2 de julho de 2009

A vida do Santo Cura d'Ars (I)

O Papa Bento XVI decretou que desde o dia 19 de Junho de 2009 até ao dia 19 de Junho de 2010 se vivesse na Igreja um Ano Sacerdotal, meditando no dom do sacerdócio e pedindo pela santidade dos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais, por ocasião dos cento e cinquenta anos da morte do Santo Cura d’Ars (São João Maria Baptista Vianney, 1786-1859). Reproduziremos ao longo deste tempo alguns episódios da vida deste sacerdote santo que é modelo para sacerdotes e leigos. Assim poderemos ter-lhe maior devoção e pedir a sua intercessão para que em toda a Igreja se viva bem este ano.

João Maria nasceu em Dardilly, perto de Lyon, a 8 de Maio de 1786, à meia-noite, e foi baptizado nesse mesmo dia. Poucos anos depois explodiria a Revolução Francesa que colocou a Igreja na clandestinidade, alvo de uma violenta perseguição. Os seus pais eram camponeses piedosos, sendo João Maria o quarto de seis filhos.

A sua infância foi marcada por uma profunda piedade. A sua mãe sempre lhe pegava na mão para se benzer antes de lhe dar a papa. Quando tinha quinze meses, segundo conta a sua irmã Margarida, a mãe esqueceu-se e o pequenino não abria os lábios. Só quando ela o acompanhou a benzer-se é que consentiu que lhe entrasse a comida na boca (cf. Processo do Ordinário, 1011).

O próprio Cura d’Ars referiu, mais tarde, que amava Nossa Senhora, muito antes da idade da razão: «A Santíssima Virgem é o meu maior afecto; amava-A mesmo antes de A conhecer» (cf. Ib. 677).

Quando tinha 13 anos e o seu irmão Francisco 15, trabalhavam os dois no campo. Um dia tentou seguir o seu irmão em tudo o que ele fizesse e fazer igual, mas acabou o dia totalmente arruinado, exausto, sem poder mais. Então lembrou-se de invocar a Santíssima Virgem. Colocou uma pequena imagem sua perto dos campos onde trabalhava e procurou tê-la muito presente durante todo o tempo. Não só conseguiu igualar o trabalho do irmão como nem sequer se sentia fatigado no fim.

Apesar de muitos favores que Deus lhe concedeu desde pequeno, João Maria foi muito normal e nunca se considerou uma pessoa santa. Durante a sua vida circulavam biografias suas que ressaltavam o fantástico contra os seus reiterados protestos. Nunca se deixou retratar por humildade, e algum artista conseguiu «roubar-lhe» as feições, dissimulando-se entre a multidão que o escutava.

(retirado de TROCHU, F., El Cura de Ars, Palabra, Madrid, 1986)

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