1 de agosto de 2009

Corrigir por amor

Deus quis que vivêssemos numa família. Nela nascemos, crescemos e acabámos nós próprios por constituir a nossa, ao chegar à maturidade. Nas ocasiões em que o convívio é mais intenso, como nas férias do Verão, agradecemos sinceramente ao Senhor que tenha querido que participássemos da sua felicidade, ao poder saborear a alegria de viver com os outros. Mas também então temos ocasião de verificar que, enquanto caminhamos nesta terra, nenhum de nós atingiu ainda a perfeição. Todos temos defeitos.

Perante os defeitos dos outros a atitude que o Senhor nos pede é a compreensão e a paciência, e, ao mesmo tempo, a ajuda de advertir aquele que erra. Ambas as coisas – compreensão e advertência – são compatíveis e até mutuamente exigidas pela mesma caridade: não julgamos a intenção do outro mas só os reflexos exteriores dos seus actos. O outro é sempre alguém que se esforça sinceramente por ser santo e que provavelmente é melhor do que nós. Por isso mesmo tem direito a que se lhe diga o que não esteve tão bem no seu comportamento.

Jesus ensinou o modo de corrigir: «vai e corrige-o entre tu e ele, a sós» (Mt 18,15a). Não devemos corrigir em público, diante de outras pessoas, mesmo que sejam membros da família, a não ser em casos de necessidade urgente, para evitar um mal maior, o que costuma ser raro. A correcção não deve ser feita «a quente», quando ainda sentimos indignação pela conduta do outro, porque nos faltaria compreensão e caridade. Devemos corrigir depois de ter considerado o assunto na oração, depois de nos termos examinado nós próprios sobre aquele mesmo defeito que queremos corrigir e depois de termos pedido conselho. Quando já não nos apetecer corrigir então é que a correcção deve ser feita, porque é corrigir por amor. Então a nossa palavra será amável e suave e terá aberto o outro para a melhoria, termos «ganho o nosso irmão» (cf. Mt 18,15b).

Se se trata de corrigir um filho, pode bastar consultar o outro cônjuge. Se se trata de corrigir o cônjuge, pode ser preferível consultar o confessor e ser objectivos e desapaixonados na consulta para que nos dê um conselho prudente.

Corrigir custa, porque se sabe que se faz sofrer o outro. Mas é nossa obrigação, por amor, por querer a felicidade dos que vivem connosco. «Quando é necessário corrigir, deve-se actuar com clareza e amabilidade; sem excluir um sorriso nos lábios, se convier. Nunca – ou muito raras vezes – com exaltação» (SÃO JOSEMARIA, Sulco 823).

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