1 de janeiro de 2010

Do Pároco

Votos de Bom Ano!

Quando iniciamos um novo ano no calendário da nossa vida, encontramo-nos sempre a nós mesmos com diferenças e semelhanças inevitáveis.

Somos quem somos: mais experiência, alegrias, tristezas, vitórias e derrotas, coisas que ficaram por fazer, coisas que conseguimos realizar. Se em todo este rol de realidades a graça de Deus nos acompanhou, certamente que o dinamismo que ela nos dá, ajudou-nos a ter um equilíbrio sadio e a ponderar que tudo o que nos acontece não é por acaso, nem fruto exclusivo da nossa vontade e das nossas forças.

Houve circunstâncias em que vencemos uma dificuldade incontrolável duma forma que não sabemos humanamente explicar. É provável que aquela tenha sido fruto do nosso desleixo ou da nossa desordem. Ou até da preguiça de não fazermos o que devemos e não estar no que fazemos, adiando o inadiável, ou precipitando-nos numa opção que nos agrada em detrimento da mais adequada, sem medirmos bem as consequências que daí advêm. No entanto, para além do "susto", sentimos que alguma coisa funcionou a nosso favor, sem vermos claramente porquê e como tudo acabou em bem.

Talvez tenhamos vivido alguma situação dura: uma dificuldade económica, um mau passo dum familiar ou nosso, a partida para a eternidade de um ser muito querido, etc. Não contávamos com ela, nem, objectivamente, nos parecia que a merecêssemos. Aguentamo-la com mais ou menos brio e, ao contrário do que em certos momentos mais dolorosos a nossa imaginação nos segredava, superámo-la e voltámos a encarar a realidade com o mesmo vigor. Se rezámos, sentimos que uma força interior nos fez aplanar as agruras, ultrapassar as circunstâncias, não dar crédito a um pessimismo doentio e a perspectivar a vida de um modo mais objectivo.

Talvez até o exemplo dos que são mais apertados do que nós em circunstâncias difíceis nos tivesse servido de ponto de comparação: "Afinal, aquele que tem tantos problemas complicados e insuperáveis, resiste e mantém um optimismo notável perante a dor e o sofrimento que está a passar. E eu, que sou atacado por esta ninharia, comporto-me como uma carpideira profissional..."

O exemplo, quando se é humilde, apresenta-se-nos como o melhor remédio para a nossa conduta. Nestes dias que acabámos de viver, decerto pudemos olhar para figuras tão cativantes como o Jesus Menino, Nossa Senhora, S. José e os pastores. Cada um à sua maneira, ensinam-nos a enfrentar os obstáculos.

De Jesus, aprendemos a humildade e o gosto de servir a Deus como Ele quer ser servido. Fez-Se homem e os homens deram-Lhe como casa um curral de animais e como primeiro berço uma manjedoira. Não protestou nem Se sentiu agravado. Assim se comportou para nos ensinar que o desprendimento e o Amor, quando são verdadeiros, esquecem os ultrajes em função da missão que se tem a cumprir. Era assim que o Pai Lhe pedia que começasse a nossa Redenção.

De Nossa Senhora, compreendemos que a vontade de Deus nem sempre se apresenta duma forma evidente para a cumprir. "Como é isso se eu não conheço varão?", diz ao anjo quando ele lhe anuncia o desejo de Deus sobre ela: ser a Mãe do Messias prometido. Se pergunta não é para pôr condições ao cumprimento da vontade divina, mas para proceder exactamente como Ele pretende.

De S. José, o silêncio que fala mais do que as palavras inúteis e a completa disposição para cumprir o que Deus quer sem titubear. Aceita Maria como Deus lha apresenta e desempenha o seu encargo de protector de Nossa Senhora e de Jesus com todas as consequências sem qualquer protesto.

Por fim, dos pastores que vão ao presépio, a simplicidade da fé. Quem acreditaria, salvo essa gente tão singela, que o Salvador do mundo acabava de nascer num estábulo e se encontrava a dormitar as suas primeiras horas de sono neste mundo sobre uma manjedoira?

Deus, que é providente, sempre se encontra por detrás de todos os acontecimentos, mesmo quando eles nos parecem incompreensíveis e pouco adequados à existência de um Ser omnipotente e infinitamente bom. A sua vontade cumpre-se, com respeito absoluto pela liberdade humana. Nunca a diminui nem a esquece. Jesus veio à terra para nos redimir. A obra da Redenção, apesar de tantas dificuldades e contratempos, realizou-se de forma plena. Confiemos em Deus e na sua providência, sem descurarmos que todos os esforços humanos que nos compete realizar são realidade com que Deus conta para fazer cumprir a sua vontade. Assim com Jesus, Maria, José, os pastores e também connosco, se Lhe somos fiéis.

Imagem: O Baptismo de Jesus

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