1 de novembro de 2009

A vida do Santo Cura d’Ars (V)

Desde 1818 que o pároco de Ars se esforçava por converter o seu rebanho. Para isso não se poupava. Fazia penitências duríssimas: jejuns muito rigorosos até ao ponto de parecer quase esquelético, usava umas disciplinas que lhe causavam sangue, e rezava intensamente a Deus.

Declarava muitas vezes ao Senhor que estava disposto a sofrer tudo aquilo que Ele quisesse a troco da conversão da sua gente. E Deus ouvia o seu rogo. Preocupavam-no os homens que pareciam mais reservados a manifestar a sua piedade. Dizia o bom Cura: «A devoção é muito mais influente quando eles a praticam».

O certo é que pouco a pouco foi conseguindo ganhar aquelas almas rudes mas simples e, na maior parte dos casos, ignorantes. Dedicou-se afanosamente a catequisar os seus paroquianos e para os ganhar não pregava com doçura mas com exigência. E sempre com sinceridade. Toda a gente sentia que a sua palavra lhe saía do coração e era sincera.

Estava também preocupado com as meninas, sobretudo as mais pobres, as órfãs, aquelas que não tinham um lar verdadeiro que as acolhesse. Então criou uma instituição para albergar estas raparigas que ele muitas vezes recolhia na rua, a que deu o nome de «Providência», e confiou o seu governo a três mulheres da sua total confiança.

Um dia o Santo acompanhou a uma rapariga que tinha encontrado perdida até à porta da «Providência». Abriu-lhe Catarina Lassagne, a directora, e ele disse-lhe:

– Recebe esta menina que Deus nos envia. – Mas, senhor Padre, já não resta uma única cama! – Sempre resta a tua! A jovem directora só duvidou por um instante da Providência. Com vivo arrependimento abriu os braços à desgraçada e estreitou-a contra o coração. Este episódio mostra bem não só a santidade do sacerdote mas como conseguia formar no seu modo de viver os que tinha ao seu redor.

(Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. [versão online em castelhano])

Sem comentários:

Enviar um comentário