1 de fevereiro de 2010

Mensagem para a Quaresma 2010

Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para a Quaresma de 2010

Mensagem de Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal-Patriarca de Lisboa D. José da Cruz Policarpo para a Quaresma de 2010

Do Pároco

O segundo mês do calendário litúrgico, o mês de Fevereiro, assinala, como data fundamental para a nossa piedade, o dia 17, 4ª Feira de Cinzas. Principia a Quaresma, tempo de expectativa e de preparação da Páscoa, que neste ano calha a 4 de Abril.

É certamente um período em que devemos estar mais atentos à penitência e à oração. A Páscoa assinala-nos a gloriosa Ressurreição de Jesus. Mas para que ela se realizasse, foi preciso primeiro que Nosso Senhor tivesse oferecido a sua vida, por todos e cada um de nós, no doloroso sacrifício da Cruz.

Deste modo, não podemos viver os acontecimentos alegres do domingo de Páscoa, sem primeiro termos experimentado, com Jesus, as dores do Calvário, onde nos encontraremos bem acompanhados por Maria, que passa a ser, pouco antes da morte do seu Filho, nossa Mãe.

Ora, as situações difíceis da vida, são bem aproveitadas por nós, quando sabemos suportar as suas agruras, pedindo a Deus ajuda para as aceitarmos como uma participação mais estreita no sacrifício de Jesus. Daí a necessidade da penitência e da oração.

A primeira leva-nos a arrepender do mal que fazemos, pedindo perdão ao Senhor; a segunda, familiariza-nos no diálogo com Cristo, sabendo o que Ele nos pede e como devemos fazer a sua vontade. No final, nasce a alegria de sermos seus discípulos, porque n’Ele, com Ele e por Ele descobriremos a paz e a alegria verdadeiras.

Para que a nossa relação com Deus não conheça muitas interrupções ao longo dia a dia, a Igreja propõe-nos muitas sugestões extremamente apelativas, que a sua enorme tradição foi concretizando ao longo dos tempos. Uma entre muitas, muito simples e acessível, consiste no convite que nos faz de dedicarmos cada dia da semana a uma devoção concreta. Fixando nela a nossa atenção e o nosso esforço, poderemos dialogar melhor com Deus.

Assim, aos domingos, dia do Senhor, podemos louvar com mais intensidade a Santíssima Trindade, cobrindo as nossas horas e os nossos passos com jaculatórias ao Deus Uno e Trino. Por exemplo: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...; ou então: Deus Pai protegei-me; Deus Filho auxiliai-me; Deus Espírito Santo iluminai-me.

Às 2ªs Feiras, como dever de caridade, recordaremos de um modo especial as almas do Purgatório. Começando por aquelas por quem temos mais obrigação de pedir, a nossa oração cobrirá todas. "Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso..."

Os Anjos da Guarda ocuparão a nossa atenção devota nas 3ªs Feiras. Esse ajudante precioso que Deus nos dá, lembrar-nos-á a singela oração que aprendemos em crianças: "Anjo da Guarda, minha companhia...". Tentaremos cumprimentar o anjo de cada pessoa com quem falarmos e o nosso, que não deve ficar esquecido.

S. José, o santo do silêncio e da disponibilidade para cumprir sem regateios a vontade de Deus, poderá tranformar-se no centro da nossa devoção nas 4ªs Feiras. Faremos um propósito de só opinarmos se for absolutamente necessário e não protestaremos perante as contrariedades, contando com o auxílio do marido de Nossa Senhora.

Nas 5ªs Feiras, estará presente o nosso amor à Eucaristia. Quantas comunhões espirituais seremos capazes de dizer ao Senhor, com que amor nos abeiraremos do Santíssimo Sacramento e leremos a cena evangélica da sua instituição, na 5ª Feira Santa.

Às 6ªs, a Paixão e Morte do Senhor serão o fulcro dos nossos pensamentos e das nossas relações com Deus. Queremos estar com Maria no Calvário, seremos mais mortificados na imaginação, nos sentidos, não sairemos duma refeição sem termos feito um sacrifício que nos custe e faremos o propósito de aceitar as humilhações desse dia de forma calada e discreta.

Honrámos até agora a Trindade, o Filho na Eucaristia e no Calvário, os anjos da guarda, S. José e pedimos pelas almas do Purgatório. Falta-nos recordar que, na agonia da Cruz, Cristo pediu e aceitou da Virgem Santíssima a nossa maternidade. Não sejamos filhos distraídos em relação a este bem explêndido com que o Senhor nos quis presentear. Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, é nossa Mãe. Dediquemos-lhe este dia da semana, rezando melhor o Terço e tantas outras orações. Maria deve tornar-se senhora dos nossos sábados.

Imagem: No Jardim das Oliveiras

A vida do Santo Cura d’Ars (VIII)

A ciência do pároco de Ars era sobretudo o fruto do dom do Espírito Santo. Ele procurava estudar mas há muita sabedoria que se percebe não ser explicável humanamente. Conseguia ler as almas e conhecia-as antes mesmo de que começassem a falar.

Por vezes são frases curtas e espontâneas mas tão certeiras que deixam uma grande impressão na alma. Uma religiosa relatava muitos anos depois o seu primeiro encontro com o santo, quando era muito pequena. Foi em Julho de 1856: «"Meu Padre, trouxe-lhe uma pequena sabiazinha". Assim fui apresentada ao Cura de Ars. Respondeu ele: "Tanto pior! Tudo isto não vale um acto de amor de Deus…"» (Irmã MARIA MATILDE, Carta a Mons. Convert, Convento das Ursulinas na Via Nomentana, Roma, 1916).

Outras vezes são conselhos cheios de prudência, que procedem de um espírito maduro que não se deixa levar facilmente pelo fervor momentâneo. Uma das mulheres a quem confiou a direcção da Providência de Ars (instituição de que já falámos anteriormente) era Catarina Lassagne, que também era sua dirigida espiritual. «Um dia – conta ela –, ao começar a Quaresma, disse-me que não jejuasse. Mas, senhor Padre, repliquei-lhe, como é que o senhor jejua? – É verdade – respondeu-me – mas eu, apesar dos jejuns, posso cumprir o meu dever; tu, pelo contrário, não poderias» (Catarina LASSAGNE, Processo do ordinário, p. 498).

Não tinha complexos para ser exigente com os seus penitentes quando lhe parecia que o assunto merecia. É difícil captar todo o carinho que as suas palavras traziam, mesmo sendo duras. Não era duro de uma forma seca. Certa vez disse a uma senhora grávida e já com muitos filhos: «Está muito triste, minha filha, disse-lhe quando estava ajoelhada no confessionário. – Ah, é que já sou de idade avançada, meu Padre! – Tenha coragem, filha… Se soubesse quantas mulheres estão no Inferno por não ter dado ao mundo os filhos que tinham obrigação de lhe dar!» (Annales d’Ars, Agosto 1907, p. 91).

«Ânimo! – dizia com paternal afecto a uma senhora que lhe confiava as suas angústias por causa da numerosa prole – que não lhe atormente a si a carga: quando Deus concede a uma mãe muitos filhos, é sinal de que a julga digna para os educar. É, por parte de Deus, uma prova de confiança» (Rev.º MONNIN, Le Cure d’Ars II, p. 552).

Também aos sacerdotes, seus colegas e seus irmãos, dava conselhos cheios de sabedoria. A um sacerdote que se queixava da frieza dos seus paroquianos e da esterilidade do seu zelo, afirmava: «Já pregou? Já rezou? Já usou as disciplinas? Já dormiu no duro? Enquanto não se resolver a isto não tem direito a queixar-se» (Rev.º TOCANNIER, Notas manuscritas, p. 31).

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

Catequese

As aulas serão interrompidas neste mês, de acordo com o ano escolar (Férias de Carnaval), entre o dia 13, Sábado e o dia 17, 4ª Feira de Cinzas.

Na Catequese de Adultos, salienta-se que o rito de eleição de Catecúmenos está marcado para a Sé Catedral de Lisboa, no dia 20, Sábado, às 11.00h, com a presença do Senhor Patriarca.

Ausências de Sacerdotes durante Fevereiro

P. Rui: de 12, 6ª F. a 17, 4ª F., da parte da manhã: Retiro Espiritual P. João: de 4, 5ª F., a 7, Dom.: Pregação de um retiro para senhoras em Fátima.

Nota: 3ª feira, dia 3 de Janeiro, é o aniversário do Padre João Campos.

Recolecções mensais

2ª Feira, 1: Homens; 19.15h – Igreja

5ª Feira, 11: Senhoras: 19.15h – Igreja

O que é uma recolecção?

Cursos a decorrer durante o mês de Fevereiro

De Preparação para o Crisma: (Orientação: P. Rui Rosas)

  • Aulas: 5ªs Feiras, 19.15h:
  • Dia 4: O Sacramento do Baptismo
  • Dia 18: O Sacramento da Eucaristia

Teologia para todos: Orientação pelo P. João Campos,

  • Aulas: 3ª Feira, 23, 19.15h ou 21.30h. Tema - Amar a Deus sobre todas as coisas

Catecúmenos: (Orientação: P. Rui Rosas)

  • Aulas: Sábados, 11.00h:
  • Dia 6: Os Sacramentos e a vida do cristão; Os Sacramentos da Iniciação Cristã
  • Dia 20: Os outros Sqacramentos instituídos por Jesus Cristo
  • Dia 27: O Sacramento do Baptismo

Curso Bíbllico sobre o sacerdócio: Segundo a ordem de Melquisedec (Orientação: P. José Miguel Ferreira Martins)

  • Dia 11, 5ª Feira, 21H30: O Sacerdócio Israelita Obs. Este curso destina-se a toda a Vigararia II, à qual pertence a nossa Paróquia. Realiza-se no Salão Paroquial da Igreja da Portela: Av. dos Descobrimentos, n. 4 (Portela)

Agrupamento Nº 683 – Actividades Em Fevereiro

Dia 20, Sábado: Na antevéspera do aniversário de Baden-Powel, realizar-se-á uma actividade que envolve todo o Agrupamento: "Manhãs para ti".

Em data a determinar: o Grupo Pioneiro efectuará uma saída de BTT.

Curso Para Noivos

Em colaboração com CENOFA, a nossa paróquia organiza, nas tardes dos sábados, 6 e 13 de Março, um curso destinado a noivos e aos que se preparam para o casamento. Podem nele inscrever-se também os interessados que não sejam nossos paroquianos. As informações mais pormenorizadas poderão obter-se na Secretaria Paroquial, a partir de 9 de Fevereiro, 3ª Feira.

No mês passado

Reuniu-se, a 28 de Janeiro, o Conselho Económico paroquial. A razão fundamental desta reunião foi a apreciação das contas da Paróquia relativas a 2009, a fim de serem apresentadas no Patriarcado de Lisboa, como está determinado. Trataram-se também outros assuntos relativos à vida e às necessidades da Paróquia.

A simplicidade

No Carnaval as crianças costumam mascarar-se. As máscaras e os trajes de Carnaval correspondem à sua fantasia. Com os anos deixamos de gostar de nos mascarar. Mas podemos ir ganhando o hábito de não nos mostrarmos como somos. As crianças, mesmo mascaradas, são simples, e nós, mesmo sem máscara, somos complicados.

«A simplicidade é como o sal da perfeição» escreveu São Josemaria no Caminho (cf. n. 305). A palavra «simples» deriva do latim simplex, o que poderia ser uma abreviatura para sine plexus, «sem pregas», «sem dobras», sem ângulos escondidos, sem duplicidade. A simplicidade confere-nos uma unidade grande.

A simplicidade não significa ausência de educação, ou mera espontaneidade. A espontaneidade procede da falta de domínio sobre os impulsos. E quando os dominamos não perdemos simplicidade. Quando evito dizer algo que magoa não sou menos simples do que se deixo que essa frase saia da minha boca.

De facto, o homem é um ser complexo (do latim cum + plexus), cheio de pregas e rugas, desde o pecado original, porque esse pecado nos quebrou a unidade. A harmonia interna do homem nas suas potências – a sensibilidade, a inteligência, a afectividade, e a vontade – passou a dar espaço a uma espécie de gritaria onde cada uma puxa para si.

A simplicidade implica um esforço grande por unificar a nossa vida: querer só uma coisa, querê-la com intensidade e com constância, e forçar a inteligência a conhecer melhor o que queremos, e a afectividade a desejar isso mesmo, negando-se à sensibilidade, que muitas vezes impele ao contrário.

O domínio de nós próprios não significa uma máscara. A máscara surge quando pretendemos um bem de alguém para nós e aparentamos que pretendemos só o seu bem. Se só pretendemos amar a Deus e por Deus os outros a nossa vida será esforçada e difícil mas simples.