1 de dezembro de 2009

A Virtude da Pobreza

O Natal convida-nos a pensar na pobreza. Esta virtude foi iluminada pelo nascimento de Cristo, o qual sendo rico Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). Se Jesus era rico até ao ponto de ser o Criador de todas as coisas (cf. Jo 1,3) e quis nascer pobre, nós devemos também pretender a pobreza.

De facto, o nascimento do Senhor numa manjedoura, num curral, talvez destinado a ovelhas, e não no conforto de uma casa ou de uma estalagem, faz pensar não no acaso, numa má sorte, mas num desígnio do Alto, sobre o qual Maria e José terão meditado muitas vezes no seu coração (cf. Lc 2,19). Nós podemos fazer outro tanto nesta quadra.

A pobreza cristã é uma atitude voluntária, de desprendimento dos bens, com a qual se alcança a liberdade interior que permite uma dedicação mais frutuosa a Deus e aos outros, e o alívio das necessidades dos mais carenciados. «Não esqueças: tem mais aquele que precisa de menos. – Não cries necessidades» (São Josemaria, Caminho 630).

A pobreza não consiste em andar desmazelados ou sujos, nem era assim que andavam Maria e José. A nossa deve ser uma pobreza envergonhada, que não tem voz para dizer «sou pobre», mesmo que o sejamos realmente. É algo que temos por dentro e se traduz na generosidade com as nossas coisas, com os nossos talentos, com o nosso dinheiro e com o nosso tempo. Ao mesmo tempo, nunca podemos esquecer o conselho dado pelo Mestre: «que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita para que a tua esmola seja escondida, e o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa» (Mt 6,3-4).

Manifestações práticas deste espírito de pobreza são considerar as nossas coisas como emprestadas e não como próprias, não nos queixarmos se vierem a faltar, e não ter coisas a mais, coisas que se podem considerar desnecessárias ou supérfluas. Mas, ao mesmo tempo, procurar andar elegantes, sorridentes, limpos e serenos.

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