1 de fevereiro de 2010

A vida do Santo Cura d’Ars (VIII)

A ciência do pároco de Ars era sobretudo o fruto do dom do Espírito Santo. Ele procurava estudar mas há muita sabedoria que se percebe não ser explicável humanamente. Conseguia ler as almas e conhecia-as antes mesmo de que começassem a falar.

Por vezes são frases curtas e espontâneas mas tão certeiras que deixam uma grande impressão na alma. Uma religiosa relatava muitos anos depois o seu primeiro encontro com o santo, quando era muito pequena. Foi em Julho de 1856: «"Meu Padre, trouxe-lhe uma pequena sabiazinha". Assim fui apresentada ao Cura de Ars. Respondeu ele: "Tanto pior! Tudo isto não vale um acto de amor de Deus…"» (Irmã MARIA MATILDE, Carta a Mons. Convert, Convento das Ursulinas na Via Nomentana, Roma, 1916).

Outras vezes são conselhos cheios de prudência, que procedem de um espírito maduro que não se deixa levar facilmente pelo fervor momentâneo. Uma das mulheres a quem confiou a direcção da Providência de Ars (instituição de que já falámos anteriormente) era Catarina Lassagne, que também era sua dirigida espiritual. «Um dia – conta ela –, ao começar a Quaresma, disse-me que não jejuasse. Mas, senhor Padre, repliquei-lhe, como é que o senhor jejua? – É verdade – respondeu-me – mas eu, apesar dos jejuns, posso cumprir o meu dever; tu, pelo contrário, não poderias» (Catarina LASSAGNE, Processo do ordinário, p. 498).

Não tinha complexos para ser exigente com os seus penitentes quando lhe parecia que o assunto merecia. É difícil captar todo o carinho que as suas palavras traziam, mesmo sendo duras. Não era duro de uma forma seca. Certa vez disse a uma senhora grávida e já com muitos filhos: «Está muito triste, minha filha, disse-lhe quando estava ajoelhada no confessionário. – Ah, é que já sou de idade avançada, meu Padre! – Tenha coragem, filha… Se soubesse quantas mulheres estão no Inferno por não ter dado ao mundo os filhos que tinham obrigação de lhe dar!» (Annales d’Ars, Agosto 1907, p. 91).

«Ânimo! – dizia com paternal afecto a uma senhora que lhe confiava as suas angústias por causa da numerosa prole – que não lhe atormente a si a carga: quando Deus concede a uma mãe muitos filhos, é sinal de que a julga digna para os educar. É, por parte de Deus, uma prova de confiança» (Rev.º MONNIN, Le Cure d’Ars II, p. 552).

Também aos sacerdotes, seus colegas e seus irmãos, dava conselhos cheios de sabedoria. A um sacerdote que se queixava da frieza dos seus paroquianos e da esterilidade do seu zelo, afirmava: «Já pregou? Já rezou? Já usou as disciplinas? Já dormiu no duro? Enquanto não se resolver a isto não tem direito a queixar-se» (Rev.º TOCANNIER, Notas manuscritas, p. 31).

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

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