7 de junho de 2009

A adoração eucarística

A Eucaristia é um mistério de fé. Quando assistimos à Santa Missa, no fim da Consagração, o sacerdote convida-nos a considerar esta realidade; ele exclama «Mistério da fé», ao que todos respondemos com a adesão da inteligência e do coração. Desde esse momento, sob a aparência do pão e do vinho, está realmente presente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor. E com o Corpo e o Sangue estão também a sua Alma e a sua Divindade. Por isso não só cremos mas adoramos.

Adorar é um acto próprio da virtude da religião porque só se destina a Deus. Adorar é reconhecer que se está perante Aquele que é mais do que nós, não com uma diferença meramente de grau, mas de natureza. Deus não é só mais inteligente do que eu: Ele é a própria Inteligência da qual eu recebo uma pequeníssima parte. Deus é Aquele que é; eu sou porque Ele quis que eu fosse. O meu ser depende d’Ele.

Adorar é submeter-se. Não é só reconhecer a nossa insignificância mas colocar-nos à sua mercê, ao seu serviço e querer obedecer à sua vontade. Por isso o acto de adoração é um acto de entrega incondicional.

No caso da Eucaristia dá-se um fenómeno paradoxal: Aquele que é maior parece menor, Aquele que é máximo parece mínimo. Deus omnipotente, omnisciente, plenitude infinita, está feito um pedaço de pão, como se fosse Ele o insignificante. Por isso sentimos ainda mais o impulso de O adorar. Não adoramos só a sua majestade infinita mas a sua bondade, o seu amor que ultrapassa tudo o que é razoável.

A presença da Eucaristia entre nós leva-nos a actos de adoração: uns mais solenes e comunitários – como a processão eucarística do Corpo de Deus, ou a Exposição do Santíssimo na Igreja à quinta-feira –, outros mais discretos e pessoais, como a visita ao Santíssimo Sacramento ou uma simples genuflexão diante do Sacrário, na qual o coração procura prostrar-se diante de Deus. Em todos esses actos a alma eleva-se, sobe até Deus, quando desce à sua insignificância. Com esse aparente rebaixamento imitamos o Senhor na Eucaristia e somos por Ele elevados até à intimidade divina.

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