4 de outubro de 2009

A vida do Santo Cura d’Ars (IV)

Desde muito cedo o jovem sacerdote se revelou um mestre na arte de ouvir confissões e conduzir os penitentes a uma profunda conversão. O seu primeiro encargo pastoral foi como Vigário Paroquial de Ecully, entre 1815 e 1818. Durante esse período o Pároco confessava-se com ele.

A partir de 1818 foi destinado a Ars, que em 1808 tinha 220 habitantes. Esta aldeia, no ano da sua chegada, recebera por pároco um jovem de 27 anos (João Maria nessa altura já tinha 32), mas este morreu 23 dias depois de tomar posse. Ars era considerada uma espécie de Sibéria, chegando a pensar-se não nomear um novo pároco. Seria nessas circunstâncias administrada a partir de Misérieux, uma paróquia vizinha mais populosa e mais rica. Foi a castelã de Ars, a Menina Anne de Garets (Garets é o nome do Castelo de Ars) quem exigiu a nomeação de um sacerdote; e João Maria foi aquele a quem coube a sorte por não ser muito bem visto em Lyon, a sede da Diocese. 9 de Fevereiro de 1818 é a data da sua entrada em Ars.

A razão pela qual o Padre João Maria era olhado com certa reserva e perplexidade devia-se, fundamentalmente, ao seu exemplo de vida: tentava identificar-se com todas as forças da sua alma com Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote e não alinhava em divertimentos ou conversas que faziam perder o tom sacerdotal. Os seus colegas, por isso, cedo entenderam que se tratava de alguém que sobressaía pela sua humildade.

O novo pároco de Ars, desde que chegou à sua nova paróquia, empreendeu uma luta sem tréguas contra os pecados que se notavam na vida social. Mais do que pecados eram ocasiões de pecado. O Cura d’Ars foi implacável na sua perseguição a várias pragas que grassavam pela freguesia: em primeiro lugar a ignorância religiosa, para o que foi incansável na sua catequese; depois, o trabalho aos Domingos, as tabernas, os bailes e, finalmente, a blasfémia. A sua pregação era muito contundente e não temia ficar mal visto. Dizia tudo o que tinha a dizer recorrendo, por vezes, a uma ponta de ironia.

Mas nada disto teria sido eficaz sem a arma da penitência. Desde que chegou a Ars o novo pároco impôs-se a si mesmo um regime rigorosíssimo de jejum e de vigília para rezar mais e melhor. Ele estava convencido que a penitência que mais agradava a Deus e mais derrotava o demónio era privar-se da comida, da bebida e do sono para orar abundantemente. (cf. Rev.º Tailhades, Processo do ordinário, p. 1516).

(Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. [versão online em castelhano])

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