1 de novembro de 2009

O uso do Crucifixo

No mês de Novembro a Igreja termina o ano litúrgico celebrando solenemente a realeza do Senhor: Jesus Cristo, Rei do Universo. Não o faz movida por um triunfalismo ôco como poderia ser o de associar o reino de Cristo a coisas deste mundo (cf. Rm 14,17).

«Aqueles que esperavam do Messias um poderio temporal visível enganavam-se» (São Josemaria, Cristo que passa, 180). Mas a Igreja não pode deixar de celebrar o triunfo de Cristo, o seu poder e glória, sob pena de se esvaziar a si mesma acerca daquilo que Ela procura. «Verdade e justiça; paz e alegria no Espírito Santo. Esse é o reino de Cristo: a acção divina que salva os homens e que culminará quando a história acabar, e o Senhor, que Se senta no mais alto do Paraíso, vier julgar definitivamente os homens» (ib.).

Cada um de nós procura também celebrar o triunfo de Cristo. Um triunfo que já se deu, mas que ainda não se consumou completamente. Já estamos salvos, já somos filhos de Deus, mas ainda não se revelou o que havemos de ser (cf. 1 Jo 3,2). No entanto, se só esperássemos o triunfo futuro teríamos uma desilusão, porque o que havemos de receber em plenitude já se está a dar em nós. Por isso podemos e devemos celebrar esse triunfo.

De que modo? Recordando o que constitui essencialmente o triunfo de Cristo e o seu reino: a sua entrega na Cruz. É na Cruz que Jesus obtém do Pai, para nós, todas as graças: o perdão, a filiação divina, os Sacramentos, a inabitação do Espírito Santo e até a filiação a Maria. Celebrar o triunfo de Cristo é venerar a sua Cruz.

Por isso todo o cristão há-de olhar o Crucifixo, a imagem de Cristo pregado na Cruz, com uma palavra afectuosa, com um beijo, com um gesto que indique a veneração. É bom ter algum na nossa casa, no nosso quarto, na nossa mesa de trabalho enquanto trabalhamos. «O teu Crucifixo. – Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar. E quando o pobre corpo se rebelar contra a tua alma, beija-o também» (Idem, Caminho, 302).

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