1 de agosto de 2009

A vida do Santo Cura d’Ars (II)

João Maria Vianney não teve uma vida fácil. Quando já se sentia chamado ao sacerdócio outro chamamento se sobrepôs: o exército, que necessitava de homens para as campanhas napoleónicas. Por uma série de peripécias, que seria demasiado longo narrar, acabou por ser dado por desertor. E viu-se forçado a procurar refúgio numa aldeia chamada Nöes.

Da sua permanência em Nöes (entre 1809 e 1811) ficou gravada na memória de todos os aldeões a sua grande mansidão, piedade, caridade e uma profunda estima. Aí se conta que, numa ocasião, no Verão de 1810, uns gendarmes que andavam à sua procura o tinham visto no campo e foram no seu encalço. João Maria refugiou-se num estábulo e escondeu-se sob um monte de feno. O calor e as ervas já em fermentação fizeram-no sofrer horrores e os gendarmes entraram e revolveram tudo. Com o sabre picaram no monte de feno. João Maria nada disse e formulou então o propósito de nunca mais se queixar na sua vida. Dizia ele que tinha cumprido esse propósito desde então.

Relacionado com a sua permanência em Nöes está outro episódio acontecido em 1850, quando já era pároco de Ars há muitos anos. Uma mulher que tinha chegado a Ars, junto com tantos peregrinos, parecia possessa: saltava, bailava e falava de um modo extravagante. E ia contando em voz alta os pecados de todos os que passavam por ela. Viu o Cura e disse-lhe que tinha roubado um cacho de uvas.

João Maria, de facto, tinha passado muita fome em Nöes quando fugia do exército e, num momento em que ainda não tinha encontrado uma casa que o recebesse, roubou um cacho de uvas.

O santo pároco respondeu à acusadora que tinha deixado lá, no sítio de onde retirara o cacho de uvas, uma moeda em pagamento. Mas a mulher disse-lhe que o dono não a tinha encontrado.

(Retirado de TROCHU, F., O Cura d’Ars, Ed. Theologica, Braga, 1987
[versão online em castelhano])

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