1 de dezembro de 2009

A Vida do Santo Cura d’Ars (VI)

Fruto das orações, da penitência e da pregação do seu pároco, Ars começou a mudar. A frequência à Missa tornou-se muito maior. Já quase não se encontravam camponeses que ao Domingo se dedicassem aos trabalhos do campo. As tabernas onde os homens se embriagavam tiveram que fechar por falta de clientes, os bailes onde o ambiente não era tão conforme com a pureza cristã deram lugar à modéstia e a um modo de actuar entre as raparigas que impressionava o visitante. E Ars em breve se tornou uma terra muito visitada, quando o seu pastor começou a atrair multidões ao seu confessionário.

Ao que parece as mudanças entre os aldeões foram tão profundas que atingiam o seu comportamento mesmo longe do olhar do sacerdote ou da comunidade. Numa ocasião um visitante ficou impressionado ao assistir em pleno campo a uma operação delicada com gado maior sem ouvir proferir uma única blasfémia, e ao perguntar escutou esta resposta: «Ah, nós não somos melhores do que os outros; mas sentiríamos uma grande vergonha em cometer tais pecados ao lado de um Santo» (cf. Processo do ordinário p. 266). O «santo» não se encontrava «ao lado», mas sentiam-no, tinham-no sempre presente.

Os habitantes das aldeias vizinhas também notavam vivamente a diferença dos camponeses de Ars e, para além da admiração que sentiam, que os edificava e os fazia também mudar de atitude, por vezes ironizavam. Diziam que aquele Padre os ia fazer Capuchinhos. Os bons aldeões de Ars respondiam com simplicidade: «O nosso Padre é um Santo e nós devemos-lhe obediência» (Recordações dos velhos de Ars). Talvez a resposta não revele uma piedade muito interiorizada, mas revela sem dúvida um respeito e uma admiração que estão longe de se explicar sozinhos.

Quando o pároco visitava as casas da sua freguesia tinha especial cuidado com as raparigas de serviço que eram contratadas das aldeias vizinhas. Eram geralmente tímidas e o santo exortava a que deviam tratá-las como filhas, instrui-las na religião e deixá-las ir à Missa aos Domingos e às Vésperas.

Nada ficava deixado ao acaso. O bom sacerdote olhava por todos os pormenores. Também pela dignidade e riqueza dos paramentos e dos vasos sagrados. Ia de propósito a Lyon para trazer aqueles que ele encontrasse mais dignos e ricos e não se importava de esbanjar com o Senhor.

A dada altura, numa homilia, São João Maria exclamou: «Ars já não é Ars!». Ele próprio reconhecia com alegria a mudança do seu rebanho. Se as suas primeiras pregações eram duras e por vezes ameaçadoras, sempre as acompanhava com ásperas penitências e com oração incessante. E no fim atribuía todo o resultado ao bom Deus.

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

Sem comentários:

Enviar um comentário