4 de setembro de 2009

Do Pároco

Sempre nos impressionou consideravelmente a estadia de Jesus Cristo na Cruz, depois de todos os sofrimentos que suportou desde que foi preso pelos soldados enviados pelas autoridades religiosas dos judeus.Não Se queixa, não protesta, não manifesta qualquer sentimento de revolta. Tudo suporta com uma dignidade impressionante que deve ter cativado, dum modo especial, o chamado "Bom Ladrão". Tal procedimento chocou-o positivamente. A situação angustiante que Cristo vive não o impede, porém, de ter um contacto contínuo com Deus Pai, a Quem reza com intensidade na convicção de que só Ele entende a sua dor, e que o que se está a passar deve levá-Lo à desculpa dos seus algozes: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".

A linguagem do perdão revela o amor e a consideração que Nosso Senhor tem para com todos os que O ofendem. É uma prova da sua confiança e da grande misericórdia que verte sobre todos os homens. O que eles fazem pode ser censurável, mas merecem, apesar dos seus actos, que a amizade divina continue a manter-se, na esperança de que se convertam e voltem ao bom caminho.

Perdoar é, ao fim e ao cabo, acreditar na capacidade de regeneração de quem prevaricou. Não se dá por suposto que alguém seja incapaz de reconhecer os seus erros, recomeçar a vida de outro modo mais honesto e sério e passar a trilhar as vias da justiça e da caridade. Até à hora da morte, Deus, que é Pai, quer que a pessoa pecadora se arrependa. E tudo faz para que isso aconteça. Quantas e quantas almas, na hora da sua ida para a eternidade, pedem finalmente perdão pela sua conduta e abraçam o perdão de Deus, que assim as conquista para a felicidade que não termina.

Ou então, também pode suceder que um desaire vital – económico, social ou de saúde –, seja aproveitado por Deus para chamar a atenção da pessoa para o seu comportamento desorientado e cheio de auto-suficiência. Com isso se convence da veracidade da frase de S. Paulo "aqui, não temos morada permanente". Reflecte, sente a sua insignificância, as suas limitações e recomeça o caminho pela via da humildade. Não é dona de si mesma nem senhora dos factos e das coisas: tudo isto a supera. Daí que sinta necessidade de recorrer a Quem é mais forte do que ela, a Quem é a razão de ser da sua existência e do seu futuro. Só n’Ele encontra a paz e a justificação para seguir em frente por direcções mais exigentes de senso comum, de sujeição e de honestidade. Curiosamente, quando assim procede, sente dentro de si uma tranquilidade cheia de significado e tem nítida consciência de que Aquele a Quem se dirigiu lhe perdoou sem ressentimentos o que ela Lhe confessou. É um perdão perfeito.

O problema não reside, por isso, na capacidade de perdoar de Deus, mas na humildade de quem faz o mal e não pede desculpa. O orgulho pessoal, a vanglória, a afirmação inflada da sua capacidade e a perseverança na perversidade podem levar, primeiro, a uma atitude de indiferença para com Deus e a gravidade das infidelidades cometidas. Por este processo se chega ao pecado de presunção de salvação sem merecimento: Deus é infinitamente bom, por isso não me vai castigar. Mais: tem obrigação de me salvar independentemente da minha conduta. Assim prova o seu amor para comigo. Num âmbito oposto, gera-se o pecado do desespero de salvação, que pode ser provocado pelo primeiro tipo de atitude, após um longo caminhar na ofensa repetida a Deus: a minha vida foi tão má, sou um pecador tão inveterado, que não tenho perdão possível.

Se no primeiro caso, se trata a Deus como um ser que deve satisfazer todos os nossos caprichos, no segundo julga-se a sua capacidade de perdoar semelhante à nossa. Em qualquer das situações, esquece-se que Deus é perfeito em tudo: nos juízos que faz e na forma de administrar o seu perdão às criaturas a que deu origem e sobre o destino das quais Se sente responsável. Não é juiz competente aquele que não sanciona o que é devido, embora deixando sempre aberta a porta ao arrependimento; nem é verdadeiramente bom quem não é capaz de perdoar, mesmo que as faltas e as ofensas do prevaricador possam ser gravíssimas. Deus não Se assusta com os pecados que cometemos, mas com a nossa falta de arrependimento.

Imagem: O regresso do Filho Pródigo. Pintura de Rembrandt

A vida do Santo Cura d’Ars (III)

A preparação para o sacerdócio não foi fácil para o Santo Cura d’Ars. Muitos anos de trabalho no campo e pouco hábito intelectual, contribuíram para que lhe custassem especialmente as matérias. Fez o curso de filosofia em Verrières entre 1812 e 1813, com a ajuda de um sacerdote amigo. E depois no seminário de Lyon estudou as matérias teológicas, entre 1813 e 1814. Não foram muito satisfatórios os resultados académicos e os superiores tiveram sérias hesitações em ordená-lo. Não fosse a escassez de clero em França e a persistência de João Maria Vianney e nunca teria sido padre.

Foi ordenado em Grenoble, no dia 13 de Agosto de 1815, ele sozinho. Deslocou-se a pé desde Lyon, caminhando mais se 100 quilómetros para esse efeito, e apresentou-se ao Bispo na Catedral sem que ninguém da sua família o acompanhasse (o pai, que era excelente pessoa e muito generoso com os pobres, não tinha compreendido muito bem a vocação do seu filho). O Prelado, ao vê-lo assim, pronto para ser ordenado, comentou: «Não é grande trabalho ordenar um bom sacerdote».

João Maria, por seu turno, dizia mais tarde, referindo-se ao sacerdócio: «Se o entendêssemos na terra morreríamos, não de espanto, mas de amor». E sempre viveu cheio de agradecimento por este dom.

Apesar de ser tão agradecido pelo dom do sacerdócio, considerava-se muito indigno dele. Por esse motivo se afligia intensamente ao pensar que não era bom. Um dia, enquanto explicava o catecismo na igreja de Ars, exclamou: «Oh, se eu tivesse sabido o que era ser sacerdote, bem depressa me teria refugiado na Trapa!» Ao que uma voz saída da multidão replicou: «Meu Deus, que desgraça que isso teria sido!» (cf. Rev.º MONNIN, Processo do ordinário, p. 1115). Este grito saído do coração deve ter servido de lição e de alento ao santo sacerdote, proposto agora pelo Papa como modelo.

O Cura d’Ars exortava os sacerdotes seus amigos a viverem de acordo com este dom. A um que se queixava da frieza dos seus paroquianos e da esterilidade do seu zelo, afirmava: «Já pregou? Já rezou? Já tomou as disciplinas? Já dormiu no duro? Enquanto não se resolver a isto não tem direito a queixar-se» (Rev.º TOCANNIER, Notas manuscritas, p. 31).

(Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987. [versão online em castelhano])

HORÁRIO DE MISSAS DURANTE O MÊS DE SETEMBRO DE 2009

De 2ª Feira a Sábado: 18.30h (e, apartir do dia 14, também às 12.15h)

Domingos: 10.00h, 12.00h e 19.00h

CATEQUESE

Inscrições para o Ano Catequético 2009/2010: Continuam abertas até 2 de Outubro, 2ª Feira. Os pais podem apresentar as matrículas dos seus filhos na Secretaria, nas horas normais de atendimento. As aulas começarão na 5ª Feira, 8 de Outubro.

Horário de Aulas no ano de 2009/2010:

  1. Catequese do 1º ao 7º Ano: a) Raparigas: 5ªs Feiras, 17.45h-18.30h; Domingos: 11.00h-11.45h b) Rapazes: 2ªs Feiras, 17.45h-18.30h; Sábados: 11.00h-11.45h
  2. Catequese do 8º ao 10º Ano: Domingos, 11h-11.45h, Colégio Alemão

Obs. – Reuniões de Pais dos alunos da Catequese:

Grupo 1. a): 28 de Setembro, 2ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja Grupo 1. b): 01 de Outubro, 5ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja Grupo 2. : 12 de Outubro, 2ª Feira, 19.15h – Salão da Igreja

Curso de Preparação para o Crisma (adultos):

Início a 5 de Novembro, 5ª Feira, 19.15h. As aulas, num total de 15, serão dadas às 5ªs Feiras, das 19.15h-20.00h. Inscrições abertas até 30 de Outubro, 6ª Feira, nas horas de funcionamento da Secretaria. Na aula inicial serão apresentados os horários definitivos.

Curso de Catecúmenos:

Início a 19 de Outubro, 2ª Feira, 19.15h, As aulas, num total de 20, serão dadas às 2ªs Feiras, das 19.15h-20.00h. Inscrições até 16 de Outubro, 6ª Feira, nas horas de funcionamento da Secretaria. Na aula inicial serão apresentados os horários definitivos.

AUSÊNCIAS DE SACERDOTES DURANTE O MÊS DE SETEMBRO

P. Rui: Até 3ª Feira, 15 de Setembro.

RECOLECÇÕES MENSAIS EM SETEMBRO 2009

Homens: 2ª Feira, Dia 07, 19.15h – Salão da Igreja, à R. Filipe Duarte

Senhoras: 5ª Feira, Dia 10, 19.15h - Igreja

AGRUPAMENTO Nº 683 DO CNE – ACTIVIDADES EM SETEMBRO

Dia 12: Indaba de Agrupamento – Acção de formação sobre várias temáticas para os dirigentes e candidatos a dirigentes do Agrupamento;

Dia 13: Conselho de Agrupamento, para apresentação das grandes actividades do próximo ano escutista;

Dia 19: Encontro informal do Agrupamento para lançar as bases do ano escutista que começa;

Dia 25: Reunião de pais e de encarregados de educação, para a apresentação dos objectivos do ano escutista e equipas de animação;

Dia 26: Início oficial das Actividades com a passagem de Secção dos elementos.

Baptismos neste mês de Setembro

  • Sábado, dia 05, 12.00h: Giovanna Melo
  • Domingo, dia 20, 13.15h: Matilde e Mafalda Augusto
  • Sábado, dia 26, 12.00h: Santiago Neto
  • Domingo, dia 27, 19.00h: Leonor Sande e Silva

Aprender a perdoar

O início do ano lectivo tem uma carga de novidade. Trata-se de um novo ciclo. As férias significaram uma paragem e a interrupção de algumas rotinas. Por vezes o mês de Setembro é também escolhido para mudanças no local de trabalho, de colegas de profissão, ou no local de residência: limpezas, pinturas, arrumações. Este ritmo de certa estreia e a energia que nos proporcionou o descanso, pode-nos ajudar a renovar também o nosso interior.

Na alma a renovação provém do perdão: do perdão recebido de Deus e do perdão concedido aos outros. Quando nos agarramos à ofensa a alma envelhece, enruga-se, amesquinha-se e dificilmente pode captar o Dom de Deus (cf. Jo 4,10), que consiste sobretudo no seu perdão.

Gostamos de não perdoar porque nos julgamos assim detentores de créditos perante os outros e, perante as nossas próprias faltas e erros, sempre podemos acenar com uma carteira de títulos: uma palavra insultuosa, uma ingratidão, uma atitude arrogante e que compensam outras tantas negligências ou ofensas da nossa parte.

Essa atitude, porém, é mesquinha. Revela mais a própria pequenez do que quaisquer créditos perante os outros. No fundo, a pretensão de um crédito perante o outro não é mais do que tornar explícita a nossa consciência da dívida e pretender proteger-nos de antemão. As almas grandes sabem passar por alto as pequenas incorrecções e indelicadezas que necessariamente têm que existir. São tanto maiores quanto maiores as faltas que sabem perdoar. Por isso Deus é infinitamente grande, porque perdoa sempre tudo a todos os que Lhe manifestam o arrependimento.

Nada disto obsta a que se deva exigir aquilo que é de justiça. Esse direito é muitas vezes um dever porque é exigido pelo bem legítimo de terceiros e pelo bem da correcção daquele que nos tenha lesado. Mas mesmo então, não devemos perseguir a justiça por uma questão pessoal. Vale a pena que o coração esteja limpo de qualquer ressentimento, através da oração pela pessoa do agressor, e, melhor ainda, saber encontrar uma desculpa airosa para a sua conduta. «Esforça-te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofenderam, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti» (SÃO JOSEMARIA, Caminho 452).