1 de janeiro de 2010

A vida do Santo Cura d’Ars (VII)

O grande zelo pelas almas que mostrava o Pároco de Ars cedo transbordou para outras localidades e começaram a chegar pessoas de muitos sítios que se queriam confessar com ele. Este afluxo de penitentes foi-se engrossando e causou ao bom confessor muitos sofrimentos.

Por um lado, redobrou as suas penitências porque sentia a obrigação de satisfazer por muita gente. Por outro lado, a sua vida começou a ficar presa ao confessionário, quase sem conseguir sair dali a não ser para celebrar a Santa Missa e tomar alguma ligeiríssima refeição ou para se ir deitar.

Por outro lado ainda, o próprio demónio investiu muito contra ele. Por vezes, em previsão de algum penitente que há muito não se confessava e vinha a caminho de Ars, o demónio não o deixava dormir e fazia mil e uma tropelias nocturnas para o cansar e desanimar em relação à sua tarefa sacerdotal.

O santo não foi crédulo em atribuir ao malvado aqueles ruídos e aquelas coisas estranhas que sucediam durante a noite. Pediu ao o condutor da diligência de Ars, um homem forte e nada dado a crenças, que dormisse uma noite na casa paroquial, coisa que ele aceitou mas ao fim de um noite o pobre homem estava convencido de que se tratava de coisa infernal.

Não se pense que o Cura d’Ars dava demasiada importância a estes incómodos. Sirva-nos de exemplo o seguinte: no dia 4 de Dezembro de 1941 narrava ele com bom humor às directoras do orfanato que tinha montado para meninas e que se chamava Providência «O demónio estava esta noite no meu quarto enquanto eu rezava o Breviário, soprava muito forte e parecia vomitar não sei o quê – trigo ou outros grãos – sobre a tijoleira. Eu disse-lhe: Vou à Providência contar o que tu fazes para que te desprezem. E calou-se imediatamente» (Catarina LASSAGNE, Petit mémoire, 1ª redacção, p. 20).

Por fim, aquelas peregrinações a Ars para a confissão suscitaram invejas entre o clero da zona. Chegaram a escrever um abaixo-assinado ao Bispo para que retirasse o pároco de Ars porque não era sacerdote idóneo e andava a enganar muita gente. Por fortuna a carta veio parar às mãos do próprio visado que se apressou a juntar a sua assinatura à petição.

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

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