1 de agosto de 2009

Do Pároco

No mês de mês de Agosto, tão marcado pelas férias estivais das famílias, sobressai, entre as festas litúrgicas, a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, que se celebra no dia 15 de Agosto.

Dia Santo de preceito, convém rodeá-lo de todo o amor para com a nossa Mãe do Céu, que aí nos espera com tanto carinho maternal, participando devotamente na Santa Missa. Esta é a primeira e mais importante das iniciativas que devemos ter em conta, porque as férias não devem ser motivo para nos esquecer das nossas mais importantes obrigações como fiéis da Igreja Católica. Um dos preceitos da Igreja prescreve, efectivamente, que se deve ouvir Missa inteira aos domingos e dias santos de preceito. E a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria é um desses dias.

Poderemos nessa data imaginar a alegria de Jesus ao receber no Céu a Mãe. A sua obrigação de julgar quem passa desta vida para a outra, deve ter encontrado na vez de Maria uma satisfação completa e inexcedível, porque ela foi, com certeza, entre todas as criaturas humanas, obviamente, a única que só apresentou nesse momento toda a sua vida como um modelo perfeito de virtude.

Nossa Senhora foi, por um lado, imaculada na sua concepção e no seu nascimento, porque Deus assim quis que fosse a Mãe do seu Filho; por outro, ela viveu sempre no maior grau de virtude, pelo que nunca pecou e se santificou dum modo ímpar. Ninguém mais santa do que Ela; é a santa por excelência entre todos os santos.

Uma criatura tão perfeita, moralmente, como a Virgem Maria, não só se uniu a Deus em todos os seus pensamentos e desejos, como a levou a aceitar a vontade de Deus de uma forma absoluta. Nada Lhe negou, pois tinha consciência de que o que Deus lhe pedia, ainda que pudesse ser difícil, era sempre o melhor para ela e para todos com quem Deus a relacionava.

Um acto sumamente heróico, entre muitos, da sua passagem por este mundo, foi o da aceitação da nossa maternidade, quando Jesus, já em agonia e prestes a expirar, lho pede, através da pessoa de S. João Evangelista, a quem Maria, por delicadeza para com o Filho, certamente convenceu a acompanhá-la até ao Calvário, a fim de Lhe dar a consolação de que, apesar de tudo, nem todos os discípulos O tinham abandonado. A presença no seu suplício deste apóstolo significou para Jesus um raio de satisfação e de esperança.

Não Lhe deu Jesus preocupações e problemas durante a vida como Filho? Muitíssimos: lembremo-nos da maneira como Maria fica grávida sem o concurso de varão, da fuga para o Egipto, da perda do Menino quando vai com seu marido ao Templo de Jerusalém e, por fim, o tormento da Cruz com a fuga dos apóstolos, que a fez sofrer tremendamente.

No entanto, em todas essas circunstâncias, o seu Filho nunca lhe deu o maior desgosto que uma boa mãe cristã pode sofrer com a conduta de um seu descendente: o pecado. Maria nunca foi para Cristo aquilo que ela é para nós: "Refúgio dos pecadores". Aceita a imensidão de filhos que Jesus lhe propõe, sabendo que os terá de tratar duma forma diferente, já que, como diz a Escritura: "O justo peca sete vezes por dia".

Mais uma vez, Nossa Senhora nos ensina que a aceitação da vontade de Deus nem sempre é fácil. Que ela peça por nós maternalmente junto das Três Pessoas divinas e seja, como o é de facto, a Mãe boa e condescendente, a quem o pecador arrependido recorre por saber que será sempre bem acolhido.

Imagem: A Assunção de Nossa Senhora, quadro de Rubens

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