1 de dezembro de 2009

Do Pároco

Curiosamente, as primeiras pessoas a saber do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador prometido desde o pecado de Adão, foram uns simples pastores das imediações da pequena cidade de Belém. Tiveram a honra de ser avisados por um anjo do Céu, o que raramente acontece.

As autoridades civis e religiosas do tempo de nada souberam. E, no entanto, a mensagem que esse Menino judeu, igual a tantos outros, trazia conSigo, destinava-se a todos os homens, o que inclui aqueles que tinham na sua mão as rédeas do poder, quer civil, quer religioso.

Escolheu gente simples e despretensiosa. Seria possível proceder de outro modo? Acaso o Sumo-sacerdote do Templo de Jerusalém ou o rei Herodes teriam capacidade para entender que o Messias prometido por Deus, desde os tempos primitivos, tinha acabado de nascer, pauperrimamente, numa gruta de Belém, onde se costumavam guardar as ovelhas e o gado dos pastores das redondezas?

E qual seria a sua reacção? Talvez de riso ou de chacota. Ou, atormentado com o receio de perder o poder despótico que exercia, tentar liquidá-lo sem complacência, como sabemos da triste atitude do rei Herodes, quando se convenceu de que esse Menino era um concorrente sério ao seu trono, após a visita daqueles sábios estrangeiros, os reis Magos.

É-nos fácil atribuir aos outros comportamentos incorrectos ou aberrantes. Com as proximidades do Natal, devemos colocar-nos como um personagem entre outros dos Evangelhos, e pensar seriamente qual seria a nossa reacção, se ouvíssemos dizer que o Salvador do mundo acabava de nascer num sítio insuspeitado, discreto e chocante: um curral de animais.

Oxalá que a nossa simplicidade não fosse superada pela lógica das opiniões correntes, das ideias mais defendidas pelos intelectuais bem pensantes, ou pelo que talvez pudéssemos chamar "a lógica do politicamente correcto".

Punhamo-nos a nós mesmos a questão que levantámos há pouco: O Filho de Deus, criador de todas as coisas, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, acaba de nascer como homem num presépio, ou, mais significativamente, num curral de gado. É uma criança inerme, filho de um casal humilde, não se diferencia das outras... Se os seus pais não cuidam d’Ele, não poderá subsistir. As autoridades deste mundo, civis e religiosas, de nada sabem. Só uns pastores foram lá e levaram-Lhe alguns presentes pobres. Tudo isto é razoável?

A nossa resposta dependerá, no seu teor, da simplicidade com que encaremos a questão. Seremos como os pastores, ou não daremos importância aos ditos que ouvimos. Talvez que, se alguém estrangeiro, com prestígio científico, como os Magos, nos viesse perguntar onde se encontrava esse Menino, ficássemos um bocado aturdidos. E, com hipocrisia, respondêssemos como o fez o déspota do tempo: ocultando habilmente a nossa ignorância e mostrando vivo interesse por saber do lugar que ele procurava. Daríamos algumas indicações vagas. Sempre é bom colaborar com quem nos procura. Ao despedi-lo, talvez não sentíssemos a ansiedade de Herodes. Limitar-nos-íamos a rir da credulidade daquele personagem e voltaríamos às preocupações do dia a dia, cheios da nossa sabedoria e das nossas convicções.

Mas foi efectivamente num curral de gado que o Salvador do mundo nasceu. Criou todas as coisas e não dispôs dum quarto decente para vir à nossa terra. Precisamos de ser humildes para reconhecer esta realidade, talvez por que a rejeitámos por ter sido assim ou não lhe demos a atenção que merecia. Aproximemo-nos do Presépio como os pastores. Talvez nem sequer possamos oferecer-Lhe algum presente discreto e pobre, do qual nos envergonharíamos se disséssemos a um amigo: "Ofereci isto a Jesus. Não fui capaz de mais". Se nada temos para Lhe dar, deixemos no seu berço – a manjedoura – tudo o que nos afasta d’Ele: soberba, vaidade, sensualidade, hipocrisia, preguiça, tibieza! Tenhamos a certeza de que será o lugar próprio para que o Salvador do mundo comece, em nós, a sua obra redentora. E a sua Mãe e o carpinteiro José, o nosso muito amado S. José, marido de Maria, sorrirão de satisfação ao verem o trajecto da nossa conversão.

Imagem: Domenico Ghirlandaio, séc. XV, A adoração dos Pastores

A Vida do Santo Cura d’Ars (VI)

Fruto das orações, da penitência e da pregação do seu pároco, Ars começou a mudar. A frequência à Missa tornou-se muito maior. Já quase não se encontravam camponeses que ao Domingo se dedicassem aos trabalhos do campo. As tabernas onde os homens se embriagavam tiveram que fechar por falta de clientes, os bailes onde o ambiente não era tão conforme com a pureza cristã deram lugar à modéstia e a um modo de actuar entre as raparigas que impressionava o visitante. E Ars em breve se tornou uma terra muito visitada, quando o seu pastor começou a atrair multidões ao seu confessionário.

Ao que parece as mudanças entre os aldeões foram tão profundas que atingiam o seu comportamento mesmo longe do olhar do sacerdote ou da comunidade. Numa ocasião um visitante ficou impressionado ao assistir em pleno campo a uma operação delicada com gado maior sem ouvir proferir uma única blasfémia, e ao perguntar escutou esta resposta: «Ah, nós não somos melhores do que os outros; mas sentiríamos uma grande vergonha em cometer tais pecados ao lado de um Santo» (cf. Processo do ordinário p. 266). O «santo» não se encontrava «ao lado», mas sentiam-no, tinham-no sempre presente.

Os habitantes das aldeias vizinhas também notavam vivamente a diferença dos camponeses de Ars e, para além da admiração que sentiam, que os edificava e os fazia também mudar de atitude, por vezes ironizavam. Diziam que aquele Padre os ia fazer Capuchinhos. Os bons aldeões de Ars respondiam com simplicidade: «O nosso Padre é um Santo e nós devemos-lhe obediência» (Recordações dos velhos de Ars). Talvez a resposta não revele uma piedade muito interiorizada, mas revela sem dúvida um respeito e uma admiração que estão longe de se explicar sozinhos.

Quando o pároco visitava as casas da sua freguesia tinha especial cuidado com as raparigas de serviço que eram contratadas das aldeias vizinhas. Eram geralmente tímidas e o santo exortava a que deviam tratá-las como filhas, instrui-las na religião e deixá-las ir à Missa aos Domingos e às Vésperas.

Nada ficava deixado ao acaso. O bom sacerdote olhava por todos os pormenores. Também pela dignidade e riqueza dos paramentos e dos vasos sagrados. Ia de propósito a Lyon para trazer aqueles que ele encontrasse mais dignos e ricos e não se importava de esbanjar com o Senhor.

A dada altura, numa homilia, São João Maria exclamou: «Ars já não é Ars!». Ele próprio reconhecia com alegria a mudança do seu rebanho. Se as suas primeiras pregações eram duras e por vezes ameaçadoras, sempre as acompanhava com ásperas penitências e com oração incessante. E no fim atribuía todo o resultado ao bom Deus.

Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. Versão online em castelhano:

NO MÊS PASSADO – Encontro com Aura Miguel: “Portugal no coração de João Paulo II e de Bento XVI”

Foi este o tema proposto pela jornalista Aura Miguel, que desenvolveu com o interesse e agrado de todos no passado dia 19 de Novembro, 5ª Feira, 21.30h, no salão da Igreja. No final, pôs-se à disposição dos participantes para responder a algumas questões que lhe foram feitas.

Cabaz do Natal

Com a colaboração de vários paroquianos e pais do Colégio Planalto, está a ser organizada a distribuição do Cabaz do Natal a várias dezenas de famílias carenciadas. Voltamos a pedir aos paroquianos que contribuam com géneros alimentícios duráveis. Felizmente, já começaram a chegar em boa quantidade, mas são necessários muitos mais. A entrega dos Cabazes será feita a:

  • 17/12, 5ª Feira (das 10.00h-11.30h): Roupas
  • 18/12, 6ª Feira (das 10.00h-11.30h): Géneros Alimentícios

Agradecemos ajuda sobretudo para os dias da distribuição.

MISSAS POR OCASIÃO DO NATAL

Dia 24 de Dezembro, 4ª F:

  • Missa Vespertina às 18.30h (às 17.45h estrear-se-á a nova Custódia da Paróquia durante a Adoração ao Santíssimo)
  • Missa "do Galo": 22.30h

Dia 25 de Dezembro, 5ª F ; 10.00h, 12.00h e 19.00h

Recorda-se que dia 1 de Janeiro, 6ª Feira, é Dia Santo de Preceito, e celebrar-se-ão as Missas habituais: 10.00h, 12.00h, 19.00h

FÁTIMA – PEREGRINAÇÃO PAROQUIAL

Dia 01/12/09, 3ª Feira (Feriado Nacional) PROGRAMA

  • 8.30h-8.45h – Chegada das pessoas que se inscreveram no autocarro. Este estará junto ao cruzamento da Estrada de Telheiras com a R. Prof. Francisco Gentil (1)
  • 9.00h – Partida do autocarro para Fátima
  • 11.00h – Chegada a Fátima
  • 12.00h – Recitação do Terço (Capelinha das Aparições)
  • 12.30h – Santa Missa (Capelinha das Aparições): Preside D. Serafim Ferreira e Silva, Bispo Emérito de Leiria-Fátima; O coro da Missa das 12.00h da Paróquia tem a sua cargo o acompanhamento coral desta Eucaristia
  • 13.30h – Almoço na Casa de Retiros Nª Srª Dores (2)
  • 15.15h – Via-Sacra
  • 16.00h – Saída do autocarro para Aljustrel e Valinhos
  • 17.00h – Regresso a Lisboa – Telheiras
  • 18.30h –19.00h – Chegada do autocarro a Telheiras, ao mesmo local da partida (3)

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(1) Preço de viagem por pessoa: 10 Euros (2) Só para as pessoas que se inscreveram. Preço do almoço: 9 Euros pessoa adulta; 5 Euros criança até aos 12 anos (3) Far-se-á uma paragem de 15m numa estação de serviço, nas viagens de ida e volta.

Ausências De Sacerdotes Durante O Mês De Dezembro

Em retiro anual:

  • P. João Campos, de 6ª Feira, dia 27/11, a 3ª Feira, dia 2/12, da parte da manhã
  • P. José Miguel, de Sábado, dia 28/12/09, a 5ª F., 31/12.

Novena Da Imaculada Conceição

Honrar Nossa Senhora, na sua invocação de Imaculada Conceição, suscita entre os fiéis cristãos muitas e boas manifestações de piedade. A Novena é uma delas. Durante nove dias, na Missa das 18.30h da tarde (Domingo, 6/12, e 3ª Feira, 8/12, na Missa das 19.00h) as homilias versarão temas diversos, sempre fundamentados no exemplo e na santidade da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Eis os temas:

  • 2ª F., 30/11: Vocação
  • 3ª F., 01/12: Humildade
  • 4ª F., 02/12: Espírito de serviço
  • 5ª F., 03/12: Obediência
  • 6ª F., 04/12: Fé; Sáb., 05/12: Oração
  • Dom, 06/12: Apostolado
  • 2ª F., 07/12: Santa Pureza
  • 3ª F., 08/12: Caridade

Obs. - No final da Santa Missa, entoar-se-á um cântico mariano.

Catequese De Crianças

Seguindo as aulas o ritmo do ano-lectivo, as férias do Natal começarão a 18/12/09, 6ª Feira e terminarão a 4/01/10, Domingo. Assim, o recomeço das aulas será: 2ª Feira, 4/01/10.

Catequese De Adultos

Curso de Catecúmenos - Aulas durante este mês às 2ªs Feiras, 19.15h, Salão da Igreja (Orientação: P. Rui Rosas da Silva)

  • Aula n. 7 (Dia 14) – Tema: A elevação do homem e o pecado original;
  • Aula n. 8 (Dia 21) - Tema: Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro;

CURSO DE TEOLOGIA PARA TODOS: Orientação pelo P. João Campos. Uma vez por mês, de Novembro/2009 a Maio/2010, 3ªs Feiras, 19.15h ou 21.30h (repetição), no Salão da Igreja. Tema do Ano: MORAL - ARTE DE VIVER. Neste mês:

  • Dia 15: O Facto Moral. A Liberdade

Curso de Preparação para o Crisma: Aulas durante este mês, às 5ªs Feiras, 19.15h (Salão da Igreja). Orientação: P. Rui Rosas da Silva

  • Dia 03 : Breve História da Salvação – Da criação do homem a Jesus Cristo: momentos mais relevantes - I Parte
  • Dia 17: Breve História da Salvação – Da criação do homem a Jesus Cristo: momentos mais relevantes - II Parte.

CURSO SOBRE O SACERDÓCIO – Segundo a Ordem de Melquisidec Orientado pelo P. José Miguel Ferreira Martins, e organizado pela II Vigararia do Patriarcado, a segunda aula terá lugar no Salão Paroquial da Portela, Av. dos Descobrimentos, n. 4 (Portela), no dia 10 deste mês, 5ª F., às 21.30h. Tema: O Sacerdócio Patriarcal.

Recolecções Mensais Em Novembro 2009

Homens: 2ª Feira, Dia 7, 19.15h – Salão da Igreja, à R. Filipe Duarte

Senhoras: 5ª Feira, Dia 10, 19.15h – Igreja

Agrupamento Nº 683 Do CNE – Actividades Em Dezembro

Como principal actividade deste mês, no dia 12 de Dezembro far-se-á a Apresentação de um Presépio Vivo, tendo como cenário uma cabana, rodeada de alguns dos personagens principais. Um coro interpretará cânticos de Natal. O dia terminará com um jantar de Natal, organizado pelo Grupo Pioneiro.

BAPTISMOS NESTE MÊS DE DEZEMBRO DE 2009

Domingo, dia 6: 15.30h – Diogo Martins Correia Xavier Marques

Sábado, dia 19, 12.00h – Tiago Silva Lopes

Domingo,dia 20, 19.00h – Maria Madalena Lamas de Oliveira da Ponte

Estandartes de Natal

Numa época em se confundem todo o tipo de fantasias com o nascimento do Messias, surge uma feliz iniciativa de um grupo de famílias da Baixa de Lisboa, a que nos associamos: os paroquianos que assim o desejarem poderão comprar na Igreja da nossa Paróquia estandartes grená com a imagem do Menino Jesus ao centro para serem colocados nas janelas e varandas de Telheiras.
Preço por estandarte: 15€

A Virtude da Pobreza

O Natal convida-nos a pensar na pobreza. Esta virtude foi iluminada pelo nascimento de Cristo, o qual sendo rico Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). Se Jesus era rico até ao ponto de ser o Criador de todas as coisas (cf. Jo 1,3) e quis nascer pobre, nós devemos também pretender a pobreza.

De facto, o nascimento do Senhor numa manjedoura, num curral, talvez destinado a ovelhas, e não no conforto de uma casa ou de uma estalagem, faz pensar não no acaso, numa má sorte, mas num desígnio do Alto, sobre o qual Maria e José terão meditado muitas vezes no seu coração (cf. Lc 2,19). Nós podemos fazer outro tanto nesta quadra.

A pobreza cristã é uma atitude voluntária, de desprendimento dos bens, com a qual se alcança a liberdade interior que permite uma dedicação mais frutuosa a Deus e aos outros, e o alívio das necessidades dos mais carenciados. «Não esqueças: tem mais aquele que precisa de menos. – Não cries necessidades» (São Josemaria, Caminho 630).

A pobreza não consiste em andar desmazelados ou sujos, nem era assim que andavam Maria e José. A nossa deve ser uma pobreza envergonhada, que não tem voz para dizer «sou pobre», mesmo que o sejamos realmente. É algo que temos por dentro e se traduz na generosidade com as nossas coisas, com os nossos talentos, com o nosso dinheiro e com o nosso tempo. Ao mesmo tempo, nunca podemos esquecer o conselho dado pelo Mestre: «que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita para que a tua esmola seja escondida, e o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa» (Mt 6,3-4).

Manifestações práticas deste espírito de pobreza são considerar as nossas coisas como emprestadas e não como próprias, não nos queixarmos se vierem a faltar, e não ter coisas a mais, coisas que se podem considerar desnecessárias ou supérfluas. Mas, ao mesmo tempo, procurar andar elegantes, sorridentes, limpos e serenos.