4 de setembro de 2009

A vida do Santo Cura d’Ars (III)

A preparação para o sacerdócio não foi fácil para o Santo Cura d’Ars. Muitos anos de trabalho no campo e pouco hábito intelectual, contribuíram para que lhe custassem especialmente as matérias. Fez o curso de filosofia em Verrières entre 1812 e 1813, com a ajuda de um sacerdote amigo. E depois no seminário de Lyon estudou as matérias teológicas, entre 1813 e 1814. Não foram muito satisfatórios os resultados académicos e os superiores tiveram sérias hesitações em ordená-lo. Não fosse a escassez de clero em França e a persistência de João Maria Vianney e nunca teria sido padre.

Foi ordenado em Grenoble, no dia 13 de Agosto de 1815, ele sozinho. Deslocou-se a pé desde Lyon, caminhando mais se 100 quilómetros para esse efeito, e apresentou-se ao Bispo na Catedral sem que ninguém da sua família o acompanhasse (o pai, que era excelente pessoa e muito generoso com os pobres, não tinha compreendido muito bem a vocação do seu filho). O Prelado, ao vê-lo assim, pronto para ser ordenado, comentou: «Não é grande trabalho ordenar um bom sacerdote».

João Maria, por seu turno, dizia mais tarde, referindo-se ao sacerdócio: «Se o entendêssemos na terra morreríamos, não de espanto, mas de amor». E sempre viveu cheio de agradecimento por este dom.

Apesar de ser tão agradecido pelo dom do sacerdócio, considerava-se muito indigno dele. Por esse motivo se afligia intensamente ao pensar que não era bom. Um dia, enquanto explicava o catecismo na igreja de Ars, exclamou: «Oh, se eu tivesse sabido o que era ser sacerdote, bem depressa me teria refugiado na Trapa!» Ao que uma voz saída da multidão replicou: «Meu Deus, que desgraça que isso teria sido!» (cf. Rev.º MONNIN, Processo do ordinário, p. 1115). Este grito saído do coração deve ter servido de lição e de alento ao santo sacerdote, proposto agora pelo Papa como modelo.

O Cura d’Ars exortava os sacerdotes seus amigos a viverem de acordo com este dom. A um que se queixava da frieza dos seus paroquianos e da esterilidade do seu zelo, afirmava: «Já pregou? Já rezou? Já tomou as disciplinas? Já dormiu no duro? Enquanto não se resolver a isto não tem direito a queixar-se» (Rev.º TOCANNIER, Notas manuscritas, p. 31).

(Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. [versão online em castelhano])

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