4 de setembro de 2009

Aprender a perdoar

O início do ano lectivo tem uma carga de novidade. Trata-se de um novo ciclo. As férias significaram uma paragem e a interrupção de algumas rotinas. Por vezes o mês de Setembro é também escolhido para mudanças no local de trabalho, de colegas de profissão, ou no local de residência: limpezas, pinturas, arrumações. Este ritmo de certa estreia e a energia que nos proporcionou o descanso, pode-nos ajudar a renovar também o nosso interior.

Na alma a renovação provém do perdão: do perdão recebido de Deus e do perdão concedido aos outros. Quando nos agarramos à ofensa a alma envelhece, enruga-se, amesquinha-se e dificilmente pode captar o Dom de Deus (cf. Jo 4,10), que consiste sobretudo no seu perdão.

Gostamos de não perdoar porque nos julgamos assim detentores de créditos perante os outros e, perante as nossas próprias faltas e erros, sempre podemos acenar com uma carteira de títulos: uma palavra insultuosa, uma ingratidão, uma atitude arrogante e que compensam outras tantas negligências ou ofensas da nossa parte.

Essa atitude, porém, é mesquinha. Revela mais a própria pequenez do que quaisquer créditos perante os outros. No fundo, a pretensão de um crédito perante o outro não é mais do que tornar explícita a nossa consciência da dívida e pretender proteger-nos de antemão. As almas grandes sabem passar por alto as pequenas incorrecções e indelicadezas que necessariamente têm que existir. São tanto maiores quanto maiores as faltas que sabem perdoar. Por isso Deus é infinitamente grande, porque perdoa sempre tudo a todos os que Lhe manifestam o arrependimento.

Nada disto obsta a que se deva exigir aquilo que é de justiça. Esse direito é muitas vezes um dever porque é exigido pelo bem legítimo de terceiros e pelo bem da correcção daquele que nos tenha lesado. Mas mesmo então, não devemos perseguir a justiça por uma questão pessoal. Vale a pena que o coração esteja limpo de qualquer ressentimento, através da oração pela pessoa do agressor, e, melhor ainda, saber encontrar uma desculpa airosa para a sua conduta. «Esforça-te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofenderam, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti» (SÃO JOSEMARIA, Caminho 452).

Sem comentários:

Enviar um comentário