7 de junho de 2009

A exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis

O ano pastoral 2004/2005 foi dedicado pelo Papa João Paulo II à Eucaristia. Foi um ano eucarístico. Esse ano terminaria com um Sínodo de Bispos para reflectir sobre este mistério central à vida da Igreja. Este grande Papa faleceu entretanto e o Sínodo foi presidido pelo seu sucessor, Bento XVI, que escreveu uma exortação apostólica com as conclusões desse encontro, com data de 22 de Fevereiro de 2007. Eis alguns parágrafos.

Um dos momentos mais intensos do Sínodo vivemo-lo quando fomos à Basílica de São Pedro, juntamente com muitos fiéis, fazer adoração eucarística. Com aquele momento de oração, quis a assembleia dos bispos não se limitar às palavras na sua chamada de atenção para a importância da relação intrínseca entre a celebração eucarística e a adoração. Neste significativo aspecto da fé da Igreja, encontra-se um dos elementos decisivos do caminho eclesial que se realizou após a renovação litúrgica querida pelo Concílio Vaticano II. Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu às vezes não se perceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objecção então em voga, por exemplo, partia da ideia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento; já Santo Agostinho dissera: (...) « ninguém come esta carne, sem antes a adorar; (...) pecaríamos se não a adorássemos ». (Enarrationes in Psalmos 98,9) De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se connosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior acto de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d'Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O acto de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica. Com efeito, « somente na adoração pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro. Precisamente neste acto pessoal de encontro com o Senhor amadurece depois também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros » (Discurso à Cúria Romana 22-XII-2005).

(BENTO XVI, Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, n.66)

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