4 de outubro de 2009

A cumplicidade dos Anjos

«Conquista o Anjo da Guarda daquele que queres trazer para o teu apostolado. – É sempre um grande "cúmplice"» (SÃO JOSEMARIA, Caminho 563). Este ponto, com a sua brevidade habitual, apresenta-nos um belo panorama para a tarefa da nova evangelização em que estamos empenhados.

Sabemos que todos os homens têm um Anjo da Guarda. «Desde a infância até à morte – ensina o Catecismo da Igreja Católica no n. 336 – a vida humana é acompanhada pela sua assistência. "Cada fiel tem a seu lado um Anjo como protector e pastor para o guiar na vida" (SÃO BASÍLIO, C. Eunómio 3,1; PG 29,656B)».

Devemos encarar esta realidade como mais uma manifestação do amor de Deus pelo ser humano, colocando alguém, muito mais poderoso e inteligente do que ele, para o ajudar a encontrar com mais eficácia e mais facilidade a porta do Céu. Companheiro constante da nossa vida, desempenha as suas funções com um amor e uma dedicação inexcedíveis. Quando o Senhor nos chamar para a vida eterna, ficaremos decerto admirados com todos os pormenores de auxílio que ele nos prestou. E compreenderemos como, em certas circunstâncias de maior dificuldade, a sua ajuda, discreta e silenciosa, foi fundamental para tomarmos as melhores opções, que podem ter sido difíceis e exigir da nossa parte um exercício de humildade e de fortaleza muito exigentes.

Nessa "conquista" de que nos fala S. Josemaria, compreendemos como o Anjo da Guarda se prontifica a auxiliar a pessoa a seu cargo e ficará muito agradecido pelas intenções que lhe manifestamos, ao dizer-lhe, por exemplo, que gostaríamos que o seu protegido desse um passo concreto para se aproximar mais de Cristo. Pode receber esta sugestão como uma pista para animar esse nosso amigo a recebê-la da melhor maneira, facilitando assim a nossa acção apostólica.

Se é certo que ao Anjo da Guarda não é acessível a nossa intimidade – ela é como um santuário onde só nós, de um modo imperfeito, e Deus, porque é omnisciente duma forma totalmente perfeita, podem penetrar –, a sua inteligência superior e o seu zelo pela nossa salvação levam-no a ter um conhecimento muito profundo do que se passa no nosso interior. Mas se nós, duma forma voluntária, o abrimos, ele poderá auxiliar-nos com maior proveito. Assim, falemos com ele e com os dos nossos amigos com franqueza e simplicidade, para que destes colóquios resultem os maiores benefícios espirituais.

São de facto nossos cúmplices na tarefa da evangelização. Anseiam pela nossa palavra dirigida àqueles que eles guardam e guiam; anseiam pela nossa amizade, pela nossa oração e pelo nosso zelo. Se nos fizermos seus amigos será mais fácil e mais eficaz a nossa tarefa.

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