxossi Agostinho

Sábado, Dia 10:

  • 12.00h – Maria Francisca Norton de Sampaio
  • 17.00h – Margarida Sequeira Sapina de Almeida Fernandes

Domingo, Dia 11: 16.00h – Catarina de Brito Areia dos Reis Silva

TRÍDUO PASCAL NA PARÓQUIA DE TELHEIRAS

5ª Feira Santa, 1 de Abril: 19.00h – Missa Vespertina da Ceia do Senhor. Do final da Missa até às 23.00h – Adoração do Santíssimo Corpo de Jesus e Confissões

6ª Feira Santa, 2 de Abril: 16.00h – Celebração da Paixão do Senhor

Sábado Santo, 3 de Abril: 22.00h – Vigília Pascal

Domingo, 4 de Abril: Missas às horas normais dos Domingos – 10.00h, 12.00h e 19.00h

Catequese

Lembra-se a todos os pais que o recomeço das aulas de Catequese está marcado para a semana que se inicia na 2ª Feira, dia 12 de Abril.

Cursos Que Pode Frequentar Na Nossa Paróquia Neste Mês

  • Curso de Teologia para Todos –Uma vez por mês. Próxima sessão: Dia 20, 3ª Feira, 19.15h: e 21.50h;
  • Curso de Preparação para o Crisma5ªs Feiras, 19.15h: Dias 15, e 29 - Para paroquianos e outras pessoas que desejem ser Crismados.
  • Curso Bíblico sobre o sacerdócio: Segundo a ordem de Melquisedec (Orientação: José Miguel Ferreira Martins) – Dia 15, 5ª Feira, 21.30h: O Sacerdócio Apostólico Obs. - Este curso destina-se a toda a Vigaraia II, à qual pertence a nossa Paróquia. Realiza-se no Salão Paroquial da Igreja da Portela: Av. dos Descobrimentos, n. 4 (Portela)

Folar Da Páscoa - Ajudar Os Que Mais Precisam:

5ª Feira Santa de Manhã, 10.30h-12.00h

Neste ano, foram 60 famílias que receberam o "Folar da Páscoa", havendo distribuição e escolha de roupas no último dia de Março, e a entrega dos Folares no primero dia deste mês de Abril, entre as 10.30h e as 12.00h.

Agradecemos a todos os paroquianos que contribuiram generosamente com géneros alimentícios, dinheiro, roupas ou trabalho, para que tudo tivesse corrido bem. Dum modo especial, gostaríamos de manifestar o nosso "Bem haja" ao Colégio Planalto, na pessoa do seu Director, o Dr. António José Sarmento, dos pais, dos professores, dos alunos e dos seus funcionários, nomeadamente da Senhora D. Teresa Viana, que deram uma ajuda material e logística inexcedíveis.

Muito obrigado e que Nossa Senhora da Porta do Céu a todos proteja.

Recolecções Mensais

2ª Feira, 12: Homens: 19.15h –Igreja

5ª Feira: 08: Senhoras: 19.15h – Igreja

O que é a recolecção?

No Mês Passado

Durante a semana de Domingo, 14, a Domingo, 21, foi a nossa Paróquia visitada pela imagem do Bom Pastor Peregrino, que tem percorrido as diversas comunidades paroquiais, a fim de concretizar os objectivos propostos pelo Santo Padre, Bento XVI, para o Ano Sacerdotal: Santidade dos sacerdotes e orações sacerdotais.

Recebida a imagem da Paróquia do Lumiar às 17.00h do dia 14, foi entregue no dia 21, às 11.00h, à Paróquia do Beato.

Durante a semana em que permaneceu entre nós, todos os dias, perante a presença de Cristo no Santíssimo Sacramento, foi-nos possível rezar mais intensamente pelas intenções referidas. O Senhor da Messe e a Sua Mãe, Maria Santísima, certamente, na sua misericórdia, terão em conta as orações que fizemos para que haja mais sacerdotes santos e floresçam em todo o mundo e, de um modo especial, na nossa diocese e na nossa paróquia, as vocações sacerdotais.

Agrupamento Nº 683 Do CNE – Actividades Neste Mês

Entre todas as iniciativas programadas para este mês, destaca-se a que ocorre entre 9 e 10, 6ª Feira e Sábado: a Festa das promessas. É sempre muito relevante que um bom grupo de jovens faça as suas promessas. Com elas se compromete a viver melhor e com mais sentido de responsabilidade o ideal escuta, com toda a sua carga de chamamento à responsabilidade naquilo que faz e o espírito de serviço leal que deve prestar a Deus e aos outros.

O programa mais pormenorizado será indicado dentro em breve. A Eucaristia de Sábado, às 18.30h será um dos momentos mais significativos desta actividade que todos os anos se repete.

A virtude da alegria

A alegria é, em primeiro lugar, um sentimento. E os sentimentos são movimentos da sensibilidade que se produzem de um modo não voluntário mas segundo um certo automatismo. Na literatura teológica chamam-se paixões. As paixões podem ser directas ou indirectas, por coisas boas ou por coisas más. As paixões directas por coisas boas são três: o amor, o desejo e a alegria. O amor é a paixão que se desperta pela consideração de um bem. O desejo aquela que inclina a possuí-lo. E a alegria aquela que se verifica quando se possui esse bem.

A alegria, no entanto, é também uma virtude cristã. São Paulo exortava os cristãos de Filipos: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!» (Fp 4,4). Esta insistência do Apóstolo deve ajudar-nos a entender que a alegria, para um cristão, não é só um sentimento; é algo que se procura, que se busca usando da própria força da alma, quer seja sentida quer não seja, e é a isso que se chama virtude. O mesmo Apóstolo explica noutras epístolas: «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9,7) e aos Gálatas diz que a alegria é um fruto do Espírito Santo (cf. Ga 5,22).

Como é que se pode transformar um sentimento numa virtude? Como é que se pode transformar uma ocorrência momentânea numa disposição habitual? A prática da alegria exige que se considere de um modo frequente aquilo que já possuímos e aquilo que ainda não possuímos mas temos uma esperança firme de vir a possuir.

O Papa Bento XVI na Encíclica Spe salvi explica que a esperança consiste naquilo que a fé dá ao crente segundo a definição de fé da Epístola aos Hebreus (cf. Hb 11,1), i.e., há um penhor, uma realidade objectiva que nós já possuímos e que se nos dará em plenitude mais tarde (cf. n. 7). A consideração frequente da felicidade futura alimenta a alegria.

O exercício desta virtude é, portanto, uma prática cristã. O cristianismo não pode ser nunca uma religião de tristeza porque isso seria identificá-lo com uma realidade má. A fé ensina-nos que já somos filhos de Deus e que ainda não se manifestou plenamente o que havemos de ser (cf. 1 Jo 3,2) mas essa esperança não defrauda porque o amor de Deus já foi derramado nos nossos corações (cf. Rm 5,5). Ao ser virtude a alegria exige o esforço: o esforço por sorrir, o esforço por ser optimista, o esforço por retirar peso às coisas más que a vida traz necessariamente consigo.